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AGUARDEM POSTAGENS SERÃO TODAS ATUALIZADAS.

Neuropsicopedagogia

Olá Amigos visitantes aqui você vai encontrar uma coletânea de textos retirados de vários site, apostilas e slides do meu curso de neuropsicopedagogia.

O CÉREBRO HUMANO


 

cérebro humano é particularmente complexo e extenso. Este é imóvel e representa apenas 2% da massa do corpo, mas, apesar disso, recebe aproximadamente 25% de todo o sangue que é bombeado pelo coração. Divide-se em dois hemisférios: esquerdo e o direito. O seu aspecto se assemelha ao miolo de uma noz. É um conjunto distribuído de milhares de milhões de células que se estende por uma área de mais de 1 metro quadrado dentro do qual conseguimos diferenciar certas estruturas correspondendo às chamadas áreas funcionais, que podem cada uma abranger até um décimo dessa área.

CONHECENDO AS PARTES DO CÉREBRO


Diagrama lateral do cérebro.


O hemisfério dominante em 98% dos humanos é o hemisfério esquerdo, é responsável pelopensamento lógico e competência comunicativa. Enquanto o hemisfério direito, é responsável pelo pensamento simbólico e criatividade, embora pesquisas recentes estejam contradizendo isso, comprovando que existem partes do hemisfério esquerdo destinados a criatividade e vice-versa. Nos canhotos as funções estão invertidas. O hemisfério esquerdo diz-se dominante, pois nele localiza-se 2 áreas especializadas: a Área de Broca (B), o córtex responsável pela motricidade da fala, e a Área de Wernicke (W), o córtex responsável pela compreensão verbal.




corpo caloso, localiza-se no fundo da fissura inter-hemisférica, ou fissura sagital, é a estrutura responsável pela conexão entre os dois hemisférios cerebrais. Essa estrutura, composta por fibras nervosas de cor branca (freixes de axónios envolvidos em mielina), é responsável pela troca de informações entre as diversas áreas do córtex cerebral.


córtex motor é responsável pelo controle e coordenação da motricidade voluntária. Traumas nesta área causam fraqueza muscular ou até mesmo paralisia. O córtex motor do hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo, e o córtex motor do hemisférios direito controla o lado esquerdo do corpo. Cada córtex motor contém um mapa da superfície do corpo: perto da orelha, está a zona que controla os músculos da garganta e da língua, segue-se depois a zona dos dedos, mão e braço; a zona do tronco fica ao alto e as pernas e pés vêm depois, na linha média do hemisfério.
córtex pré-motor é responsável pela aprendizagem motora e pelos movimentos de precisão. É na parte em frente da área do córtex motor correspondente à boca que reside a Área de Broca, que tem a ver com a linguagem. A área pré-motora fica mais ativa do que o resto do cérebro quando se imagina um movimento, sem o executar. Se se executa, a área motora fica também ativa. A área pré-motora parece ser a área que em grande medida controla o sequenciamento de ações em ambos os lados do corpo. Traumas nesta área não causam nem paralisia nem problemas na intenção para agir ou planear, mas a velocidade e suavidade dos movimentos automáticos (ex. fala e gestos)fica perturbada. A prática de piano, ténis ou golfe envolve o «afinar» da zona pré-motora - sobretudo a esquerda, especializada largamente em atividades sequenciais tipo série.
Cabe ao córtex do cerebelo, fazer a coordenação geral da motricidade, manutenção do equilíbrio e postura corporal. O cerebelo representa cerca de 10% do peso total do encéfalo e contém mais neurônios do que os dois hemisférios juntos.
O eixo formado pela adeno-hipófise e o hipotálamo, são responsáveis pela auto regulação do funcionamento interno do organismo. As funções homeostáticas do organismo (função cárdio-respiratória, circulatória, regulação do nível hídrico, nutrientes, da temperaturainterna, etc) são controladas automaticamente.

Os Lobos Cerebrais:



A)  Lobo frontal
B) Lobo parietal
C) Lobo temporal
D) Lobo occipital


No cérebro há uma distinção visível entre a chamada massa cinzenta e a massa branca, constituída pelas fibras (axónios) que entreligam os neurónios. A substância cinzenta do cerebro, o córtex cerebral, é constituído corpos celulares de dois tipos de células: as células de Glia - também chamadas de neurôglias - e os neurônios. O córtex cerebral humano é um tecido fino (como uma membrana) que tem uma espessura entre 1 e 4 mm e uma estrutura laminar formada por 6 camadas distintas de diferentes tipos de corpos celulares de neurônios. Perpendicularmente às camadas, existem grandes neurônios chamados neurônios piramidais que ligam as várias camadas entre si e representam cerca de 85% dos neurônios no córtex. Os neurônios piramidais estão entreligados uns aos outros através de ligações excitatórias e pensa-se que a sua rede é o «esqueleto» da organização cortical. Podem receber entradas de milhares de outros neurônios e podem transmitir sinais a distâncias da ordem dos centímetros e atravessando várias camadas do córtex. Os estudos realizados indicam que cada célula piramidal está ligada a quase tantas outras células piramidais quantas as suas sinapses (cerca de 4 mil); o que implica que nenhum neurônio está a mais de um número pequeno de sinapses de distância de qualquer outro neurônio no córtex.
Embora até há poucos anos se pensasse que a função das células de Glia é essencialmente a de nutrir, isolar e proteger os neurônios, estudos mais recentes sugerem que os astrócitos podem ser tão críticos para certas funções corticais quanto os neurônios.

As diferentes partes do córtex cerebral são divididas em quatro áreas chamadas de lobos cerebrais, tendo cada uma funções diferenciadas e especializadas. Os lobos cerebrais são designados pelos nomes dos ossos cranianos nas suas proximidades e que os recobrem. O lobo frontal fica localizado na região da testa; o lobo occipital, na região da nuca; o lobo parietal, na parte superior central da cabeça; e os lobos temporais, nas regiões laterais da cabeça, por cima das orelhas.
Os lobos parietais, temporais e occipitais estão envolvidos na produção das percepções resultantes daquilo que os nossos órgãos sensoriais detectam no meio exterior e da informação que fornecem sobre a posição e relação com objetos exteriores das diferentes partes do nosso corpo.

Lobo Frontal - lobo frontal, que inclui o córtex motor e pré-motor e o córtex pré-frontal, está envolvido no planejamento de ações e movimento, assim como no pensamento abstrato. A atividade no lobo frontal aumenta nas pessoas normais somente quando temos que executar uma tarefa difícil em que temos que descobrir uma sequência de ações que minimize o número de manipulações necessárias. A parte da frente do lobo frontal, o córtex pré-frontal, tem que ver com estratégia: decidir que sequências de movimento ativar e em que ordem e avaliar o seu resultado. As suas funções parecem incluir o pensamento abstrato e criativo, a fluência do pensamento e da linguagem, respostas afetivas e capacidade para ligações emocionais, julgamento social, vontade e determinação para ação e atenção seletiva. Traumas no córtex pré-frontal fazem com que uma pessoa fique presa obstinadamente a estratégias que não funcionam ou que não consigam desenvolver uma sequência de ações correta.

Os lobo occipital estão localizados na parte póstero-inferior do cérebro. Coberta pelo córtex cerebral, esta área é também designada por córtex visual, porque processa os estímulos visuais. É constituida por várias sub áreas que processam os dados visuais recebidos do exterior depois de terem passado pelo tálamo: há zonas especializadas em processar a visão da cor, do movimento, da profundidade, da distância, etc. Depois de percebidas por esta área - área visual primária- estes dados passam para a área visual secundária. É aqui que a informação recebida é comparada com os dados anteriores que permite, por exemplo, identificar um cão, um automóvel, uma caneta. A área visual comunica com outras areas do cérebro que dão significado ao que vemos tendo em conta a nossa experiencia passada, as nossas expectativas. Por isso é que o mesmo objeto nao é percepcionado da mesma forma por diferentes sujeitos. Para além disso, muitas vezes o cérebro é orientado para discriminar estímulos. Uma lesão nesta área provoca agnosia, que consiste na impossibilidade de reconhecer objetos, palavras e, em alguns casos, os rostos de pessoas conhecidas ou de familiares.


Os lobos temporais estão localizados na zona por cima das orelhas tendo como principal função processar os estímulos auditivos. Os sons produzem-se quando a área auditiva primária é estimulada. Tal como nos lobos occipitais, é uma área de associação - área auditiva secundária- que recebe os dados e que, em interação com outras zonas do cérebro, lhes atribui um significado permitindo ao Homem reconhecer o que ouve.

Os lobos parietais, localizados na parte superior do cérebro, são constituidos por duas subdivisões - a anterior e a posterior. A zona anterior designa-se por córtex somatossensorial e tem por função possibilitar a recepção de sensações, como o tato, a dor, atemperatura do corpo. Nesta área primária, que é responsavel por receber os estimulos que têm origem no ambiente, estao representadas todas as áreas do corpo. São as zonas mais sensiveis que ocupam mais espaço nesta área, porque têm mais dados para interpretar. Os lábios, a língua e a garganta recebem um grande número de estímulos, precisando, por isso, de uma maior área. A área posterior dos lobos parietais é uma área secundária que analisa, interpreta e integra as informações recebidas pela área anterior ou primária, permitindo-nos a localização do nosso corpo no espaço, o reconhecimento dos objetos através do tato, etc.

Área de Wernicke é na zona onde convergem os lobos occipital, temporal e parietal que se localiza a área de Wernicke, que desempenha um papel muito importante na produção de discurso. É esta área que nos permite compreender o que os outros dizem e que nos faculta a possibilidade de organizarmos as palavras sintaticamente corretas.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9rebro_humano

Neuropsicopedagogia Clínica
 Ana Lúcia Hennemann[1]

Para acessar o site Ana Lúcia clique Aqui
     A Neuropsicopedagogia Clínica, aos poucos vem conquistando espaço no território brasileiro surgindo como uma nova área do conhecimento e pesquisa na atuação interdisciplinar, abarcando conhecimentos neurocientíficos e tendo seu foco nos processos de ensino aprendizagem. Está pautada em atividades que avaliam e intervêm nos processos de aprendizagem procurando obter informações de todas as ciências que possam contribuir para formar o entendimento mais detalhado da aprendizagem de cada indivíduo.  Assim sendo, a Neuropsicopedagogia, que agrega conhecimentos da neurociência, psicologia e pedagogia realiza um trabalho de prevenção, pois avalia e auxilia nos processos didático-metodológicos e na dinâmica institucional para que ocorra um melhor processo de ensino-aprendizagem.    
Na atualidade, o conceito de Neuropsicopedagogia provém de formulações feitas por outros países, pois em consulta aos dicionários brasileiros, ainda não é possível encontrar esta terminologia; sendo assim, o portal mexicano de Psicopedagogia, voltado para definições de conceitos a cerca das ciências, tendo como referência o Dr Alberto Montes de Oca Tamez (2006), PhD em Neurociência, define a Neuropsicopedagogia como:
... um exercício de trabalho interdisciplinar sobre o processamento de informações e modularidade da mente em termos de Neurociência Cognitiva, Psicologia, Pedagogia e Educação, que ocorre na formação multidisciplinar de profissionais voltados à área educacional. O neuropsicopedagogo deve ter amplo conhecimento dos diferentes modelos, teorias e métodos de avaliação, planejamento, currículo dos diferentes níveis de ensino. Além disso, deve ter amplo conhecimento da base neurobiológica do comportamento psico-educacional e da reabilitação neurocognitiva tanto em crianças, adolescentes, sujeitos idosos e pessoas com necessidades especiais. (tradução minha [2])

No mesmo ano que TAMEZ elabora esta definição de Neuropsicopedagogia, Suárez publicou um artigo intitulado “Desmitificación de La Neuropsicopedagogía”, sendo que o mesmo traz toda evolução histórica da Neuropsicopedagogia, constituindo-se assim um documento importante dentro dessa área de conhecimento. Suárez (2006 apud De La Peña 2005), no transcorrer de seu trabalho científico nos traz essa importante contribuição:
A Neuropsicopedagogia agrega os conhecimentos da Psicologia e Neuropsicologia, compreendendo o funcionamento dos processos mentais superiores (atenção, memória, função executiva,....) de explicações psicológicas e instruções pedagógicas tem como objetivo fornecer uma estrutura de conhecimento e de ação para a descrição completa: o tratamento, explicação e valorização do ensino - aprendizagem que ocorrem ao longo da vida do aluno, promovendo uma educação integral com impacto além da escola e o período de tempo e tipo de aprendizagem estabelecido como válido. (tradução minha [3])

No Brasil a Especialização em Neuropsicopedagogia é muito recente, mas em países tais como Espanha, através da Universidade de Girona, o curso de Mestre em Diagnóstico e Intervenção Neuropsicopedagógica irá para sua 14ª edição e em Barcelona ocorrerá a 5ª edição. Nestes dois municípios também constam o curso em Especialização em Neuropsicopedagogia Clínica na modalidade à distância.
Na Colômbia, através da Universidade de Manizales, desde 2007 já se tem notícias de especializações nesta área. Inclusive numa das páginas do site desta Universidade, a Neuropsicopedagogia é citada da seguinte maneira:
...um campo interdisciplinar de ação, em que as contribuições da Psicologia e Neuropsicologia permitem uma maior compreensão dos processos de ensino-aprendizagem proporcionando ao ser humano melhores condições educacionais e sociais. Partindo de uma reflexão conceitual particular, disciplinar, social e cultural no processo de aprendizagem escolar, exigindo uma abordagem que não pode ser concebida através da fragmentação do indivíduo, mas a partir da necessidade de análise crítica de fenômenos complexos que influenciam e afetam a capacidade de aprender e suas demandas clínicas e educacionais. A Neuropsicopedagogia está se tornando uma prioridade, através da integração de diferentes abordagens e colaboração de várias disciplinas que ampliam a compreensão e as estratégias de intervenção clínica e / ou educacional, obtendo assim respostas práticas, conceituais e metodológicas. (tradução minha [4])
 
 No Brasil, por volta do ano 2007, surgem relatos de um trabalho, a nível de mestrado, intitulado “A avaliação neuropsicopedagógica de crianças surdas: O estudo dos processos corticais simultâneos de sucessivos, visuo-motores e verbais, através de testes neuropsicológicos”. O presente trabalho promovido pelo Laboratório de Neuropsicologia Cognitiva e Neurociências da Surdez do INES (NEUROLAB – INES) em parceria com o Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC Rio) e com o NCE-LABASE-UFRJ apresentava várias linhas de pesquisa tendo como base o desenvolvimento de dez plataformas computadorizadas. A metodologia consistia em “um conjunto de mil jogos neuropsicopedagógicos e metacognitivos, construídos de acordo com um modelo lúdico isomórfico às funções mentais superiores e aos sistemas de processamento da consciência”, porém o objetivo era oferecer meios que facilitassem o desenvolvimento cognitivo-linguístico de crianças com deficiência, patologias ou atrasos no desenvolvimento, através da ludicidade e da informática. Este projeto na área tecnológica contribuiu e muito para o processo de inclusão utilizando dos conhecimentos neurocientíficos, sendo que uma das colaboradoras do projeto menciona a Neuropsicopedagogia como uma área que:
...estuda a interação entre o cérebro, a mente e o aprendizado, possibilitando, através de métodos rigorosamente científicos, o planejamento de intervenções precisas que promovam o desenvolvimento de sujeitos epistêmicos. (MARQUES, 2008, p.11)

Em entrevista para a Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABPb, através de Racy e Vieira (s.d.), Dr Marco Tomanick  Mercadante[5],  contextualiza a Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras:
Um campo do conhecimento que procura reunir os avanços advindos das neurociências com a psicopedagogia. Assim, o profissional com essa perspectiva deve ter conhecimento amplo das bases neurobiológicas do aprendizado, do comportamento e das emoções, e dominar os elementos clássicos da psicopedagogia. Além disso, uma coerência epistemológica que garanta uma adequada articulação dessas áreas dispares do conhecimento é fundamental para a atuação na área.
 
Em 2009, percebendo a necessidade de um curso que resgatasse as interfaces do cérebro e do desenvolvimento humano, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, apresenta como curso de extensão, na condição de Educação à Distância, o curso “Desenvolvimento Neuropsicopedagógico: Contribuições das Neurociências para a Educação”.  Para referido evento, consta na apresentação do curso o conceito de Neuropsicopedagogia, entendida como:
...contribuições da neurociência no processo de ensino e aprendizagem, como uma possibilidade de aproximar as descobertas sobre as funções cerebrais que interferem na cognição e como podemos explorar determinadas características do funcionamento cerebral em diferentes contextos de ensino. [...] visa discutir o desenvolvimento neurológico, a plasticidade cerebral e alguns desvios a fim de repensar estratégias e recursos que possam interferir de modo positivo nos processos de desenvolvimento humano, aprendizagem e ensino. (PUCRSVIRTUAL, 2009)

E nesta linha de concepção Krug (2011 apud Rodrigues 1996, p.40) apresenta o conceito de Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras:
Abordagem neurológica de distúrbios e de incapacidades de aprendizagem. A Neuropsicopedagogia é de grande utilidade para o psicopedagogo clínico, pois possibilita o diagnóstico de processos anormais na estrutura, na organização e no funcionamento do sistema nervoso central, por meio de testes de avaliação neuropsicológica, aplicáveis a indivíduos portadores de problemas de aprendizagem.

 Pode-se perceber que a terminologia Neuropsicopedagogia, apesar de não estar explicita em nenhum dos dicionários já vem sendo utilizada no contexto brasileiro. Nos estados do sul do Brasil, universidades tais como: PUC e UFRGS apresentam como disciplina nos cursos de graduação, voltados a Pedagogia, os Estudos Neuropsicopedagógicos, os quais Forner (2009, p71-72) faz a seguinte referência:
No nível I, a disciplina Estudos Neuropsicopedagógicos chama a atenção, por enfatizar aspectos que contemplam as ideias do estudo. Eis a sua ementa: Estudo do desenvolvimento humano na perspectiva da genética e da Neuropsicopedagogia, aproximando estes saberes com foco nas bases biológicas da aprendizagem, na busca de melhores formas de ensinar e de aprender. Os objetivos da disciplina convertem para a real necessidade de os futuros professores reconhecerem as dificuldades de aprendizagem de seus alunos, bem como as possíveis alternativas de trabalho. Isto é, terem subsídios para planejamento que atenda às demandas que surgem nas salas de aula. A disciplina se propõe a fazer com que os estudantes de Pedagogia conheçam o funcionamento neural, o desenvolvimento neuropsicológico, desde a concepção até a morte, destacando a neuroplasticidade, bem como as bases biológicas e influência do uso de drogas pelos pais de crianças, bases neurológicas da entrada, processamento e saída da visão, audição, tato, movimento e atenção. A partir desses conhecimentos, enfim, busca contribuir para que os professores possam realizar as intervenções, considerando aspectos do desenvolvimento normal e das dificuldades de aprendizagem.

O grande avanço da Neuropsicopedagogia no Brasil se deu através do Centro Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão - CENSUPEG. Dentro deste contexto educacional  os profissionais da Neuropsicologia Clínica são capacitados para:
• Compreender o papel do cérebro do ser humano em relação aos processos neurocognitivos na aplicação de estratégias pedagógicas nos diferentes espaços da escola, cuja eficiência científica é comprovada pela literatura, que potencializarão o processo de aprendizagem.
• Intervir no desenvolvimento da linguagem, neuropsicomotor, psíquico e cognitivo do indivíduo.
• Adquirir clareza política e pedagógica sobre as questões educacionais e capacidade de interferir no estabelecimento de novas alternativas neuropsicopedagógicas e encaminhamentos no processo educativo.
• Compreender e analisar o aspecto da inclusão de forma sistêmica, abrangendo educandos com dificuldades de aprendizagem e sujeitos em risco social.
Dessa forma, na releitura das citações anteriores pode-se afirmar que a Neuropsicopedagogia apresenta-se como um novo campo de conhecimento que através dos conhecimentos neurocientíficos, agregados aos conhecimentos da pedagogia e psicologia vem contribuir para os processos de ensino-aprendizagem de indivíduos que apresentem dificuldades de aprendizagem. A partir do ano de 2011, mais centros educativos tem ofertado este curso, que é o caso da UNOPAR- Universidade Norte do Paraná e da CEEDI (Centro de Excelência em Educação Integrado – Balneário Camboriú, SC).

2. OBJETIVOS DO ESTÁGIO CLÍNICO

O estágio clínico apresenta-se como um elemento indispensável que proporciona aprendizagens significativas reforçando a importância do olhar Neuropsicopedagógico, que pautado na aprendizagem do indivíduo e na estimulação das áreas “debilitadas”, visará o intercâmbio das produções teóricas apreendidas na Pós-Graduação através das práticas ofertadas.
O enfoque Neuropsicopedagógico ainda carece de bibliografia com mais efetivo reconhecimento científico, entretanto ressalto as palavras de Andrade (1998, p.40) ao contextualizar a Psicopedagogia Clínica e enfatizo que a Neuropsicopedagogia Clínica contempla esta mesma prática,
A Psicopedagogia Clínica não é uma prática confinada a consultórios particulares. Ela é muito mais uma maneira de olhar o processo ensino/aprendizagem, maneira esta que não se limita ao sintoma, mas busca as causas deste sintoma. Desta forma sua prática tanto pode se dar no consultório particular, como na escola ou no hospital.
O estágio neuropsicopedagógico vem trazer um novo olhar sobre as dificuldades de aprendizagem, uma visão neurocientífica, contemplando o que Chedid (2007, p.298) já escrevia a cerca da neurociência no contexto educativo,
Para a sala de aula, para a educação, as Neurociências são e serão grandes aliadas, identificando cada ser humano como único e descobrindo a regularidade, o desenvolvimento, o tempo de cada um. [...] Em pleno século XXI, nos deparamos com outras formas de informação além do letramento formal, é necessário conhecer e ensinar outras linguagens que dão acesso a informações imprescindíveis para a comunicação. [...] precisamos conhecê-las e entender as modificações que estão ocorrendo, olhar estes cérebros para saber como eles funcionam e determinar mudanças em como ensiná-los.

Dentro da mesma estrutura proposta por Chedid, a Universidade de Manizales(2007), citada anteriormente, classifica o estágio de Neuropsicopedagogia como forma de consolidar equipes interdisciplinares alavancando assim as competências e habilidades cognitivas, emocionais e aspectos sociais procurando aprofundar o teórico com a pergunta, com a prática mas ao mesmo tempo praticar os aspectos transcendentais, clínicos e educacionais, relacionados a cada tipo de experiência e na individualidade de cada caso.


 3 O PAPEL DO NEUROPSICOPEDAGOGO NA  INSTITUIÇÃO ESCOLAR 

Socialização das crianças por meio de sua participação e inserção nas mais diversificadas práticas sociais é o objetivo de qualquer ambiente educativo. É na escola em que a inserção das crianças nos grupos podem ser avaliadas e onde elas podem ser comparados com seus pares, com seu grupo etário e social. Com preparo e sensibilidade, o professor, melhor do que qualquer outro profissional está preparado para detectar problemas cruciais na vida de toda e qualquer criança que por ele passar. Entretanto, o ato de educar e incluir não são atos solitários, eles necessitam de parcerias, de trocas, de profissionais que percebam cada indivíduo nos mais diferentes modos de ser e estar no grupo, enfim uma equipe multidisciplinar.
A inclusão no contexto educativo traz como metáfora um diamante (Figura 1), ele tem diferentes lados; é “multifacetado”. Muitos, ao contemplar um diamante, percebem somente o seu brilho, outros percebem somente sua superfície, alguns voltam seus olhos para a profundidade, mas há aqueles que têm a visão mais ampla, observam as “multifacetas” (brilho, superfície, profundidade, fragilidade e por ai a diante). Isso é um trabalho multidisciplinar, um trabalho de equipe onde cada um na sua especialidade consegue ver focos diferentes dentro de um mesmo contexto e por consequência disso, o brilho final aparece reluzindo o trabalho de todos.


Figura 1- Inclusão é como um diamante. Existem vários ângulos pelos quais se podem perceber o mesmo indivíduo.

Percebendo a importância do psicopedagogo na instituição escolar, mas acompanhando as novas descobertas neurocientíficas, o Centro-Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão – CENSUPEG, apresentando-se como uma das instituições pioneiras no Brasil, quanto a questão das primeiras turmas de Pós em Neuropsicopedagogia, especializam profissionais intitulados Neuropsicopedagogos que dentro da instituição escolar, além de todo aparato preventivo, abarcam conhecimentos que possibilitarão a otimização dos processos de ensino e aprendizagem. Profissionais estes, que junto aos demais, vem contemplar as “multifacetas” dos diversos diamantes presentes no contexto educativo. Nesse sentido, eles vêm somatizar conhecimentos com todos os demais envolvidos no processo educativo, ofertando qualidade na educação e uma aprendizagem comunitária.
DEWEY (1943) já fazia relatos de aprendizagem comunitária, ele preocupava-se com o isolamento escolar da vida comunitária típica e com a rotina natural da aprendizagem na sala de aula, e pregou a utilização do trabalho e das atividades comunitárias como o foco de aprendizagem. Fazendo isso, Dewey exigia que as escolas unissem as crianças e criassem oportunidades para a aprendizagem por meio da ação e de relacionamentos de apoio mútuo. Assim como na sociedade, a escola também necessita ser remodelada para que as pessoas tenham cada vez mais relacionamentos interpessoais, trocas entre os diferentes profissionais, ter uma visão de que se faz necessário profissionais que tenham conhecimentos neurocientíficos, pois a vida está se reciclando, a cada dia novos conhecimentos vem surgindo, a neurociência a cada dia mais vem abrindo seu espaço.
A atuação do neuropsicopedagogo na instituição escolar contribui para que se desenvolvam metodologias que abordam as várias barreiras para aprendizagem apresentadas pelas crianças no ambiente escolar, procurando ligar vários intervenientes deste processo, tais como: pais, professores e colaboradores que juntos almejam uma melhoria significativa no desempenho acadêmico, social e emocional da criança.


CONSIDERAÇÕES FINAIS                 

O estágio sempre é um contexto desafiador, nos faz provocações daquilo sabemos, do que não sabemos e do que necessitamos buscar. É o elo entre nossas teorias e nossas práticas. SAVIANI (2003) em muitos de seus textos referiu-se à curvatura da vara. E o estágio é isso, é a busca do equilíbrio dessa curvatura, não tanto a um extremo, nem tanto ao outro. É um relembrar de tudo que se aprendeu, um perceber que através da observação muito se aprende e um refletir sobre o que pode ser feito a partir disso.
Discorrendo sobre as palavras de Chedid (2007, p. 300) falando do enfoque neurocientífico na educação, transcrevo as seguintes palavras:
Os alunos de hoje merecem uma educação exemplar baseada na atual investigação sobre o cérebro. Isto não pretende sugerir que tudo o que os professores e as escolas fizeram até aqui estava errado, mas sim, que temos uma nova informação, baseada na própria biologia da aprendizagem do cérebro, que pode melhorar a educação. Como o cérebro processa a informação que recebe, como ocorre o registro sensório, como funciona a memória, como os ritmos biológicos afetam o aprender e o ensinar são algumas das perguntas que nos fazemos e que já começa a ter delineadas suas respostas pelas Neurociências. Quem compreende o processo de aprender como uma atividade deve pensar nas condições essenciais para que esta atividade seja otimizada. Precisamos iniciar uma discussão entre professores e psicopedagogos sobre a necessidade de uma visão neurocientífica em nossa ação.

Muito bem explanado por Chedid, uma das primeiras propostas da necessidade da Neuropsicopedagogia, pois conforme a autora se faz necessária a visão neurocientífica dentro da ação pedagógica e psicopedagógica. E foi dentro dessa linha de pensamento que esse estágio teve como proposta.
Estudos e intervenções no campo da Neuropsicopedagogia ainda necessitam conquistar espaços, mas aos poucos vem abrindo caminhos e sutilmente vem aparecendo em citações bibliográficas, tais como as de Cavasotto e Chagas (2011, p.172) ao falar sobre vivências no atendimento pedagógico: “Estudos da neurociência têm confirmado e destacado a importância do ambiente para o desenvolvimento neuropsicopedagógico”.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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CHEDID, Kátia. Psicopedagogia, Educação e Neurociências. Psicopedagogia: Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Vol 10, nº 75 São Paulo: ABPp, 2007.

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FONSECA, Cristina. Psicopedagogia e Tecnologia. 2007. Disponível online em: <http://infonet-dani.blogspot.com.br/2007/08/infonet-informao-na-net.html> Acesso em 21/06/2012

FORNER, Viviane B. Corpo, Escola e Vida: O uso do corpo, o movimento e a exploração do espaço como dispositivos para o aprender – discussões na formação de professores. Porto Alegre: UFRGS, 2009. Dissertação de Mestrado

KRUG, Clarice L. O cérebro se transforma quando aprendemos. In. Neuropsicopedagogia e Contextos de Atuação. Novo Hamburgo: CENSUPEG, 2011. Aula expositiva do Curso de Neuropsicopedagogia Clínica e Educação Inclusiva.

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MARQUES. Carla V. M. A avaliação neuropsicopedagógica de crianças surdas: O estudo dos processos corticais simultâneos de sucessivos, visuo-motores e verbais, através de testes neuropsicológicos. In. Revista Espaço- Informativo Técnico-Científico Espaço, INES.nº 29 jan/jun. Rio de Janeiro: INES, 2008. Disponível em < http://revistaespaco.files.wordpress.com/2011/09/rev_espaco_29.pdf> Acesso em 23/06/2012

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OLIVEIRA, Mari Angela C. Psicopedagogia: a instituição educacional em foco. Curitba: Ibpex, 2009.

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PAÍN, Sara. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem.  4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

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RODRIGUES, Roberto. In: REVISTA CAESURA. Pelotas: Universidade Católica, n.9, 1996

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre a educação política. 36. ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2003.

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Fim de Post


 





NEUROPSICOPEDAGOGIA UM NOVO CAMPO DE ATUAÇÃO
  Nos últimos cem anos, nossa visão de como ocorrem os processos cerebrais vem sofrendo muitas mudanças. Novas concepções de estímulo-aprendizagem vem sendo reformuladas, diante às contribuições das Neurociências. Diferentes campos de conhecimentos perceberam a necessidade de agregar os estudos das neurociências aos seus. Sendo assim, começam a surgir interesse dos mais diversos campos da ciência, tais como: neurobiologia, neurofisiologia, neuroquímica, neuropediatria, neuropsicologia, neuropedagogia e também a Neuropsicopedagogia.
             Para ter a especialização em “neuro” em qualquer área, faz-se necessária jornadas de muito estudo, pesquisa, conhecimento das funções cerebrais. Entretanto, cabe ressaltar que existem neurocientistas clínicos e experimentais, que conforme Bear (2008, p.14)
[...] a pesquisa em Neurociências (e os neurocientistas) pode ser dividida em dois tipos: clínicas e experimentais. Pesquisa clínica é basicamente conduzida por médicos. As principais especialidades dedicadas ao sistema nervoso humano são a neurologia, a psiquiatria, a neurocirurgia e  a neuropatologia (Tabela 1.1). Muitos dos que conduzem as pesquisas clínicas  continuam a tradição de Broca, tentando deduzir as funções das várias regiões do encéfalo a partir dos efeitos comportamentais das lesões. Outros conduzem estudos para verificar os riscos e os benefícios de novos tipos de tratamento.


Fonte: Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso - BEAR.2008

Porém, Bear (2008) ainda apresenta outra tabela com alguns tipos de especialistas que se aliaram aos conhecimentos neurocientíficos, sendo considerados assim, Neurocientistas Experimentais, onde os Neuropsicopedagogos podem se enquadrar.


Fonte: Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso - BEAR.2008

          Numa visão mais abrangente, pode-se dizer que Neuropsicopedagogia é uma ciência que estuda o sistema nervoso e sua atuação no comportamento humano, tendo como enfoque a aprendizagem. A Neuropsicopedagogia procura fazer inter-relações entre os estudos das neurociências com os conhecimentos da psicologia cognitiva e da pedagogia.
         A Neuropsicopedagogia tem sua base na Psicopedagogia, porém conforme Krug (2011) além das atribuições do psicopedagogo de estudar as características da aprendizagem humana, processos de ensinagem e a origem das alterações na aprendizagem promovendo a identificação, diagnóstico, reabilitação e prevenção frente às dificuldades e distúrbios das aprendizagens, o neuropsicopedagogo, mediante seus saberes e conhecimentos em neurociências, poderá elaborar pareceres de encaminhamento para neurologistas, pediatras e psiquiatras, auxiliando-os na identificação diagnóstica, mediante o quadro de sintomas e queixa principal.
        A Neuropsicopedagogia tem as mesmas bases de regulamentação da Psicopedagogia, pautadas nos seguintes documentos:
• Lei 3124/97 – Senado Federal, que pode ser acompanhada a sua tramitação pelo site da Câmara dos Deputados;
        Também as atividades e atribuições do profissional em Psicopedagogia, servem de base para os da Neuropsicopedagogia, conforme dispõe o art. 4º do projeto de lei 3512 de 2008, que regulamenta a função de psicopedagogo:
v intervenção psicopedagógica, que visa a solução dos problemas de aprendizagem;
v realização de diagnóstico psicopedagógico;
v utilização de métodos, técnicas e instrumentos psicopedagógicos para a pesquisa, prevenção, avaliação e intervenção relacionadas à aprendizagem;
v consultoria e assessoria psicopedagógicas;
v apoio psicopedagógico;
v supervisão em trabalhos teóricos e práticos em psicopedagogia;
v orientação, coordenação e supervisão dos cursos de psicopedagogia;
v direção de serviços de psicopedagogia;
v projeção, direção ou realização de pesquisas psicopedagógicas.
           Contudo, os Neuropsicopedagogos possuem um conhecimento melhor estruturado sobre a função cerebral, entendendo a forma como esse cérebro recebe, seleciona, transforma, memoriza, arquiva, processa e elabora todas as sensações captadas pelos diversos elementos sensores para, a partir desse entendimento, poder adaptar as metodologias e técnicas educacionais a todas as pessoas e principalmente, aquelas com características cognitivas e emocionais diferenciadas. Diante desses saberes, os Neuropsicopedagogos poderão desempenhar funções como:

·                     Rever aspectos do desenvolvimento humano a partir das novas descobertas das neurociências;
·                     Enumerar fatores que afetam negativa e positivamente o desenvolvimento neuropsicológico;
·                     Reconhecer aspectos envolvidos nos processos de memória e atenção relativos à aprendizagem;
·                     Compreender os problemas referentes ao Déficit de Atenção e Hiperatividade, transtornos de aprendizagem para que se realizem encaminhamentos pedagógicos pertinentes a cada caso;
·                     Relacionar memória e desenvolvimento destacando recursos que favorecem a aprendizagem;
·                     Assessoramento técnico frente a instituições voltadas ao trabalho de Educação Especial Inclusiva, Atendimento Clínico ou, em mais recente proposta, no apoio ao trabalho com a Saúde Mental.
            De acordo com o Centro-Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão – CENSUPEG, considerada uma das instituições pioneiras no Brasil em ofertar o Curso de Pós-Graduação com Especialização em Neuropsicopedagogia, os profissionais desta área são qualificados para:
• Compreender o papel do cérebro do ser humano em relação aos processos neurocognitivos na aplicação de estratégias pedagógicas nos diferentes espaços da escola, cuja eficiência científica é comprovada pela literatura, que potencializarão o processo de aprendizagem.
• Intervir no desenvolvimento da linguagem, neuropsicomotor, psíquico e cognitivo do indivíduo.
• Adquirir clareza política e pedagógica sobre as questões educacionais e capacidade de interferir no estabelecimento de novas alternativas neuropsicopedagógicas e encaminhamentos no processo educativo.
• Compreender e analisar o aspecto da inclusão de forma sistêmica, abrangendo educandos com dificuldades de aprendizagem e sujeitos em risco social.
         Entretanto, ainda se faz necessária a regulamentação da Neuropsicopedagogia, seguindo assim o exemplo do Conselho Regional de Psicologia, o qual regulamentou o Especialista em Neuropsicologia, porém no site da Associação Brasileira de Psicopedagogia há informações de quais os procedimentos legais para abrir um consultório voltado a prática psicopedagógica.


Fontes de Consulta:


ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA. Estatuto da associação Brasileira de Psicopedagogia- ABPp. São Paulo, [2012] Disponível online em: http://www.abpprs.com.br/cms/files/estatuto.pdf  Acesso em 18/04/2012

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA. Faq- Mercado de Trabalho e Atuação do Psicopedagogo. São Paulo, [2012] Disponível online em: http://www.abpp.com.br/faq_aspectos.htm Acesso em 18/04/2012

BEAR, F. Mark. CONNORS, Barry. Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso. 3.ed. Porto Alegre, ARTMED, 2008.

BRASIL. Pós-Graduação. Disponível online em: http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=349&id=387&option=com_content&view=article Acesso em 19/04/2012

CAMARA DOS DEPUTADOS. Projeto de Lei 3.124/97. Disponível em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=19139
Acesso em 22/04/2012

CAMARA DOS DEPUTADOS. Projeto de Lei 3.512/08. Disponível em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=398499
Acesso em 22/04/2012

CENTRO SUL-BRASILEIRO DE PESQUISA, EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO - CENSUPEG. Neuropsicopedagogia Clínica. Disponível online em: http://www.censupeg.com.br/censupeg_site/index.php/onde-atuamos/sc/89-neuropsicopedagogia-clinica Acesso em 10/05/2012

CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA. Atuação do Psicólogo especialista em Neuropsicologia. Disponível online em http://www.crppr.org.br/download/277.pdf Acesso em 25/04/2012

KRUG, Clarice L. Neuropsicopedagogia e Contextos de Atuação. Novo Hamburgo: CENSUPEG, 2011. Aula expositiva do Curso de Neuropsicopedagogia Clínica e Educação Inclusiva.

RACY, Andrea. VIEIRA, Patrícia. Entrevista com: Dr Marcos Tomanik Mercadante. Associação Brasileira de Psicopedagogia. Disponível online em: http://www.abpp.com.br/entrevistas/06.htm Acesso em 12/05/201

Resolução Nº 02  de 03/2004. Disponível em http://www.jusbrasil.com.br/diarios/286687/dou-secao-3-05-03-2004-pg-120 Acesso em 25/04/2012

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A ATUAÇÃO DO NEUROPISCOPEDAGOGOGO
NEUROPSICOPEDAGOGIA

A Neuropsicopedagogia é uma área de conhecimento e pesquisa na atuação interdisciplinar, voltada para os processos de ensino-aprendizagem, que integra avaliação e a intervenção em situações que envolvam esses processos no plano individual ou coletivo. Ela ainda é considerada uma práxis (prática fundamentada em referenciais teóricos) e não uma ciência. Entende-se como: “Área de estudo das neurociências na qual objetiva a análise dos processos cognitivos, potencialidades pessoais e perfil sócio – econômico, a fim de construir indicadores formais para a intervenção clínica frente aos educandos padrões com baixo desempenho e que apresentam disfunções neurais devido a lesão neurológica de origem genética, congênita ou adquirida.” (ROTTA Apud COSENZA:2010)

ATUAÇÃO DO NEUROPSICOPEDAGOGO

Além das atribuições do psicopedagogo de estudar as características da aprendizagem humana, processos de “ensinagem” e a origem das alterações na aprendizagem promovendo a identificação, diagnóstico, reabilitação e prevenção frente às dificuldades e distúrbios das aprendizagens, o neuropsicopedagogo, mediante seus saberes e conhecimentos em neurociências, poderá elaborar pareceres de encaminhamento para neurologistas, pediatras e psiquiatras, auxiliando-os na identificação diagnóstica, mediante o quadro de sintomas e queixa principal.

 Na Unidade Escolar, irá atuar com os pais mediante a explanação clínica do distúrbio e as condutas a serem desenvolvidas, com intuito de realizar um processo sistêmico de tratamento e intervenção, colocando a família como principal agente prognóstico do sucesso da intervenção. Sempre num trabalho interdisciplinar com o Orientador Educacional. Caso a escola possua esse profissional.

BASES PARA O SURGIMENTO DA NEUROPSICOPEDAGOGIA:
• Lei 3124/97 – Senado Federal.
• Certificado de especialista com registro no MEC – CNE;
• Estar devidamente registrado na ABPp;

Fontes consultadas:
KRUG, Clarice Luiz. Neuropsicopedagogia e Contextos de Atuação. Novo Hamburgo: CENSUPEG, 2011. Aula expositiva do Curso de Neuropsicopedagogia Clínica e Educação Inclusiva.

Neuropsicopedagogia, Psicopedagogia e Educação Inclusiva

     Encontrar artigos com enfoque da Neuropsicopedagogia ainda é um desafio muito grande na literatura brasileira, portanto tudo que se designa a essa terminologia se torna um documento importante para estudantes dessa área. Necessita-se que demais pesquisadores se aventurem nesta escrita, é preciso abrir caminhos, sair do que inicialmente nos foi proposto como referencial teórico, se faz necessários novos horizontes, novas formas de interagir, mostrar o que os neuropsicopedagogos estão fazendo e como o estão fazendo.
   Dentro dessa linha de pensamento, transcrevo a entrevista de Elaine Andrade Gomes, feita ao jornal  O Alto Taquari, em 10/08/2012.
 

Neuropsicopedagogia, Psicopedagogia e Educação Inclusiva

     De acordo com Elaine Andrade Gomes, pedagoga com especialização em Neuropsicopedagogia com ênfase na educação inclusiva, a Neuropsicopedagogia tem sua análise inserida no contexto em que se desenvolve o processo de aprendizagem, a leitura dos problemas que emergem da e na interação social voltada para o sujeito que aprende, buscando compreender os fatores que intervêm nos problemas, discriminando o particular e o geral, o específico e o universal, na busca de alternativas de ação para uma mudança significativa nas posturas frente ao ensinar e ao aprender, pautada em uma essência específica e diferenciada da Psicopedagogia.




     A Psicopedagogia, portanto, é a área de estudo da Neuropsicologia que avalia, diagnostica, estuda e intervenciona frente à aprendizagem humana e suas intercorrências considerando a compreensão do sujeito enquanto aprendiz, dotado de complexidades, peculiaridades e inseguranças, sendo obrigado a tomar decisões avaliativas além ou aquém de sua realidade cognitiva.

     A nova política nacional para a Educação Especial determina que todas as crianças e jovens com necessidades especiais devem estudar na escola regular. Por isso, a importância de valorizar a Formação Continuada, reuniões periódicas com troca de experiência entre os professores, e a necessidade de mudanças em toda sociedade reforçando a importância do respeito e da valorização das diferenças.

   Nesta perspectiva, Elaine afirma que a formação de professores precisa remodelar-se para atingir os objetivos de um ensino especializado em todos os alunos: “A qualificação profissional deve ser feita através da adaptação de currículos dos cursos de licenciatura, que atualmente estão estruturados para atender apenas a parcela da população considerada ‘normal’, excluindo os alunos que necessitam de uma atenção diferenciada.”

    Segundo a educadora, os professores só poderão adotar este comportamento se forem convenientemente equipados com recursos pedagógicos, se a sua formação for melhorada, se lhes forem dados meios de avaliar seus alunos e elaborar objetivos específicos, se estiverem instrumentados para analisar a eficiência dos programas pedagógicos, preparados para a superação dos medos e superstições e contarem com uma orientação eficiente nesta mudança de postura para buscar novas aquisições e competências.

        De acordo com a pedagoga, as universidades estão proporcionando cursos de aperfeiçoamento e pós–graduação nesta área, com destaque para a Neuropsicopedagogia, que vem formando profissionais para ajudar na inclusão e no ensino aprendizado das crianças com deficiências. Porém, Elaine alerta que estes profissionais não podem diagnosticar distúrbios, somente quem pode fazê-lo são os médicos, que são habilitados para tal.

Síndrome ou deficiência

   Deficiência é um desenvolvimento insuficiente, em termos globais ou específicos, ou um déficit intelectual, físico, visual, auditivo ou múltiplo (quando atinge duas ou mais dessas áreas).

     Síndrome é o nome que se dá a uma série de sinais e sintomas que juntos evidenciam uma condição particular. Na opinião de Elaine, o professor que leciona para alguém com diagnóstico que se encaixa nesse quadro precisa saber que é possível ensiná-lo: “O educador não precisa saber tudo sobre todas as síndromes e deficiências. Vai se atualizar e aprender conforme o caso. A inclusão na sala de aula está sendo aprendida no dia a dia, com experiências de cada professor. Não existe formação dissociada da prática, estamos aprendendo ao fazer”.

   A deficiência existe e é preciso levá-la em consideração. Neste sentido, torna-se de grande importância não subestimar as possibilidades, nem as dificuldades. As pessoas vivem suas vidas em um constante processo de aprendizagem, e o papel da escola é ensinar para a vida, o processo ensino-aprendizagem permite tanto ao educador quanto ao educando trocar experiências, ocasionando assim um constante aprendizado, considerando a escola o melhor ambiente para as pessoas projetarem seu futuro.

Não existe inclusão sem colaboração


   Elaine entende a colaboração como trabalho em conjunto uma tarefa coletiva que não se constrói por lei ou por decreto, mas pela ação colaborativa do governo, de profissionais da saúde e da educação em conjunto com as próprias pessoas com necessidades especiais.

   Dentro da escola, torna-se necessário o envolvimento de todos os membros da equipe escolar no planejamento de ações e programas voltados à temática. Docentes, diretores e funcionários apresentam papéis específicos, mas precisam agir coletivamente para que a inclusão escolar seja efetivada nas escolas. Com base nessas informações, pode-se perceber que são necessárias mudanças profundas no sistema educacional vigente a fim de garantir o cumprimento dos objetivos da inclusão.


    De acordo com Elaine, na escola inclusiva o ideal é o professor não fingir que as diferenças não existem, mas trabalhar o respeito, a cooperação e a solidariedade na sala de aula. Quando o aluno é aceito e respeitado independente de suas limitações, ele passa a ter mais tranquilidade e segurança para pedir ajuda e cometer erros, onde ocorre o aprendizado.

Está gostando então continue lendo.

 
A ESPECIALIZAÇÃO EM NEUROPSCIOPEDAGOGIA
Como já havia mencionado em outra postagem, tudo que se relacione a Neuropsicopedagogia, venho trazendo para cá para que conste como referencial de pesquisa para acadêmicos desta área. Portanto, na revista InformAção, de setembro de 2012, editada pela IERGS (Instituto Educacional do Rio Grande do Sul), página 2,  consta uma nota de Destaque sobre a Neuropsicopedagogia, a qual transcrevo abaixo:

     Em meio aos debates sobre a educação inclusiva, um profissional vem sendo cada vez mais procurado por instituições que objetivam oferecer educação de qualidade para crianças e adolescentes com alguma deficiência cognitiva: o neuropsicopedagogo. Aliado a psicopedagogia à neurociência, este especialista possui conhecimento amplo das bases neurológicas do aprendizado e do comportamento, facilitando assim seu estímulo nos diversos contextos e, consequentemente, o sucesso no processo educacional.
    A especialização em neuropsicopedagogia é destinada a profissionais que desejam ampliar as dificuldades de aprendizagem, buscando assim o entendimento da complexidade do ato de aprender. Segundo Fernanda Garcia Perez, especialista em neuropsicologia, a neurociência permite investigar as funções do cérebro: linguagem, atenção, memória de curto prazo, memória de longo prazo, condutas motoras, funções executivas, cognição, além dos aspectos emocionais. “Ela fornece dados objetivos e formula hipóteses sobre o funcionamento cognitivo, atuando como auxiliar na tomada de decisões, fornecendo dados que contribuam para as escolhas de tratamento”, afirma ela.
     O neuropsicopedagogo é o profissional mais capacitado para intervir e reabilitar as funções neurofuncionais alteradas, para que assim seja alcançado o sucesso no processo educacional, conforme Fernanda. Com seu conhecimento em relação às dimensões neurológicas, psicológicas e cognitivas do sujeito, bem como os aspectos afetivos e culturais em que está inserido, esse especialista é capaz de desenvolver um trabalho de acompanhamento mais eficaz, proporcionando assim um processo de aprendizagem eficiente.

     Compreender o cérebro da criança ou do adolescente e e seus processos cognitivos colabora na intervenção, quando necessária, no desenvolvimento linguístico, psicomotor, psíquico e cognitivo destes, estabelecendo, dessa maneira, alternativas no processo educativo para que se tornem possíveis a inclusão e o aprendizagem das crianças com deficiência. Contudo, é importante ressaltar que essa inclusão só acontece quando há um trabalho conjunto de toda uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais que atuam coletivamente para que esses processo aconteça de forma tranquila e segura, respeitando, desse modo, as limitações de cada indivíduo.


Neuropsicopedagogia: novas perspectivas para a aprendizagem

Ana Lúcia Hennemann / Outubro_2012


RESUMO: Este artigo apresenta como proposta refletir sobre a Neuropsicopedagogia e suas perspectivas para o ensino aprendizagem. Será feito um breve relato do histórico da Neurociência, sua relação com a Neuropsicopedagogia e o trabalho do neuropsicopedagogo. O embasamento teórico se dará através de livros e artigos científicos visando à boa qualidade bibliográfica, bem como uma pesquisa de campo, qualitativa, investigando do conhecimento ou não da Neuropsicopedagogia no contexto educativo. As considerações finais irão contemplar um comparativo entre os referenciais teóricos e a pesquisa de campo.


PALAVRAS-CHAVE: Aprendizagem. Educação. Neurociências. Neuropsicopedagogia.


INTRODUÇÃO


 Novo século, novas mudanças, novos desafios, não se pode olhar mais a educação com uma perspectiva de educação inclusiva, pois ela já está inserida neste contexto. Nossos olhares devem se voltar em como atender melhor a todos os indivíduos dentro do ambiente escolar, através de práticas de ensino que melhor se adequam a cada um. Ter a clareza que os conteúdos são comuns a todos, mas a metodologia de trabalho deve estar pautada em práticas que contemplem o indivíduo como seres únicos, capazes de aprender independente de suas limitações.
A educação, mesmo que num primeiro olhar não pareça, sempre está ligada a mudanças, a reorganizações, a reaprendizagens, a novos olhares. Na mesma proporção que o mundo vem se transformando, a educação também se encontra em constantes buscas. Os cursos voltados à área educacional têm significativos avanços; profissionais da área buscam, na medida do possível, constantes atualizações. A educação continuada destes indivíduos cada vez mais tem se intensificando, pois não basta apenas ter o conhecimento, se faz necessário profissionais que saibam interagir com o mesmo.
Um dos grandes referenciais da mudança educacional da última década, não traz nenhum nome de teórico específico, mas sim, está pautado nos avanços neurocientíficos, representados pela palavra “Neurociências”, que conforme Herculano-Houzel (2004), ainda é uma ciência nova, tendo em torno de 150 anos, mas que a partir da década de 90 alcançou um maior auge e vem proporcionando mudanças significativas na forma de perceber o funcionamento cerebral. Estes avanços ocorreram devido a neuroimagem, ou seja, o imageamento do cérebro. As contribuições provindas das Neurociências despertaram interesse de vários seguimentos e entre estes a Educação, no sentido da maior compreensão de como se processa a aprendizagem em cada indivíduo.
Para maior entendimento deste processo, se faz necessário que os profissionais envolvidos tenham bem claro que as ações comportamentais de seus educandos provêm de atividades cerebrais dinâmicas e que os conhecimentos das neurociências contribuem para que sejam elaboradas atividades que desenvolvam tais funções. Dentro dessa abordagem, se procurará mostrar o que é Neurociências, suas possíveis contribuições para a área educacional, bem como a contextualização da Neuropsicopedagogia e sua relação com o processo ensino-aprendizagem.


1. Neurociências


Imagem: BEAR, 2008
Entender o funcionamento cerebral faz parte de um processo que vem de longas datas. Há cerca de 7.000 anos já havia indícios de trepanações, processo pelo qual as pessoas faziam orifícios no crânio de outras. Bear (2008) menciona que estes crânios não apresentavam sinais de cura, então esse procedimento era realizado em sujeitos vivos e não era considerado um ritual de morte, pois em alguns casos os indivíduos sobreviviam. Não havia registro do motivo destas cirurgias, mas existem especulações que tal procedimento poderia ter sido utilizado para tratar dores de cabeça ou transtornos mentais.
Durante séculos muitos estudos foram realizados para entender o funcionamento do cérebro, entretanto nomes tais como dos frenologistas[1] Franz Joseph Gall e J. G Spurzheim (entre 1810 e 1819) e o neurologista John Hughlings  Jackson, fizeram significativos avanços proporcionando que Paul Broca e Carl Wernicke chegassem as localizações da área de Broca e de Wernicke. Cabe ressaltar que as descobertas de Broca ocorreram em 1861 e as de Wernicke em 1876, e ambos tiveram seus estudos pautados em pacientes lecionados e vivos, onde Gazzaniga (2006, p.23) enfatiza a importância destas descobertas, pois na atualidade isso já não é mais novidade para profissionais voltados às áreas neurocientíficas, mas
... há pouco mais de 100 anos, as descobertas de Broca e Wernicke fizeram “tremer a Terra”. Filósofos, médicos e os primeiros psicólogos assumiram um ponto de partida fundamental: doenças focais causam déficits específicos. Naquela época, os investigadores eram limitados em sua habilidade para identificar as lesões dos pacientes. Os médicos podiam observar o local do dano – por exemplo, uma lesão penetrante provocada por uma bala -, mas eles tinham que esperar o paciente morrer para determinar o local da lesão. A morte podia levar meses ou anos, e, em alguns casos, geralmente não era possível realizar a observação: o médico perdia contato com o paciente após sua recuperação, e, quando este finalmente morria, o médico não era informado e assim não podia examinar o encéfalo e correlacionar a lesão cerebral com os déficits de comportamento da pessoa.

Porém, o entendimento maior se deu através dos estudos de Luria. Alexander Romanovich Luria (1901–1978), durante a Segunda Guerra Mundial, desenvolveu estudos com indivíduos portadores de lesão cerebral, no qual catalogou cada paciente, mapeou as respectivas lesões cerebrais e anotou as alterações no comportamento, tendo como objetivo específico o estudo das bases neurológicas do comportamento. Estes estudos, de certa forma simbolizaram um elo entre a psicologia e a neurociência, denominada neuropsicologia.
Através disso Luria constatou que o cérebro humano é composto por três unidades funcionais básicas, sendo estas, necessárias para qualquer tipo de atividade mental.


 A primeira unidade funcional é responsável para regular o tônus cortical, a vigília e os estados mentais e é composta pela formação reticular e pelo tronco encefálico.
 A segunda unidade funcional, que é responsável por receber, processar e armazenar as informações, que se compõe das partes posteriores do cérebro (lobo parietal, occipital e temporal).
  A terceira é a unidade para programar, regular e verificar a atividade mental, constituindo-se pelas partes anteriores do cérebro (lobo frontal).
Dessa forma, evidenciando as importantes contribuições de Luria no processo ensino aprendizagem Tabaquim (2003, p. 91) destaca que:
O cérebro é o órgão privilegiado da aprendizagem. Conhecer sua estrutura e funcionamento é fundamental na compreensão das relações dinâmicas e complexas da aprendizagem. Na busca pela compreensão dos processor de aprendizagem e seus distúrbios, é necessário considerar os aspectos neuropsicológicos, pois as manifestações são, em sua maioria, reflexo de funções alteradas. As disfunções podem ocorrer em áreas de input (recepção do estímulo), integração (processamento da informação) e output (expressão da resposta). O cérebro é o sistema integrador, coordenador e regulador entre o meio ambiente e o organismo, entre o comportamento e a aprendizagem.

Assim como cada ser humano tem impressões digitais diferentes, também possui sinapses cerebrais diferentes, pois cada um tem suas vivências, o seu aprender do mundo e com o mundo. E nesse sentido Ventura (2010, p.123), ao retratar sobre a neurociência e comportamento no Brasil, enfatiza que a mesma possui uma importante interface com a Psicologia e a define do seguinte modo:
A neurociência compreende o estudo do sistema nervoso e suas ligações com toda a fisiologia do organismo, incluindo a relação entre cérebro e comportamento. O controle neural das funções vegetativas – digestão, circulação, respiração, homeostase, temperatura-, das funções sensoriais e motoras, da locomoção, reprodução, alimentação e ingestão de água, os mecanismos da atenção e memória, aprendizagem, emoção, linguagem e comunicação, são temas de estudo da neurociência.

Faz-se necessário destacar que a neurociência pode ajudar muito a todos indivíduos, mas especialmente aqueles com transtornos, síndromes e dificuldades de aprendizagem uma vez que se tem o entendimento da plasticidade cerebral, da busca de novos caminhos para o aprender, das múltiplas inteligências propostas por Gardner.


2. Neuropsicopedagogia


Entender a conexão cérebro x aprendizagem, proposta a partir do conhecimento da Neurociência, apresenta-se como um dos assuntos mais procurados e um dos grandes desafios educativos. Entretanto, considerando que a neurociência é uma ciência nova, pode-se dizer que: a interface cérebro x aprendizagem necessita de muito investimento científico, mas são profissionais das mais diversas áreas que tem voltado seus estudos para este enfoque. Conforme estudos de Tokuhama-Espinosa (2008, apud Zaro, 2010, p. 205), demonstraram que:
...enquanto milhares de estudos foram devotados para explicar vários aspectos da neurociência (como animais incluindo humanos, aprendem), apenas uns poucos estudos neurocientíficos tentaram explicar como os humanos deveriam ser ensinados, para maximizar o aprendizado. (...) das centenas de dissertações devotadas ao ‘ensino baseado no cérebro’, ou ‘métodos neurocientíficos de aprendizado’, nos últimos cinco anos, a maioria documentou a aplicação destas técnicas, ao invés de justificá-las.”

Uma das áreas que vem abrindo espaço dentro âmbito de conhecimento é a Neuropsicopedagogia. Sua primeira descrição no campo científico se deu através de Jennifer Delgado Suárez, no artigo intitulado “Desmistificacion de la neuropsicopedagogía” onde apresentou uma composição histórica da trajetória neuropsicopedagógica e ressaltou sua importância para o contexto educativo.
FERNANDEZ (2010) aponta para três pontos elucidativos da Neuropsicopedagogia, abordada por Suárez: 1º Educação; 2º Psicologia e 3º Neuropsicologia. Educação no intuito de promover a instrução, o treinamento e a educação dos cidadãos. A Psicologia com os aspectos psicológicos do indivíduo. E, finalmente, a Neuropsicologia com a teoria do cérebro trino, sendo que aqui oportunizou a teoria das múltiplas inteligências, propostas por Gardner.
Conforme as autoras colombianas, a Neuropsicopedagogia traz importantes contribuições à educação, pois existe a possibilidade de se perceber o indivíduo em sua totalidade. Mas, afinal do que se trata a Neuropsicopedagogia? Para Hennemann (2012, p.11) a mesma apresenta-se:
... como um novo campo de conhecimento que através dos conhecimentos neurocientíficos, agregados aos conhecimentos da pedagogia e psicologia vem contribuir para os processos de ensino-aprendizagem de indivíduos que apresentem dificuldades de aprendizagem. 

Através dos conhecimentos neuropsicopedagógicos existe a possiblidade de entender como se processa o desenvolvimento de aprendizagem de cada indivíduo, proporcionando-lhe melhoras nas perspectivas educacionais e dessa forma desmistificar a ideia de que a aprendizagem não ocorre para alguns; na verdade sempre acontecerá a aprendizagem, entretanto para uns ela vem acompanhada de muita estimulação, atividades diferenciadas, respeitando o ritmo de desenvolvimento do indivíduo.
Dentro desta linha de pensamento as contribuições de Tokuhama-Espinosa (2008, apud Zaro, 2010, p. 204), podem ser consideradas de significativa importância e utilizadas como elementos importantes nas intervenções neuropsicopedagógicas, que são elas:
a)         Estudantes aprendem melhor quando são altamente motivados do que quando não têm motivação; b) stress impacta aprendizado; c) ansiedade bloqueia oportunidades de aprendizado; d) estados depressivos podem impedir aprendizado; e) o tom de voz de outras pessoas é rapidamente julgado no cérebro como ameaçador ou não-ameaçador; f) as faces das pessoas são julgadas quase que instantaneamente (i.e. intenções boas ou más); g) feedback é importante para o aprendizado; h) emoções têm papel-chave no aprendizado; i) movimento pode potencializar as oportunidades de aprendizado; k) nutrição impacta o aprendizado; l) sono impacta consolidação de memória; m) estilos de aprendizado (preferencias cognitivas) são devidas à estrutura única do cérebro de cada indivíduo; n) diferenciação nas práticas de sala de aula são justificadas pelas diferentes inteligências dos alunos.

Segundo as considerações acima é possível afirmar que o ato de aprender é um ato complexo, não envolve somente a questão de memorizar os conteúdos, é muito mais do que isso; aprender envolve emoção, interação, alimentação, descanso, motivação entre outros.
O espaço educativo deve estar aberto para novos profissionais que venham a somatizar a equipe multidisciplinar que atendem o educando, por isso neuropsicopedagogos além de ter uma visão de como ocorre a aprendizagem do educando, também possuem vistas para a metodologia de ensino do professor, pautados nos estudos descritos acima, possuem competência para orientar de que forma a aprendizagem pode se tornar mais significativa tanto na metodologia do professor quanto no processo de aprendizagem do aluno.
Também, cabe aqui ressaltar, o enunciado feito por Hennemann (2012, p.11) descrevendo as práticas neuropsicopedagógicas, atribuídas a estes profissionais...
O grande avanço da Neuropsicopedagogia no Brasil se deu através do Centro Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão - CENSUPEG. Dentro deste contexto educacional os profissionais da Neuropsicologia Clínica são capacitados para:
• Compreender o papel do cérebro do ser humano em relação aos processos neurocognitivos na aplicação de estratégias pedagógicas nos diferentes espaços da escola, cuja eficiência científica é comprovada pela literatura, que potencializarão o processo de aprendizagem.
• Intervir no desenvolvimento da linguagem, neuropsicomotor, psíquico e cognitivo do indivíduo.
• Adquirir clareza política e pedagógica sobre as questões educacionais e capacidade de interferir no estabelecimento de novas alternativas neuropsicopedagógicas e encaminhamentos no processo educativo.
• Compreender e analisar o aspecto da inclusão de forma sistêmica, abrangendo educandos com dificuldades de aprendizagem e sujeitos em risco social.

O neuropsicopedagogo, profissional que está em constantes buscas de conhecimentos a cerca dos transtornos, síndromes, patologias e distúrbios a qual o indivíduo possa estar relacionado, terá ter condições de identificar nos indivíduos tais sintomalogias, procurar identificar quais competências e habilidades que tais indivíduos possuem, e propor uma intervenção neuropsicopedagógica, que com certeza se fará acompanhada junto aos familiares, professores e equipe pedagógica e demais profissionais que se fazem presentes na vida destes indivíduos.


3. Pesquisa neuropsicopedagógica


Como abordado anteriormente tanto a Neurociência quanto a Neuropsicopedagogia ainda são terminologias em que o campo educacional está presente, mas se faz necessário maior divulgação e compreensão destas áreas. Em pesquisa feita, através de dispositivos da web, objetivando abordar profissionais que tivessem algum conhecimento a cerca da Neurociência, envolvendo nove questões, cinco objetivas e quatro subjetivas, procurou-se investigar qual o entendimento que os profissionais estão tendo a cerca do assunto. Quinze profissionais responderam ao questionário, porém, através da análise das respostas, pode-se perceber a seriedade e o comprometimento dos mesmos neste processo educativo.
Uma das perguntas iniciais foi a idade dos participantes, sendo que o maior índice (figura 1) estava na faixa etária dos 41 aos 50 anos.
  



A segunda questão perguntando sobre sexo do entrevistado, os profissionais femininos mostraram-se mais participativos, o que pode ser observado no gráfico (figura 2):





A profissão que maior teve destaque na terceira questão foi professor, porém os psicopedagogos também tiveram um número bastante significativo (figura 3).




  
 Na questão envolvendo o grau de instrução dos entrevistados o que mais apareceu foram profissionais pós-graduados (figura 4).





 Na quinta e última pergunta objetiva, todos demonstraram ter conhecimento sobre Neurociências (figura 5).
           



 Numa breve análise desta primeira etapa pode se constatar que no universo educativo, ainda existe a predominância feminina; contudo, também se pode afirmar que através dos dados obtidos, os profissionais tem buscado sua qualificação continuada, pois comparando o gráfico da idade com o gráfico do grau de instrução, pode se perceber que: os profissionais não têm restringindo seus estudos somente na graduação, mas sim, buscando novas etapas de estudos.
As próximas questões, pautadas na subjetividade, se fez necessário extrair as respostas que tiveram maiores semelhanças. Portanto, quando questionados sobre a maior contribuição que as Neurociências trouxeram para a Educação, o que mais predominou foi a questão da aprendizagem, da plasticidade, o entendimento dos mecanismos neurais que levam o indivíduo à aprendizagem. Sendo assim, será feito o relato de algumas respostas que venham a comprovar esta predominância...
“As neurociências podem contribuir muito para a compreensão dos processos de aprendizagem e não aprendizagem dos educandos, auxiliando o professor nas intervenções e metodologias de trabalho mais efetivas. Agem que possibilitem atender às diferenças para educar na diversidade”.
"Revelar a importância do conhecimento das bases neurobiológicas da aprendizagem, objetivando a construção de práticas pedagógicas mais consistentes e assertivas, pautadas em evidências científicas, visando à promoção da aprendizagem.”
“Apesar, de se tratar de conhecimentos científicos recentes, a neurociências contribui para o entendimento dos profissionais de educação, que todos os indivíduos são capazes de se desenvolverem e que há estratégias específicas possibilitando a plasticidade cerebral e assim alcançando resultados positivos nos processos de aprendizagem, que também nos apresenta novas visões em seu entendimento. Além do mais, a neurociência também contribui nas questões referentes às políticas de inclusão, favorecendo a socialização dos portadores de atenção diferenciada. Possibilitando profissionais mais capacitados e atualizados nas instituições de ensino. Objetivando a aprendizagem de todos, visando mais oportunidades de igualdade nos bancos escolares.”
Perguntados sobre sua opinião em qual o diferencial de um professor que tem o conhecimento de Neurociências, as repostas mostraram-se novamente correlacionadas enfocando o aspecto do modo de aprendizagem do aluno. Que o professor com esse conhecimento é capaz de...
“O professor com conhecimento de neurociências é mais consciente em relação às limitações e potencialidades dos alunos e sabe como aproveitá-las de modo positivo.”
“Ser capaz de correlacionar os objetivos de formação educacional com os mecanismos neurobiológicos envolvidos na aquisição de conhecimento, de forma a facilitar e persistência da informação transmitida.”
“O professor que começa a ter conhecimento da neurociência faz um diferencial, pois começa a perceber que é preciso “ensinar o indivíduo a aprender a aprender, a aprender a pensar, a aprender a estudar, a aprender a se comunicar, e não apenas reproduzir e memorizar informações, mas, sim, desenvolver competências de resolução de problemas”. Com as informações adquiridas sobre o funcionamento do cérebro a aprendizagem será mais eficaz."
Quando questionados sobre a Neuropsicopedagogia, os quinze entrevistados relataram ter conhecimentos sobre a mesma, sendo que se fará menção as seguintes contribuições:
“Já ouvi falar, mas não com uma definição formal. Pela formação da palavra concluo que seja uma abordagem neurológica aplicada à aprendizagem, e como essa é um processo que tem a participação de processos psicológicos e da pedagogia envolvida no ensino-estimulação, daí explica-se o porquê do psicopedagógico. Já vi que essa abordagem associa os conhecimentos de neurologia com os estudos de psicologia do desenvolvimento (Piaget, Vygotsky, Wallon).”
“É um estudo mais avançado sobre pedagogia, psicopedagogia e neuro, na realidade é junção dos três. Já que a pedagogia trabalha como ensinar, a psico estuda os déficits e a neuro tudo sobre cérebro e quais soluções cabíveis a situação.”
Na última questão abordando sobre a importância de um neuropsicopedagogo no contexto educativo, pode-se afirmar a grande maioria elencou aspectos favoráveis à figura deste profissional, uma vez que esse tem o entendimento das questões pedagógicas e paralelo a isso, tem o entendimento das questões neuropsicológicas, sendo que novamente se faz destaque a algumas colocações...
"Com base em tudo que foi falado, fica clara a importância deste profissional no contexto educativo, pois o neuropsicopedagogo é um profissional que oferece um grande potencial para nortear a pesquisa educacional e futura aplicação em sala de aula se constituindo hoje, como um grande aliado do professor, diante deste cenário tão diverso com a qual iremos nos deparar.”
“O ideal seria tornar cada professor um neuroeducador, mas se tiver em cada escola um neuropsicopedagogo já seria muito bom. O ensino com essas novas descobertas provavelmente terão novas diretrizes. Muitas pesquisas estão em andamento sobre a neuropsicologia. Temos que ter cautela ainda sobre tudo que aparece sobre essas questões. Até chegar as pesquisas sobre a neuropsicopedagogia (descobertas ligadas as aprendizagens do cérebro no aprender) é preciso muita cautela.”
Todas as respostas do questionário poderão ser visualizadas no link descrito nas referências, sendo que aqui se procurou dar um feedback daquelas que representassem as demais e compartilhassem da mesma estrutura escritural. Também como foi mencionado incialmente, através das respostas obtidas se pode comprovar o envolvimento e a preocupação dos participantes com a qualidade educativa. O que vem a ser uma das propostas da Neuropsicopedagogia, a de proporcionar benefícios para o processo ensino-aprendizagem.


Considerações Finais


O contexto educativo deve estar pautado em formas diferentes de aprendizagem, pois já é comprovado que um único método de ensino não contempla a todos, pesquisas da área de neurociência mostram as diversas áreas ativadas nos indivíduos nos processos de aprendizagem, porém as grandes pesquisas giram em torno da área da linguagem, principalmente nos casos de dislexia, porém Rotta (2006, p.18) enfatiza que:
O avanço das neurociências, em especial da neurologia, é de suma importância para o entendimento das funções corticais superiores envolvidos no processo da aprendizagem. Sabe-se que o indivíduo aprende por meio de modificações funcionais do SNC, principalmente nas áreas da linguagem, das gnosias, das praxias, da atenção e da memória. Para que o processo de aprendizagem se estabeleça corretamente, é necessário que as interligações entre as diversas áreas corticais e delas com outros níveis do SNC sejam efetivas.

Normalmente observamos que todos comentam apenas as deficiências e as dificuldades da criança, fazendo comparações com as crianças consideradas normais. Para o trabalho neuropsicopedagógico precisamos elencar os aspectos positivos de seu comportamento e habilidades, já que todo trabalho se baseia no desenvolvimento dessas habilidades.
A neurociência, conforme dito anteriormente, ainda é uma área muito nova, principalmente no contexto educativo. Muitos são os cursos voltados a ela, mas percebe-se que no cenário educativo, as práticas neurocientíficas ainda se mostram desconhecidas e vistas com indagações por aqueles que as desconhecem. O conforto das práticas “conteúdistas” se contrapõe aos princípios da neurociência, uma vez que dentro dessa abordagem o mais importante seria a aprendizagem do educando e não ao acúmulo de conteúdos.
Por outro lado, a era da informação tem permitido que um maior número de profissionais tivesse acesso a conhecimentos ligados a neurociências, assim como tem surgido maior oferta de cursos de atualização, seja em nível de extensão ou pós-graduação que facilitam o acesso à informação. Frente a isso, ainda são poucas as pesquisas publicadas sobre o assunto neurociência x educação e quando se une a questão neurociência à questão Neuropsicopedagogia, mais restrito ainda se torna o assunto. A essência existe, mas falta a coragem dos neuropsicopedagogos de mostrarem seus trabalhos, expor suas práticas.
Também se faz interessante perceber que no contexto educativo, não somente com a vinda da inclusão, mas também com todo modo de vida contemporânea, outros aportes vieram consigo: são laudos médicos, medicações diversas, dúvidas na metodologia ensino-aprendizagem. Tudo isso, necessita de profissionais capacitados, que saibam indicar caminhos para que cada um realmente seja visto na sua essência, na sua individualidade.
A Neuropsicopedagogia ainda é um livro com muitas páginas em branco, sua importância já aparece bem nítida nos depoimentos respondidos através do questionário, mas os profissionais desta área precisam mostrar aos demais o que estão fazendo, como o estão fazendo. O livro precisa ocupar lugar no tempo e no espaço das livrarias de nosso país.


REFERÊNCIAS:


BEAR, Mark F..CONNORS, Barry W. Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso. 3 ed.  Porto Alegre: Artmed, 2008.

CENTRO SUL-BRASILEIRO DE PESQUISA, EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO - CENSUPEG. Guia Discente e Orientações para TCC - Artigo Científico. Joinvile,[2011?]

FERNANDEZ, Ana C. G. Aportes de la  Neuropsicopedagogía  a la  pedagogia. La visión de Jennifer Delgado em: Desmistificación de la Neuropsicopedagogía. Colômbia, ASOCOPSIP, 2010. Disponível em http://licenciadospsicologiaypedagogia.blogspot.com/2010/02/aportes-de-la-neuropsicopedagogia-la.html Acesso em 15/07/2012.                                           

HENNEMANN, Ana L. Neuropsicopedagogia Clínica: Relatório de Estágio.  Novo Hamburgo: CENSUPEG, 2012.

___________. Neuropsicopedagogia: novas perspectivas para a aprendizagem. Questionário feito na web. Disponível em https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0Ajdvj5rzWfcSdDRBWTRfTU5Pcy12b25oVDk2WjBmLVE#gid=0  Acesso em 07/09/2012.

HERCULANO-HOUZEL, Suzana. O cérebro nosso de cada dia: descobertas da neurociência sobre a vida cotidiana. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2004.

GAZZANIGA, Michel S.; IVRY, Richard B.; MANGUN, George R. Neurociência Cognitiva. A Biologia da Mente. 2 ed. Trad. Angelica Rosat Consiglio et all. Porto Alegre: Artmed, 2006.

ROTTA, Newra T. OHLWEILER, Lygia. RIESGO, Rudimar dos Santos . Transtorno de Aprendizagem: Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006.

TABAQUIM, Maria L. M. Avaliação Neuropsicológica nos Distúrbios de Aprendizagem. In  Distúrbio de aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. Org. Sylvia Maria Ciasca. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

Tozoni-Reis, Marília Freitas de Campos. Metodologia da Pesquisa. Curitiba: IESDE S. A., 2008.

VENTURA, Dora F. Um Retrato da Área de Neurociência e Comportamento no Brasil. Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, 2012, Vol 26 nº especial. Brasília: Universidade de São Paulo, 2010. Disponível online em http://www.scielo.br/pdf/ptp/v26nspe/a11v26ns.pdf  Acesso em 06/09/2012.

ZARO, Milton A…[et all]. Emergência da Neuroeducação: a hora e a vez da neurociência para agregar valor à pesquisa educacional. Revista Eletrônica Ciências & Cognição, Vol 15, 2010. Disponível online em http://www.cienciasecognicao.org acesso em 15.08.2012.






[1] Frenologia é o estudo da estrutura do crânio de modo a determinar o carácter das pessoas e a sua capacidade mental. Esta pseudociência  baseia-se na falsa assunção de que as faculdades mentais estão localizadas em "órgãos" cerebrais na superfície deste que podem ser detectados por inspeção visual do crânio. O físico vienense Franz-Joseph Gall (1758-1828) afirmou existirem 26 "órgãos" na superfície do cérebro que afetam o contorno do crânio, incluindo um "órgão da morte" presente em assassinos. Gall era advogado do principio "use-o ou deixe-o". Os órgãos do cérebro que eram usados tornavam-se maiores e os não usados encolhiam, fazendo o crânio subir ou descer com o desenvolvimento do órgão. Estes altos e baixos refletiam, de acordo com Gall, áreas especificas do cérebro que determinam as funções emocionais e intelectuais de uma pessoa. Gall chamou a este estudo "cranioscopia." (in:http://skepdic.com/brazil/frenologia.html)

FONTE DE TODOS ESTES TEXTOS
http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2012/06/neuropsicopedagogia-clinica.html

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EXAME NEUROPSICOMOTOR - LEFÈVRE
INSTRUÇOES GERAIS
- Todas as provam devem ser demonstradas pelo examinador.
- O sujeito pode fazer duas tentativas em cada prova.
- Importante verificar se o sujeito entendeu bem a prova (caso contrário, poderá ser explicada
e demonstrada várias vezes pelo examinador).
- O exame deverá ser feito sempre individualmente (não se deve examinar mais de uma
criança de cada vez). Muitas vezes é útil, principalmente para as crianças de três ou quatro
anos, ter-se uma mais dócil e colaboradora para executar as provas ante outra mais tímida
- Os sujeitos deverão ser examinados sem sapatos e sem meias (com roupas que não lhe
dificultem o. movimentos).
- Com crianças menores, o teste constará de um número de provas, que possam ser
executadas em urna única sessão, sem qualquer sacrifício.
- O exame será suspenso sempre que se note sinais de cansaço, sendo transferido para outro
dia, quando será continuado ou terminado.
MATERlAL UTILIZADO
- Envelope para esterognosia (lápis, bola de gude, borracha, pedaço de pano, caixa de fósforo).
- Cartolina de 25 X 25, com furo de 1 cm de diâmetro.
- Livro de folhas moles, mas resistentes.
- Carretel com fio de corda de 1 metro preso por urna fita adesiva.
- Carrinho preso com uma fita de 1 metro.
- Bola de 14 cm de diâmetro.
- Bola de tênis.
- Régua de 30 cm por 2,5 cm de largura.
- Dez cubos de madeira de 4X4cm.
- Caixa de lápis de cor.
- Corda de pular com madeira na ponta.
- Fita métrica.
- Cinco cartões de 10 X 10 cm com traço vertical, cruz, círculo, quadrado e losango.
PROVAS
EQUILÍBRIO ESTÁTICO
Prova no 8: Equilíbrio na posição de pé, com os pés juntos, apoio plantar, braços caídos ao
longo do corpo. Olhs. abertos. Duração: trinta segundos. O sujeito falha quando rompe o
equilíbrio a tal ponto que os pés se afastem e o sujeito se desloca. Também falha quando os
membros superiores entram em abdução, procurando manter ou restabelecer o equilíbrio.
Pequenas oscilações laterais ou antero-posteriores não são levadas em conta, bem como
movimentos moderados dos. membros superiores.

Prova no 9- A mesma técnica e a mesma avaliação da prova 8. Manda-se o sujeito fechar os olhos somente
depois que o equilíbrio com os olhos abertos estiver bem estabelecido. É normal além das leves oscilações, os
movimento oculares, e tremores palpebrais suaves.

Prova no 10 - Semelhante à prova 8. Os pés .10 mantidos juntos, porém o sujeito recebe a
ordem de se manter equilibrado na ponta dos pés. Fracassa quando rompe esta poulçlo de
equilíbrio, apoiando a planta do pé inteira no chio ou saindo da pouiçio inkial.

Prova n0 12 - Destina-se a pesquisar o equilíbrio estático utilizando um outro critério de
sensibilização. Manda-se o sujeito ficar apoiado em um pé só, deixando que ele escolha o pé
que preferir. O pé que não está no solo deve ser apenas elevado, sem fletir o joelho em ângulo,
reto. As coxas e pernas ficam à vontade, juntas ou separadas. Olhos abertos.. Duração da
prova 30 segundos. O sujeito fracassa se rompe o equilíbrio, põe o outro pé no chão, ou abdus
os membros superiores procurando restabelecer o equilíbrio.

Prova n0 16- Equilíbrio em um pé só (deixar escolher a perna preferida), a outra perna fletida
em ângulo reto, coxas paralela. levemente separadas. Olhos abertos. Duração da prova 10
segundos. O sujeito falha não apenas quando é rompido o equilíbrio sobre o pé que está
apoiado, como também quando não é mantido, de maneira bem evidente, o ângulo reto da
outra perna. São tolerados pequenos movimentos com os membros superiores.

Prova n0 20- Posição agachada. Apoio sobre a ponta dos pés. Calcanhares unidos.. Membros
superiores abduzidos mantido. em posição horizontal Olhos aberto,. Duração da prova 10
segundos.. O sujeito falha se a posição de equlíbrlo for rompida, seja caindo no chão, seja
movendo os pés de maneira que os calcanhares se separem. São permitidas oscilações dos
membros superiores, mas não se tolera que procure apoio no chão com as mãos.

Prova no 24- De pé, a ponta de um dos pés encostada no calcanhar do outro. Olhos abertos.
Duração 10 segundos. O sujeito falha se for rompida a posição de equilíbrio, se os pés se
afastarem da posição em que foram colocados, ou se os membros superiores se abduzem
procurando restabelecer o equilíbrio.

Prova no 25- Semelhante à prova 24, com os olhos fechados. Antes do paciente fechar os
olhos, deverá estar na posição correta de olhos abertos.


Prova n0 26 - Equilibrar urna régua no dedo indicador, estendido, da mão escolhida pelo
sujeito. Posição sentada. O braço está abduzido levemente, com o antebraço fazendo um
ângulo obtuso, mão fechada com o indicador estendido, o dedo mínimo para baixo. Admite-se
a ajuda da outra mão até que a régua esteja equilibrada; depois de equilibrada inicia-se a
contagem do tempo, que é de 10 segundo.. O sujeito fracassa se a régua cai ou se é necessário
ajudar com a outra mão para manter o equilíbrio.

Prova no 66 - Descrever círculos com os dedos indicadores estando os membros superiores
abertos horizontalmente para os lados. Olhos abertos. Duração da prova: 10 segundos. O
examinador diz: Senta e ponha seus braços assim. Não deve mexer os braços ou os ombros,
mas apenas os dedo., que devem fazer círculos, assim, ao mesmo tempo com as duas mios. O
sujeito fracassa se movimentar os ombro., braços ou ante-braços, se fio fizer os círculos ao
mesmo tempo ou se os movimentos não forem contínuos por 10 segundos.

Prova no 74- Andando, enrolar a linha do carretel no dedo indicador da mão dominante. O
examinador dl o carretel com o fio enrolado, estando a ponta solta colocada na mio dominante
e diz: “Eu quero que você enrole o fio no seu dedo enquanto segura o carretel na outra mio.
Não pare de andar enquanto estiver enrolando. Fracassa se não consegue enrolar a linha no
dedo ou se o rítmo da marcha é quebrado mais de duas vezes.

Prova n0 80- Bater na mesa com o indicador da mão direita e, ao mesmo tempo, com o pé
direito no chão. A seguir, repetir os movimentos com os membros esquerdos. Posição sentada
.O examinador demonstra e explica que o ritmo pode ser escolhido à vontade. O que é
importante é que bata primeiro o indicador e o pé direito, depois os esquerdos e assim,
sucessivamente. Duração da prova 10 segundos. Fracassa se o ritmo da. batidas não se
mantém ou se a batida do dedo não corresponde à batida do pé do mesmo lado.

Prova n0 60- Copiar um losango (o examinador deve ter preparado o desenho em um cartio de
10 X 10 cm)~ A figura deve ter a forma geral de um losango com os quatro Sngulo. retos
aproximadamente, nEo se exigindo a equllateralídade.
Prova n0 75 - Repetição de rítmos. O examinador pega o lápis com uma das mãos e com a
outra segura uma cartolina que deve encobrir a mão que segura o lápis. Coloca o outro lápis na
frente do sujeito, em cima da mesa, pedindo a ele que o segure. O cotovelo do sujeito deve
estar apoiado na mesa. O examinador fala: Escuta bem como eu bato. Depois você vai fazer
como eu. Escuta bem!” Bate então, a primeira estrutura rítmica ( Vamos, bate lgual! A seguir,
o examinador bate a segunda estrutura rítmica, duas batidas com intervalo maior ( . .. .). Se os
tempos breves e longos são reproduzidos corretamente, pode-se iniciar a prova. Se o sujeito
não entender bem a prova, o examinador deve repetir a demonstração.Os Intervalos para os
tempos breves são de aproximadamente 1/4 de segundo e para os longos é de 1 segundo.
Os ritmos que devem ser reproduzidos são: 1º - ... ; 2º . .. ; 3º .... ; 4º .. .. ; 5º . . . ; 6º .. .
.
Prova n0 90 - Manda-se o sujeito fazer o movimento de marionetes com as duas mãos ao
mesmo tempo, para verificar a diadococinesia , que vai decrescendo de acordo com a idade do
sujeito .

COORDENAÇÃO TRONCO-MEMBROS

Prova n0 83- É a clássica prova de Babinskí de coordenação tronco-membros. Posição de pé.
Força-se o tronco do sujeito para trás. O equilíbrio é mantido à custa de flexão do membro
inferior ao nível do joelho. O sujeito falha se rompe o equilíbrio fio realizando a flexão.

Prova n0 84- O sujeito fica deitado em decúbito dorsal, com os braços cruzados sobre o t6rax
O examinador dá a ordem: Sente-se sem descruzar os braços e sem elevar os pés do leito. Multo bem ! Agora deite-se, também sem descruzar os braços e sem levantar os pés. O sujeito fracassa se descruzar os braços procurando auxilio ou se eleva um ou os dois pés. Deve ser executada as duas provas, sentar-se e deitar-se para que a prova seja considerada satisfatória. Assim como nas demais provas, o sujeito tem direito de fazer duas tentativas.

Prova ri0 109 - Reconhecimento de direito e esquerdo é feito obedecendo a técnica habitual. O
examinador diz: ‘Mostre seu pé esquerdo. Mostre sua mão direita. Mostre seu olho esquerdo.
Mostre sua orelha direita.

ESQUEMA CORPORAL


Se trata de provas não verbais, pedindo a execução de gestos não habituais e sem significado particular, permitindo explorar a aquisição de elementos do esquema corporal e das praxias.
De pé, frente ao sujeito, executar diferentes gestos, primeiro simples e logo, cada vez mais complicados, pondo em jogo os braços, depois as mãos e em seguida os dedos.
As ordens serão realizadas com um só braço ou uma só das mãos e em seguida, com ambos os braços ou as mãos, em posição simétrica.

A) Gestos de Braços:1-Braços colocados em extensão, vertical e horizontal frente ao corpo
2-Flexão à altura do cotovelo e pulso produzindo diferentes ângulos
B) Gestos de Mãos: 1-Mão aberta ou punho fechado
2-Palma para cima, para baixo e orientada lateralmente
3-Apresentação vertical, horizontal e Intermediária (Inclinada)
C) Mãos e Dedos : 1- Dedos dobrados sobre a palma da mão com exceção de um ou dois
dedos
2- Mãos em contato pela extremidade de dois dedos ( Posição das mãos
simétrica e inversa)

Gostou, tem mais veja mais este resumo.


NEUROBIOLOGIA DOS TRANSTORNOS DA PERSONALIDADE

Por: Cristina Herada (RESUMO PARA AULA DE Neurospicopedagogia)

1.Definição de personalidade:



“Uma organização dinâmica dos sistemas psicofísicos, dentro da pessoa, que determinam o padrão único de ajustamento daquele indivíduo ao ambiente”. (Gordon Alport)
O termo “psicofísico” frisa que a personalidade não é exclusivamente “mental”, nem “neural”.
desenvolve-se através da interação de disposições hereditárias e influências ambientais.
estruturalmente composta por: temperamento, caráter e inteligência

Veja a seguinte tabela resumo:

Theodore Millon:
“a personalidade consiste de modos de funcionamento psicológico arraigados, difusos, resistentes e habituais que caracterizam o estilo de um indivíduo”.
“estas características são a essência e a soma da sua personalidade, sua maneira automática de perceber, sentir, pensar e comportar-se”.

TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE:

padrão desadaptado, inflexível, refratário às modificações que o aprendizado e a experiência podem proporcionar;
prevalência na população geral varie de 11 a 23 % (10 a 15%, segundo alguns estudos);
vários perpetradores de crimes violentos ou não, assim como a maioria dos internos de penitenciárias, apresentam algum transtorno de personalidade;
Características gerais:
tendem a ter menor escolaridade,
solteiros,
 toxicômanos,
desempregados
dificuldades nos relacionamentos afetivos e conjugais

Por definição, um transtorno de personalidade desenvolve-se já na infância, piora na adolescência e permanece relativamente imutável ao longo da vida do indivíduo;
 constitui o seu modo habitual de ser.
Kurt Schneider: “o indivíduo sofre ou faz sofrer”.
“Sofrimento”: angústia, solidão, sensação de fracasso pessoal, dificuldades nos relacionamentos.
“Fazer sofrer”: estelionato, homicídios, estupros, etc.

SUB TIPOS DE TRANSTORNOS DA PERSONALIDADE(CID 10)



F60.0 Personalidade paranóide
sensibilidade excessiva face às contrariedades
recusa de perdoar os insultos,
caráter desconfiado,
tendência a distorcer os fatos, interpretando as ações imparciais ou amigáveis dos outros como hostis ou de desprezo;
suspeitas recidivantes, injustificadas, a respeito da fidelidade sexual do esposo ou do parceiro sexual;
sentimento combativo e obstinado de seus próprios direitos.
avaliação otimizada de sua própria importância,
autoreferência excessiva,
querelante, fanática, expans. paranóide, sensit. paranóide.

F60.1 Personalidade esquizóide
retraimento dos contatos sociais, afetivos ou outros,
preferência pela fantasia,
atividades solitárias e a reserva introspectiva,
incapacidade de expressar seus sentimentos e a experimentar prazer,
Tb chamada esquizotípica,
Exclui:esquizofrenia e síndrome de Asperger

F60.2 Personalidade dissocial, antissocial, sociopática:
desprezo das obrigações sociais,
falta de empatia para com os outros,
não segue as normas sociais estabelecidas,
refratário a experiências adversas e punições,
baixa tolerância à frustração,
 baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência,
tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.

F60.3 Transtorno de personalidade com instabilidade emocional
nítida tendência a agir de modo imprevisível , sem consideração pelas consequências;
humor imprevisível e caprichoso;
tendência a acessos de cólera e uma incapacidade de controlar os comportamentos impulsivos;
tendência a adotar um comportamento briguento e a entrar em conflito com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados.
Dois tipos podem ser distintos:
▪tipo impulsivo
▪tipo “borderline”: perturbações da autoimagem, do estabelecimento de projetos e das preferências pessoais, por uma sensação crônica de vacuidade, por relações interpessoais intensas e instáveis e por uma tendência a adotar um comportamento autodestrutivo, compreendendo tentativas de suicídio e gestos suicidas

F60.4 Personalidade histriônica
afetividade superficial e lábil,
Dramatização, teatralidade e expressão exagerada das emoções,
sugestionabilidade,
egocentrismo, autocomplacência,
falta de consideração para com o outro,
desejo permanente de ser apreciado e de ser o objeto de atenção de todos,
tendência a se sentir facilmente ferido.

F60.5 Personalidade anancástica
um sentimento de dúvida
 perfeccionismo e escrupulosidade
verificações e preocupação com pormenores
Obstinação
 prudência e rigidez excessivas.
O transtorno pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos repetitivos e intrusivos (não atingindo a gravidade de um transtorno obsessivocompulsivo).

F60.6 Personalidade ansiosa [esquiva]
sentimento de tensão e de apreensão,
 insegurança e inferioridade,
desejo permanente de ser amado e aceito,
hipersensibilidade à crítica e a rejeição,
reticência a se relacionar pessoalmente,
 tendência a evitar certas atividades que saiam da rotina, exagerando os perigos ou os riscos potenciais em situações banais.

F60.7 Personalidade dependente
tendência sistemática a deixar a outrem a tomada de decisões, importantes ou menores
medo de ser abandonado
percepção de si como fraco e incompetente
submissão passiva à vontade do outro (por exemplo, de pessoas mais idosas)
dificuldade de fazer face às exigências da vida cotidiana
falta de energia (alteração das funções intelectuais ou perturbação das emoções);
 tendência freqüente a transferir a responsabilidade para outros.
também chamada “astênica, inadequada ou passiva”.

F60.8 Outros transtornos específicos da Personalidade: · excêntrica · imatura · NARCISISTA · passivoagressiva · psiconeurótica · tipo "haltlose“ (infundado)

FATORES NEUROBIOLÓGICOS
TEORIA BIOPSICOSSOCIAL:
Martin Teicher (2002): pacientes borderline por ele examinados, que tinham sido vítimas de maus-tratos na tenra infância  desenvolvimento imperfeito do sistema límbico  diminuição do tamanho das referidas estruturas subcorticais.
A anomalia era restrita ao hemisfério esquerdo, particularmente nas regiões frontal e temporal.
Esses pacientes apresentavam um traçado EEGráfico semelhante ao da epilepsia do lobo temporal = lesão do hipocampo e sobrecarga de excitação na amígdala.

Martin Driessen, na Alemanha (2001): redução de 16% no tamanho do hipocampo e de 8% no tamanho da amígdala de mulheres adultas com transtorno de personalidade borderline e uma história de abuso na infância.
Teicher: a ação devastadora do estresse sobre o hipocampo se deve a este núcleo possuir quantidade de receptores de cortisol muito maior que a maioria dos outros núcleos cerebrais.
▪Desse modo, durante um incidente traumático de natureza emocional, quando uma grande quantidade de cortisol é liberada, o hipocampo sofre a maior carga.
▪a maturação desse componente do sistema límbico é lenta, somente se completando aos 2 anos de idade  se o trauma for muito precoce, suas consequências podem ser desastrosas.

A alteração da amígdala se deve ao impacto sobre seus receptores GABA (NT de ação inibitória primária), que agem normalmente sobre os processos de excitação dos neurônios, diminuindo-lhes a intensidade. A hipofunção GABA  irritabilidade neuronal aumentada  produzindo exagerado nível de irritabilidade, de modo que emoções primárias, em especial as de medo adquirido e condicionado, bem como as reações agressivas, eclodem com grande intensidade.
Por seu turno, estando o hipocampo com seus neurônios atrofiados, sobretudo pela ação do cortisol, perde parte de sua capacidade de recuperação das lembranças verbais e emocionais  dificultando a ação do córtex (razão) sobre os estados emocionais primitivos originados da amígdala

um estímulo recebido pelo cérebro pode percorrer dois circuitos:
▪1º: agindo em nível exclusivamente subcortical (inconsciente) passa do tálamo diretamente para a amígdala e daí para a descarga emocional (ação);
▪2º: vem do tálamo e antes de chegar à amígdala, passa pelo córtex (consciente), daí tomando o caminho do hipocampo (memória), de onde prossegue para a amígdala, a partir da qual se descarrega como emoção mais atenuada, modulada pela ação racional do córtex.

TP grave (borderline e antissocial), o efeito do cortisol sobre a amígdala impede a ação inibitória GABAérgica, tornando suas células irritáveis e prontas para a descarga.
A ação desse hormônio sobre o verme cerebelar tem repercussão sobre os NT produzidos e liberados pelo tronco cerebral (dopamina e noradrenalina)  prejudicando a integração entre os dois hemisférios (principalmente a atenção).
A atrofia do hipocampo prejudica a influência cortical sobre os processos emocionais.
A atrofia do hemisfério esquerdo parece ser um mecanismo defensivo, de natureza adaptativa, contra a massacrante incidência de experiências afetivas negativas percebidas pelo hemisfério direito.
Todo esse conjunto de anomalias  eclosão de impulsos pertencentes a estágios evolucionários primitivos de luta e fuga, que colocam os indivíduos em situação de riscos

TEORIA BIOLÓGICA:
Hare é o principal expoente atual;
Defende a natureza congênita dos TP, particularmente do TPAS;
Análise de indivíduos frios, calculistas, assassinos seriais, etc: atrofia e/ou hipofunção de córtex pré-frontal e infraorbital.
Constata esses achados tanto em indivíduos com ou sem abuso na infância, mas com comportameno antissocial.

A psicopatia “strictu sensu” seria uma forma de adaptação evolutiva a tempos difíceis (guerra, seca, pragas, pestes, etc.)  em que os comportamentos individualistas seriam mais vantajosos.
Seria uma características semelhante à anemia falciforme, que persiste em heterozigose mesmo em populações que não têm mais contato com a malária. E é mais frequente nas regiões em que ainda há malária endêmica.
Refuta o modelo anterior, considerando os seus exemplos: “personalidades pseudopsicopáticas


Você é mais metódico ou intuitivo? Entenda como seu cérebro funciona.

Rosana Faria de Freitas
Do UOL, em São Paulo

Fonte:http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/07/24/descubra-se-voce-tem-mente-convergente-e-divergente-para-obter-mais-sucesso-e-qualidade-de-vida.htm

Seu pensamento é mais focado ou global? Você se considera uma pessoa metódica ou livre de regras? Estas são algumas das perguntas-chave para descobrir se tem uma mente convergente ou divergente – e, a partir daí, trabalhar suas potencialidades e dificuldades para ter mais sucesso, bem-estar e qualidade de vida. Tal teoria não é nova e foi difundida, na segunda metade do século 20 pelo psicólogo americano Joy Paul Guilford.
“Depois dela, surgiram as associações com a lateralidade cerebral, os lados esquerdo e direito do cérebro que se comunicam constantemente, têm características próprias e tudo a ver com esse estudo – já que mentes convergentes tendem a utilizar mais o hemisfério esquerdo e as divergentes, o direito”, explica Leandro Roberto Teles, neurologista formado e especializado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
A teoria não está ancorada em estudos científicos controlados e sim em investigações observacionais. Antes de se perguntar em qual extremo você se encaixa, saiba que o fundamento não serve para dividir as pessoas no grupo x ou y, pois isso seria simplista demais se considerarmos toda a complexidade e heterogenia do ser humano. “Alguns indivíduos até podem estar em um polo ou outro, mas a grande maioria se encontrará no meio do espectro, mostrando traços de pensamentos convergentes e divergentes”, salienta o médico. De qualquer forma, a doutrina ajuda na compreensão de tendências, limitações e habilidades individuais.
Pessoas de mente convergente:
Têm um pensamento mais focado, começando da parte para o todo, sequencial e lógico.
Chegam a respostas corretas e confiáveis, mas com pouco ineditismo.
Em geral são perfeccionistas, organizadas e realizam uma tarefa de cada vez.
O hemisfério esquerdo do cérebro é mais acionado e, por isso, resvalam para o pensamento cartesiano e raciocínio matemático, sempre de forma detalhista e metódica.
Apesar de competentes, têm dificuldade de perceber o todo em um primeiro momento, são mais intransigentes e não aceitam erros.
Colocadas fora da rotina, podem se perder um pouco.

urioso para se definir? Então, vamos lá. Uma pessoa de mente convergente tem um pensamento mais focado, começando da parte para o todo, sequencial e lógico. Chega a respostas corretas e confiáveis, mas com pouco ineditismo. Em geral são perfeccionistas, organizadas, realizando uma tarefa de cada vez. O hemisfério esquerdo do cérebro é mais acionado e, por isso, essas pessoas resvalam para o pensamento cartesiano e raciocínio matemático, sempre de forma detalhista e metódica. Apesar de competentes, têm dificuldade de perceber o todo em um primeiro momento, são mais intransigentes e não aceitam erros. Colocadas fora da rotina, podem se perder um pouco.
Já alguém de mente divergente apresenta um pensamento global, partindo do todo para a parte, realizando associações pouco usuais e encontrando soluções criativas, nem sempre com tanta correção e competência. É um comportamento típico de pessoas desorganizadas, ansiosas e que fazem muitas coisas ao mesmo tempo. A criatividade cobra seu preço com uma taxa maior de erros. Por demandar mais o hemisfério direito, que não abriga a área da linguagem, são sensíveis, intuitivas e menos lógicas, mais transgressoras de regras e com dificuldade de cumprir rotinas. Porém, são capazes de se adaptar facilmente a mudanças e têm melhor poder de improvisação.
Pessoas de mente divergente:
Apresentam um pensamento global.
Vão do todo para a parte, realizando associações pouco usuais e encontrando soluções criativas, nem sempre com tanta correção e competência.
Têm comportamento típico de pessoas desorganizadas, ansiosas e que fazem muitas coisas ao mesmo tempo.
Erram mais, por serem mais criativas.
Por demandarem mais o hemisfério direito, que não abriga a área da linguagem, são sensíveis, intuitivas e menos lógicas, mais transgressoras de regras e com dificuldade de cumprir rotinas.
São capazes de se adaptar facilmente a mudanças e têm melhor poder de improvisação.
Miscelânea bem-vinda
Se, mesmo lendo com toda a calma as características de um tipo e de outro, você ainda tem dúvida a qual pertence, considere que todos nós temos momentos de convergência e divergência. Algumas pessoas trazem uma mistura dos dois, ou oscilam entre ambos dependendo da atividade e do momento de vida. Mas, de uma maneira geral, há uma predileção individual para um dos estados. “As mulheres tendem a ser mais divergentes que os homens, assim como as crianças são seres divergentes. A escola e o trabalho por vezes valorizam muito o lado convergente, o raciocínio de senso comum, a obediência às regras sociais – fazendo com que indivíduos divergentes migrem para um padrão convergente”, reflete Leandro Teles.
Para ter certeza de que lado você está, veja as dicas do neurologista: analise sua própria vida, suas prioridades, seu dia a dia. Se prefere ambientes controlados, organizados, faz uma coisa de cada vez, com exatidão e rigor, tende à convergência. Caso se sinta melhor em locais descontraídos ou mesmo bagunçados, com poucas regras, que valorizem o pensamento criativo em detrimento da exatidão, você é mais divergente.
“Imagine a cena: um casal conversa, e você observa. Tanto o hemisfério esquerdo quanto o direito do cérebro interpretam que o rapaz e a garota continuarão juntos. Mas a explicação que encontram para isso é diversa. No esquerdo, convergente, é porque são jovens, bonitos, praticamente da mesma idade, falam olhando nos olhos um do outro e parecem felizes e apaixonados – em um raciocínio verbal, lógico e sequencial. Já o direito dirá que ficarão juntos ‘porque sim, estou com um pressentimento, eles combinam e existe uma química’ – o juízo é intuitivo.”
  • Todos nós temos momentos de convergência e divergência, sendo que algumas pessoas trazem uma mistura dos dois
Trabalhe o outro hemisfério

O reconhecimento do seu lado preponderante pode ser importante em várias situações – como, por exemplo, para escolher o ramo de atuação, contratar alguém, preparar apresentações, se relacionar com os outros.
“Compreendendo melhor a si próprio, será mais fácil fazer escolhas pessoais, vocacionais ou de lazer. Além disso, pode nos motivar a desenvolver os aspectos deficitários da mente, exercitando-os para nos tornar eficientes. A pessoa se torna completa se tem capacidade de usar de maneira harmoniosa as funções dos dois lados, migrando de um para outro sem esforço, dependendo da necessidade. Isso pode e deve ser treinado.
A dica é sair da zona de conforto, fazer coisas novas, realizar as tarefas cotidianas sob novos enfoques e perspectivas.” Para um indivíduo convergente, por exemplo, é aconselhável desenvolver o lado artístico, explorar a criação, buscar soluções fora da rotina, fugir do óbvio e se permitir o erro. Vale, então, se dedicar a artes, música instrumental, atividades que exijam criatividade e jogos como quebra-cabeça.
No caso do divergente, convém realizar tarefas seriadas e isoladas, que exigem concentração e doação. Exemplos: leitura, cálculos e exercícios matemáticos, jogos de tabuleiro, sudoku e palavras cruzadas.
As profissões mais recomendadas para as mentes convergentes são as que valorizam o raciocínio linear e a rotina, como direito, engenharia, matemática, pesquisa. Para as divergentes, as que exigem criatividade, com tolerância para a transgressão de regras e erros eventuais, como decoração, moda, artes de modo geral, arquitetura, marketing, entretenimento.

Se vc tiver material (textos,slides e artigos sobre um dos asssuntos abordados neste link nos envie para que possamos compartilhar mais materiais neste site.materialpsicopedagogiando@.hotmail.com

Neurociência: As novas rotas da educação
                                                                                        
   Fgª Lana Bianchi e FgªVera Mietto

http://empe.fe.up.pt/multimedia/brain_gd.jpg

 

Os avanços e descobertas na área da neurociência ligada aos processos de aprendizagem é sem dúvida, uma revolução para o meio educacional. A Neurociência da aprendizagem é o estudo de como o cérebro trabalha com as memórias, como elas se consolidam, como se dá o acesso ás informações e como elas são armazenadas.
         Quando falamos e pensamos em Educação e Aprendizagem, falamos em processos neurais, redes que estabelecem conexões e que realizam sinapses.
Mas como entendemos Aprendizagem?
Aprendizagem nada mais é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, e ativa suas sinapses (ligações entre os neurônios por onde passam os estímulos), tornando-as mais “intensas” e velozes. A cada estímulo, cada repetição eficaz de comportamento, torna-se consolidado, pelas memórias de curto e longo prazo, as informações, que guardadas em regiões apropriadas, serão resgatadas para novos aprendizados.
         A Neurociência vem-nos descortinar o que antes conhecíamos sobre o cérebro, e sua relação com o Aprender. O cérebro, esse órgão fantástico e misterioso, é matricial nesse processo. Suas regiões, lobos, sulcos, reentrâncias tem cada um sua função e importância no trabalho conjunto, onde cada área necessita e interage com o desempenho do hipocampo na consolidação de nossas memórias, com o fluxo do sistema límbico (responsável por nossas emoções) possibilitando desvendar os mistérios que envolvem a região pré-frontal, sede da cognição, linguagem e escrita e  compreender as vias e rotas que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais específica (parietal) que reconhece as formas visuais das letras e depois acessa outras áreas para a codificação e decodificação dos sons para serem efetivadas.

Faz-se mister entender os mecanismos atencionais e comportamentais de nossas crianças padrão das crianças TDAH e estudar suas funções executivas e sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal, hoje muito relevante na educação.
Compreender as vias e rotas que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais específica (parietal) que reconhecem as formas visuais das letras e depois acessa outras áreas para a codificação e decodificação dos sons para serem efetivadas.
Penetrar nos mistérios da região temporal relacionado à percepção e identificação dos sons onde os reconhece por completo (área temporal verbal) possibilitando a produção dos sons para que possamos fonar as letras. Não esquecer a região occipital, que abriga como uma de suas funções o coordenar e reconhecer os objetos, assim como o reconhecimento da palavra escrita.
Assim, cada órgão se conecta e interliga-se no processo, onde cada estrutura com seus neurônios específicos e especializados desempenham um papel na base do Aprender.
Estudos na área neurocientífica centrados no manejo do aluno em sala de aula nos esclarece que o processo aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas funcionam de forma inter relacionada (conectada). Assim podemos entender como é valioso aliar a música, os jogos, e movimentos em atividades escolares e ter a possibilidade de trabalhar simultaneamente mais de um sistema: auditivo, visual e até mesmo o sistema tátil com atividades lúdicas, esportivas, e todos os movimentos surgindo de dentro para fora (psico-motricidade), desempenho este que leva-nos ao Aprender
Podemos então eferir, desta forma, que o uso de estratégias adequadas em um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará conseqüentemente alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas melhorando assim o funcionamento cerebral, de forma positiva e permanente, com resultados satisfatórios e eficazes.
Os games (adorados por crianças e adolescentes) ainda em discussão no âmbito acadêmico são fantásticos na forma de manter os alunos “plugados” e podem ser mais uma ferramenta mediadora que possibilita estimular o raciocínio lógico, atenção, concentração, conceitos matemáticos através de atividades como: cruzadinhas, caça-palavras e jogos interativos que desenvolvem a ortografia, de forma desafiadora e prazerosa para alunos.
O grande desafio dos educadores é viabilizar uma aula que “facilite” esse disparo neural, este gatilho, a sinapse e o funcionamento desses sistemas, sem que necessariamente o professor tenha que saber como lidar individualmente com cada aluno. Quando ciente da modalidade de aprendizagem do aluno, (e isso não está longe de ser inserida na grade de formação de nossos educadores) o professor saberá quais e melhores estratégias utilizar e certamente fará uso desse meio facilitador no processo Ensino – Aprendizagem.
Outra descoberta é que através de atividades prazerosas e desafiadoras o “disparo” entre as células neurais acontece mais facilmente: as sinapses fortalecem-se e as redes neurais são estabelecidas com mais rapidez. (velocidade sináptica)


Sinapse: comunicação entre neurônios


Rede neural
                    

Mas como desencadear isso em sala de aula? Como o professor pode ajudar nesse “fortalecimento neural”?
Todo ensino desafiador ministrado de forma lúdica tem esse efeito: aulas dinâmicas, divertidas, ricas em conteúdo visual e concreto, onde o aluno não é um mero observador de o seu próprio saber o deixam “literalmente ligado”, plugado, antenado.
O conteúdo antes desestimulador e cansativo para o aluno é substituído por um professor com nova roupagem que propicia novas descobertas, novos saberes; é dinâmico e flexível, plugado em uma área informatizada, aonde a cada momento novas informações chegam ao mundo desse aluno. Professor e aluno interagem ativamente, criam, viabilizam possibilidades e meios de fazer esse saber, construindo juntos a aprendizagem com todas as rotas: auditivas, visuais, táteis e neste universo cheio de informações, faz-se a nova Educação e um novo modelo de Aprender.
Uma aula enriquecida com esses pré-requisitos é envolvente e dinâmica: é o saber se utilizar de possibilidades onde conhecimento Neurocientífico e Educação caminham lado a lado.
Mas como isso é possível?  O que fazer em sala de aula?
A seguir algumas sugestões adotadas:
(1) Estabelecer regras para que haja um convívio harmonioso de todos em sala de aula, onde alunos sejam responsáveis pela organização, limpeza e utilização dos materiais. Ao opinar e criar regras e normas adotadas, eles se sentirão responsáveis pela sala e espaço escolar.
(2) Utilizar materiais diversificados que explorem todos os sentidos. Visual: mural, cartazes coloridos, filmes, livros educativos; Tátil: material concreto e objeto de sucata planejado. Há uma riqueza de sites na internet que nos disponibilizam atividades produtivas e prazerosas. A criatividade aflora e a aula torna-se muito divertida; Auditivo: música e bandinhas feitas com material de sucata, sempre com o conteúdo pedagógico inserida nelas. A criação de músicas e paródias sobre conteúdos é uma forma muito divertida de aprender. Talentos apareceram em salas de aula. E quem não gosta de cantar? Aulas com dinâmica treinam as memórias de curto prazo e a auditiva (elas são trabalhadas em áreas hipocampais) e assim retidas em memória de longo prazo, efetivando o Aprendizado!
3)O cantinho da “leitura” é um pedaço de criar idéias, deixar o “Novo” entrar na mente, através dos signos e símbolos. (Significados e significante)
4)Estabelecer rotinas onde possam realizar trabalhos individuais, em dupla, em grupos (rotinas estabelecidas reforçam comportamentos assertivos e organização). Crianças com TDAH, que apresentam mal funcionamento das funções executivas se beneficiam com rotinas e regras pré estabelecidas. O trabalho em equipe é relevante, ativa as regiões límbicas (responsáveis pelas emoções) e como sabemos o aprender está ligado à emoção, e a consolidação do conteúdo se faz de maneira mais efetiva. (hipocampo)
(5) Trabalhar o mesmo conteúdo de várias formas possibilita aos alunos “mais lentos” oportunidades de vivenciarem a aprendizagem de acordo com suas possibilidades neurais. Dê aos mais rápidos atividades que reforcem ainda mais esse conteúdo, mantendo-os atentos e concentrados para que os alunos com processos mais lentos não sejam prejudicados com conversas e agitação do outro grupo de crianças.
A flexibilidade em sala de aula permite uma aprendizagem mais dinâmica e melhor percebida por toda a classe. O professor que administra bem os conflitos em sala de aula possui “jogo de cintura” e apresenta o conteúdo com prazer, mantendo seus alunos “plugados”, com interesse em aprender mais, movidos pela novidade: o prazer faz uma internalização de conceitos de maneira lúdica e eficaz.
Desta forma, somos sabedores deste mecanismo neural que impulsiona a aprendizagem, das estratégias facilitadoras que estimulam as sinapses e consolidam o conhecimento, da magia onde cada estrutura cerebral interliga-se para que todos os canais sejam ativados. Como numa orquestra afinadíssima, onde a melodia sai perfeita, de posse desses conhecimentos e descobertas, será como reger uma orquestra onde o maestro saberá o quão precisamente estão afinados seus instrumentos e como poderá tirar deles melodias harmoniosas e perfeitas!
A Neurociência veio para ser grande aliada do professor na atualidade, em identificar o individuo como ser único, pensante, atuante, que aprende de uma maneira pessoal, única e especial. Desvendar os segredos que envolvem o cérebro no momento do Aprender, facilita nosso professor.
Surge um novo professor (neuroeducador), a buscar conhecimento sobre como se processam a linguagem, memória, esquecimento, humor, sono, medo, como interagimos com esse conhecimento e conscientemente envolvido na aprendizagem formal acadêmica. Em posse desses novos conhecimentos é imprescindível desenvolver uma pedagogia moderna, ativa, contemporânea, que capacite novos professores, para formar novos alunos às exigências do aprendizado em nosso mundo globalizado, veloz, complexo e cada vez mais exigente.
Conceitos como neurônios, sinapses, sistemas atencionais, (que viabilizam o gerenciamento da aprendizagem), mecanismos mnemônicos (consolidação das memórias), neurônios espelho (que possibilitam na espécie humana progressos na comunicação e compreensão no aprendizado), plasticidade cerebral (ou seja, o domínio de como o cérebro continua a desenvolver-se e a sofrer mudanças) serão discutidos por neurocientístas, neuropedagogos e família. A sala de aula será palco da ciência e neurociência, onde o educador domina os processos do cérebro para Aprender, e assim possibilita criar novas estratégias para Ensinar.
Através desta neurociência, os transtornos comportamentais e de aprendizagem passam a ser vistos e compreendidos com clareza pelos educadores, que aliados a esta novidade educacional encontram subsídios para a elaboração de estratégias mais adequadas a cada caso. Um professor qualificado e capacitado, com método de ensino adequado e uma família facilitadora dessa aprendizagem são fatores para que todo o conhecimento que a neurociência nos viabiliza seja efetivo, interagindo com as características do cérebro de nosso aluno e do professor. Esta nova aliada habilita o educador a ampliar suas atividades educacionais, abrindo uma nova rota no campo do aprendizado e da transmissão do saber, cria novas faces do Aprender, consolida o papel do educador, como um mediador e o aluno como participante ativo do pensar e aprender.




Bibliografia
ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis: Vozes, 2001.
CAPOVILLA, F. C. (2002). Neuropsicologia e Aprendizagem: Uma abordagem multidisciplinar. São Paulo, SP: SBNp, Scortecci.
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CAPOVILLA, F. C., & CAPOVILLA, A. G. S. (no prelo). Avaliação de cognição e linguagem da criança.
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FRASSON, M.A. – Programa de Prevenção e Identificação Precoce dos Distúrbios da Audição. In SCHOCHAT, E. – In: In: SCHOCHAT, E. (org.) - In: Processamento Auditivo - Série Atualidades em Fonoaudiologia, Vol II. São Paulo, LOVISE, 1996. p. 65-105.
KANDEL,E.R. Princípio da Neurociência. Ed.Manoele.2002.

LENT, Roberto.Cem bilhões de neurônios. São Paulo: Ed Atheneu-2006
LURIA, A. R. (1974). EL CEREBRO EN ACCÍON. (P.127-140). Barcelona: Fontanella. Marcilio, L. F. (no prelo) Relações entre Processamento Auditivo, Consciência Fonológica, Vocabulário, Leitura e Escrita.

MIETTO ,Vera e BIANCHI, Lana. http://www.projetogatodebotas.org.br/-artigo: “Dislexia: Como Suspeitar e Identificar Precocemente o Transtorno na Escola”,2010 acesso em 03-01-2010
PANTANO, Telma e Zorzi, Jaime Luiz. Neurociência Aplicada á aprendizagem. São José dos Campos: Pulso,2009.
PEREIRA, L. D., NAVAS, A. L. G. P., & SANTOS, M. T. M. (2002). Processamento auditivo: uma abordagem de associação entre a audição e a linguagem. Em M. T. M. Santos, & A. L. G. P. Navas (Ed.), Distúrbios de Leitura e Escrita: teoria e prática. São Paulo, SP: Ed. Manole.
PEREIRA, L.D. - Processamento Auditivo Central: Abordagem Passo a Passo. In: PEREIRA,L.D., SCHOCHAT, E. - In: Processamento Auditivo Central - manual de avaliação, São Paulo, LOVISE, 1997. p. 49-59.
ROTTA, Newra Tellecha…[et al.] Transtornos da Aprendizagem: Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed,2006
ZORZI,J.L. – Aprendizagem e Distúrbios da Linguagem escrita – questões clínicas e educacionais. Porto Alegre, Artmed, 2003

Revista Cérebro & Mente – O livro do cérebro – no 1 e 2 – São Paulo-SP: Dueto, 2009

http://pt.photaki.com/picture-ativa-as-celulas-nervosas-sinapses-sinapse-sinapses-as-sinapses_150205.htm

Vera Lucia de Siqueira Mietto, Fonoaudióloga, Psicopedagoga, Neuropedagoga, atuação em fonoaudiologia e neurociências em crianças e adolescentes com Distúrbios da Aprendizagem- CFfa 3026-1979-UESA - Rio de Janeiro- RJ e Tutora EAD do www.chafic.com.br e docente do Censupeg nos cursos de Pos -Graduação de Neuropsicopedagogia e Psicopedagogia e da  UNICEAD  de Monte Claros e Sete Lagoas-MG.



Lana Cristina de Paula Bianchi- Fonoaudióloga, Pedagoga, Psicopedagoga, Atuação em Neurociências em Crianças e Adultos na FAMERP- FUNFARME- São Jose Rio Preto- SP- Especialista em linguagem no Projeto Gato de Botas- Distúrbios de Aprendizagem; www.projetogatodebotas.org.br; CRFª: 2907- 1982- PUCC- Campinas-SP- Profª na Disciplina de Psicologia-UNILAGO- São Jose Rio Preto-SP- Linguagem e Cognição- 2010- Orientadora em monografias no curso de pós-graduação de Psicopedagogia- Famerp- 2010- Campo de pesquisa: Linguagem infantil e adulto-
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Jossandra Barbosa-Graduanda em Neuropsciopedagogia Clincia/Educação Inclusiva e Docência superior

2 comentários:

Viviane disse...

Gostaria de saber se o curso de neuropsicopedagogia capacita pedagogos para atuação em clínica como a psicopedagogia clínica. Obrigada.

Livia Stocco Sanches Valentin disse...

Olá Jô, parabéns pelo belo trabalho! Se estiver interessada em parcerias para a efetiva divulgação e endosso do seu trabalho por favor procure-me, ok? Sei da dificuldade e da falta de reconhecimento da psicopedagogia em nosso país e mais ainda do reconhecimento como especialidade da neuropsicopedagogia, que não é reconhecida nem como formação quiçá como titulação. Sou Neuropsicóloga e talvez eu possa dar crédito e veracidade ao seu trabalho e cursos. Abraços,

Livia.

Segue meu CV lattes

Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/1665879506366648