2015-novidades sobre os sindicatos

AGUARDEM POSTAGENS SERÃO TODAS ATUALIZADAS.

Dificuldades/Transtornos



TEXTOS NOTA DEZ DOS NOSSOS ALUNOS DO CURSO DE AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA 1 -TESTES DE LEITURA E ESCRITA
O QUE SÃO AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGENS E TRANSTORNOS?
POR: Sirlene Maria

A dificuldade de aprendizagem é um tipo de desordem neurobiológica que tem como fundamento um funcionamento cerebral diferente, Essa desordem afeta a forma como a criança processa a informação resultando em problemas quanto a capacidade de falar, escutar, ler, escrever, raciocinar, organizar ou fazer cálculos matemáticos.
    Dificuldade no processo aprendizagem possuem múltiplas causas, incluindo metodologia de ensino inadequado às necessidades da criança, fatores de ordem emocional e outros quadros diagnósticos, Indivíduos que apresentam dificuldade de aprendizagem tem potencial tanto quanto outros indivíduos de inteligência mediana mas muitas vezes são impedidos de alcançar esse potencial.
   Os transtornos de aprendizagem são específicos em leitura (dislexia), escrita (disgrafia e disortografia) ou matemática (discalculia) e possuem base genética ocorrendo em indivíduos que apresentam inteligência normal ou superior e rendimento escolar significativo abaixo do esperado para sua idade, escolaridade e capacidade intelectual.
    O papel do psicopedagogo é promover a aprendizagem garantindo o bem estar das pessoas em atendimento devendo-se valer dos seus recursos disponíveis incluindo procurar criar competência e habilidades para soluções dos problemas.
    Uma avaliação cautelosa é o primeiro passo para diagnosticar a causa do problema de aprendizagem e definir o plano de intervenção para o tratamento clínico além de avaliar e intervir o psicopedagogo trabalha em conjunto com outros profissionais que atendem a criança e também atuam em parceria com a escola e família de modo a melhor adequar o ensino às necessidades do paciente, levando em conta suas dificuldades e principalmente suas potencialidades.
    São características da dislexia dificuldade na área de leitura e da escrita e soletração que pode também ser acompanhada de outras dificuldades como por exemplo na distinção entre esquerda e direita.   É uma doença que dificulta a parte escolar em que a pessoa precisa aprender mas que o disléxico não consegue por causa da dificuldade.
    A disortografia é uma dificuldade manifestada por um conjunto de erros da escrita que a palavra, mas não o seu traçado ou grafia. A criança com disortografia geralmente demonstra falta de vontade de escrever os seus textos são reduzidos, com uma organização pobre e pontuação inadequada.
   As crianças com discalculia revelam um ritmo de trabalho muito lento, são ansiosas, desmotivadas e tem receio de fracasso.

POR: Efigênia Célia Miranda Oliveira


O QUE SÃO AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGENS?
Por: Sirlene Maria
1 – Temos várias definições, de vários autores, o que dificulta uma proposta globalmente aceita  mas, segundo eles, citam em suas literaturas: são desordens neurológicas que interferem na recepção, integração ou expressão de informação.   Obstáculos nos processos psicológicos inerentes a compreensão e uso da linguagem(relacionados com disfunções do sistema nervoso central),Problemas significativos que interferem na aquisição e uso das capacidades de  fala, leitura, escrita, raciocínio e matemática. 
Excluem-se as problemáticas resultantes de deficiências sensoriais, motoras ou mentais e/ou perturbações emocionais e fatores cultuais e econômicos.
 AS PESSOAS COM DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM PODEM APRENDER?
2 – Sim, mesmo  as pessoas com dificuldades de aprendizagem podem aprender desde que assistido por professores e profissionais preparados para apoiá-los em todas as áreas de dificuldades. Eles precisam ser estimulados naquilo que precisam e neste ponto os pais e a escola quando preparados podem dar toda sustentação. Outro detalhe, o tempo de aprender de quem tem DA deve ser respeitado, podendo ser mais lento. É uma questão de tempo, paciência, amor e um olhar diferente. Acredito, eles tem condições de aprender!

QUAL O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO FRENTE AS DIFICULDADES E TRASNTORNOS DE APRENDIZAGEM?
O papel do psicopedagogo é intervir após  diagnóstico e planejamento de meta de trabalho para aquela dificuldade ou transtorno.
- Primeiro acolher e buscar a confiança do paciente.
- Conhecer o histórico familiar e escolar.
- Trabalhar, ou melhor, intervir sistematicamente, usando de atividades adequadas que visem sanar ou melhorar o problema.
- Aproveitar todo e qualquer avanço, buscando  elogiar para trabalhar a auto estima.

- Estimular, estimular sempre.




DIFICULDADE OU TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM

 POR Liliene Maria Ferrandin

A aprendizagem do ser humano inicia na sua vida intrauterina e podemos encontrar uma gama de pesquisas realizadas na área que envolve a dificuldade de aprendizagem.
            A primeira grande característica, muito sinalizada pelos avanços de estudo da Neurociência, é que o ambiente interfere de forma intensa no processo complexo e dinâmico que é a aprendizagem humana.
            Muitas pesquisas mostram que não existe um consenso em relação a definição ideal para dificuldade e transtorno de aprendizagem, tendo em vista sua complexidade e heterogeneidade.
            O ser humano é um ser “biopsicossocial”, ou seja, cabe uma reflexão dos fatores cognitivos, afetivos, sociais, culturais, biológicos e/ou situacionais do sujeito que aprende, buscando sobre a origem das dificuldades de aprendizagem levando cada um dos parâmetros citados, em consideração.
Todavia, uma das definições empregadas é a que as dificuldades de aprendizagem englobam particularidades em um ou mais processos básicos e se manifestam por alterações na compreensão ou utilização da leitura, escrita, soletração, cálculo, escuta e pensamento, em indivíduos que não apresentam deficiências visuais, auditivas, motoras, mentais ou alterações evidentes de ordem emocional.
A dificuldade escolar pode ser de origem a não adaptação ao método escolar, por exemplo, não apresentando algum distúrbio específico.
Cada ser humano é único, lida com o conhecimento de forma própria, dentro do seu tempo, do seu ritmo físico, lógico e psicológico. Desta forma, todos os seres humanos são capazes de aprender, sem dúvida. O importante é compreender como cada indivíduo seleciona as informações do ambiente, como ele as relaciona, transformando em conhecimento e aprendizagem.
Já o transtorno ou distúrbio de aprendizagem será identificado por uma origem orgânica e/ou neurológica.
O diagnóstico é um processo difícil e complexo devido aos diversos fatores envolvidos, portanto a importância da avaliação interdisciplinar, onde o psicopedagogo participa e tem papel importante na avaliação e intervenção.
O papel do psicopedagogo é através da avaliação inicial levantar o maior número possível de informações sobre o indivíduo, trabalhando hipóteses sobre a causa que leva o processo de não aprendizagem. No processo de avaliação, já ocorre a intervenção, sendo que em muitos casos nem é possível separar.
O psicopedagogo trabalhará como orientador e direcionador do processo de crescimento, tornando-se importante esclarecer que ele não é o único responsável pelo processo de “melhora” e eliminação da dificuldade. O papel do psicopedagogo também é conscientizar o indivíduo do seu papel ativo na “melhora”.
Relacionando o último item solicitado na avaliação, descrevo as características da dislexia, disortografias e discalculias.
Dislexia : ocorre a problematização no aprendizado da linguagem: em leitura, soletração, escrita e não tem causa a falta de vontade ou de interesse.  Não se trata de incapacidade.
Disortografia: confusões de letras, sílabas de palavras e trocas ortográficas já conhecidas e trabalhadas, respeitando a faixa etária, ou seja, dentro da classificação escolar.
Discalculia: dificuldade na matemática, cometendo erros na solução de problemas verbais, nas habilidades de contagem, nas habilidades computacionais, na compreensão dos números.



 ENTENDENDO AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGENS

                                 
POR Fabiana Cláudia Alcalá
             As crianças chegam a escola curiosas e cheias de alegria, o mundo do conhecimento  está a sua volta, há muito o que aprender, muito o que descobrir,.mas nem sempre esse mundo  a ser descoberto está acessível a criança. Isto acontece devido às dificuldades de aprendizagem ou aos transtornos de aprendizagem, que afetam a criança, sua autoestima, seus aspectos sociais e emocionais.
             É preciso  compreender que o  transtorno de aprendizagem é a inabilidade específica na leitura, na expressão escrita ou na matemática em indivíduos que apresentam resultado abaixo do esperado para seu nível de desenvolvimento, sua escolaridade  e capacidade intelectual, afetando a habilidade da pessoa de falar, escutar, ler, escrever, soletrar, pensar, recordar, organizar informações ou aprender a matemática e são exemplos de transtorno de aprendizagem a dislexia, a disortografia e  discalculia. .
            A aprendizagem depende basicamente da motivação e muitas vezes o que se chama de dificuldade de aprendizagem é especificamente dificuldade de ensino, metodologia de ensino inadequada. Cada indivíduo aprende de uma forma diferente, o que lhe é ensinado deve o motivar suficientemente, ou lhe chegar de forma semelhante ao seu canal preferencial (e não de quem lhe ensina), então a compreensão ou o aprendizado se completa, caso contrário, caracteriza-se a dificuldade de aprendizagem.
             Os distúrbios de aprendizagem  aumentaram muito com a  massificação do ensino.
            Quando a aprendizagem não se desenvolve conforme o esperado para a criança, para os pais e para a escola ocorre a "dificuldade de aprendizagem".  É necessário a identificação do problema, esforço, compreensão, colaboração e flexibilização de todas as partes envolvidas no processo: criança, pais, professores e orientadores.
            O psicopedagogo poderá identificar as dificuldades de aprendizagem e avaliá-la visando superação, pois a  criança desestimulada sofre, os pais sofrem , pressionando a criança e a escola, e começam passar  de escola em escola, e a escola pressionando a criança e os pais, todos eles insatisfeitos.
            É necessário o reconhecimento do problema por um profissional adequado, com treino específico da dificuldade a fim de que a criança supere suas dificuldades, com esforço, colaboração da família e da escola em conjunto acompanhando as etapas de evolução da criança. No caso dos transtornos, é possível mudanças comportamentais, na forma de ensinar e na atitude dos pais  e professores que trazem benefícios significativos, e principalmente diminuem a possibilidade de agravos e sequelas nestes portadores que, com frequência, viram objeto de bullying, de humilhação , violência, exclusão, abandono escolar e possível subemprego.
           
Características da dislexia:
·         dispersão é a primeira característica a ser percebida entre as crianças com dislexia. dificuldades com a linguagem e escrita
·         dificuldades em escrever;
·         dificuldades com a ortografia;
·         lentidão na aprendizagem da leitura.
·         disgrafia (letra feia)
·         discalculia, dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar tabuada;
·         dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização’
·         dificuldades em seguir indicações de caminhos e em executar sequências de tarefas complexas;
·         dificuldades para compreender textos escritos;
·         bom desempenho em provas orais
·         adultos com dislexia ,se não teve um acompanhamento adequado na fase escolar ou pré-escolar:
·         continuada dificuldade na leitura e escrita;
·         memória imediata prejudicada;
·         dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
·         dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia);
·         dificuldade com direita e esquerda;
·         dificuldade em organização. segunda língua.
·         dificuldades com a linguagem falada
·         dificuldade com a percepção espacial;
·         confusão entre direita e esquerda.
·          características de acordo com a fase escolar:
·          Pré-escola:
·         dispersão;
·         fraco desenvolvimento da atenção;
·          atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem;
·         dificuldade em aprender rimas e canções;
·         fraco desenvolvimento da coordenação motora;
·         dificuldade com quebra cabeça;
·         falta de interesse por livros impressos.
·         Idade escolar:
·         dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita;
·         pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);
·         desatenção e dispersão;
·         dificuldade em copiar de livros e da lousa;
·         dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura) e/ou grossa (ginástica, dança, etc.);
·         desorganização geral, podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais escolares;
·         confusão entre esquerda e direita;
·         dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc...
·         vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas;
·         dificuldade na memória de curto prazo, como instruções, recados, etc..
·         dificuldades em decorar sequências, como meses do ano, alfabeto, tabuada, etc..
·         dificuldade na matemática e desenho geométrico;
·         dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomias)
·         troca de letras na escrita;
·         dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
·         problemas de conduta como: depressão, timidez .
·          
Características da disortografia:
A Disortografia caracteriza-se por troca de fonemas na escrita, junção (aglutinação) ou separação indevidas das palavras, confusão de sílabas, omissões de letras , inversões  e dificuldades em perceber as sinalizações gráficas como parágrafos, acentuação e pontuação, conforme:

  • Erros linguístico-perceptivos: substituição de fonemas vocálicos ou consonantes pelo ponto ou modo de articulação semelhantes; omissões e/ou adições de fonemas, sílabas ou palavras inteiras; inversões de sons por incapacidade de seguir a sequência dos fonemas.
  • Erros visuo-espaciais: substituição de letras que se diferenciam pela sua posição no espaço; substituição de letras semelhantes nas suas características visuais; escrita de palavras ou frases em espelho; confusão em palavras com fonemas que admitem dupla grafia (ex: ch/ x); omissão da letra h por não ter correspondência fonética.

  • Erros visuo-analíticos: dificuldade em fazer a síntese e a associação entre fonema e grafema, resultando em trocas de letras sem qualquer sentido.

  • Erros de conteúdo: dificuldade em separar sequências gráficas pertencentes a uma dada sequência fônica – união de palavras, separação de sílabas que compõem uma palavra, união de sílabas pertencentes a duas palavras.

  • Erros referentes às regras de ortografia: não colocar m antes de p, infringir regras de pontuação, não respeitar as maiúsculas após o ponto ou no início do texto, não hiefinizar nas mudanças de linha.

Características da discalculia:


  •  Confusão com o aspecto parecido dos números, 6 e 9 ou 3 e 8.
  •  Falta de habilidade para compreender os espaços entre os números como por exemplo: 5  69 é lido como quinhentos e sessenta e nove.
  •  Dificuldades no reconhecimento, e portanto, no uso dos símbolos para calcular: mais, menos, multiplicação e divisão.
  • Dificuldades na leitura de números com mais de um dígito. Números com zero podem especialmente dificultar. Exemplo: 4002 ou 304.
  • Confusão na leitura da direção dos números: o 12 pode se tornar 21. Não é usual      para algumas crianças mudarem a direção de alguns números que são lidos precisamente, da esquerda para direita, enquanto outras leem de trás para frente.
  • Problemas com leitura de mapas, diagramas e tabuada.
  • Dificuldades em entender os símbolos matemáticos e em lembrar como deve ser usado, por exemplo, o sinal de subtração.
  • Problemas com o entendimento de conceitos de peso, direção e tempo.
  •  Problemas para entender perguntas orais ou escritas que são apresentadas com palavras, texto ou figuras.
  •  Problemas para entender conceito de soma, onde números são usados em conjunto com unidades como, por exemplo, 100 metros. Os problemas também podem ser no entendimento dos números ordinais, pois não entendem a sequência, primeiro, segundo terceiro, etc.
  • Problemas em entender as relações entre as unidades.
  • Problemas na aplicação prática da matemática, por exemplo: A distância da casa de Ana até a escola é de 1 km. Maria mora duas vezes mais longe. Qual a distância que Maria tem que percorrer para chegar à escola?  







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Referências Bibliográficas:

http://especialid.blogspot.com.br/2012/02/tipos-de-dislexia.html
http://www.universotdah.com.br/
http://educamais.com/o-que-e-disgrafia/
http://www.colegiosantamaria.com.br/santamaria/aprenda-mais/artigos/ver.asp?artigo_id=1

Apostila completa para você estudar sobre a diferença entre
DIFICULDADE  E TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM
MÓDULO 01

MÓDULO 2


Leia o artigo e no final temos um PRESENTE surpresa para vc nosso leitor.

CONCEPÇÕES E PRÁTICAS NA ESCOLA SOBRE A DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

Maria Goretti Quintiliano Carvalho2 - UEG – UnU São Luís de M. Belos
Resumo
Este artigo discute a participação do professor na relação que o aluno diagnosticado com dificuldades de aprendizagem estabelece com o conhecimento. Este trabalho é parte dos resultados de pesquisa empírica sobre o saber, a aprendizagem e a relação que o sujeito estabelece com o saber realizada no sistema de ensino público municipal em São Luís de Montes Belos. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os professores sobre a formação inicial e continuada, a jornada de trabalho, o planejamento das aulas, o trabalho com crianças consideradas com dificuldade de aprendizagem, entre outros. Realizou-se também observações durante as aulas com o objetivo de verificar a relação entre os dados coletados por meio das entrevistas e os dados percebidos durante as observações da prática pedagógica dos professores e das atitudes das crianças apontadas pelos professores como com dificuldade de aprendizagem em relação às
atividades propostas, bem como sua relação com os conteúdos trabalhados pelo professor. Essa reflexão fundamenta-se nas reformulações de Charlot (2000, 2001,2005, 2006) sobre a aprendizagem, que considera a relação com o saber, com o aprender, como a relação que o sujeito estabelece com o mundo, Com o outro e consigo mesmo quando é confrontado pela necessidade de aprender. Identificou as concepções de dificuldade de aprendizagem que balizam o trabalho pedagógico do professor no ensino fundamental, refletindo sobre o que os professores pensam acerca da dificuldade de aprendizagem e quais elementos constituem essa sua concepção, e, ainda o que os professores e/ou a escola fazem para reverter situações de fracasso escolar, além dos critérios que os professores consideram para identificar as crianças que têm dificuldade de aprendizagem. Por meio dessa pesquisa foi possível identificar que os professores utilizam três critérios para avaliar seus alunos e diagnosticá-los como crianças com dificuldade de aprendizagem ou não. Avaliam seus alunos de acordo com o ritmo de cada um em na resolução das tarefas; consideram que algumas crianças têm dificuldade em aprender devido a pouca ou deficiente participação da família no trabalho desenvolvido pela escola e ainda devido às diferenças culturais. Constatou-se também
que o professor não inclui sua prática pedagógica ao avaliar a capacidade ou dificuldade de aprendizagem de seus alunos. Mesmo afirmando durante as entrevistas que realiza trabalho diferenciado com seus alunos porque considera a subjetividade deles ao preparar suas atividades, não foi observada nenhuma atividade dessa natureza, todas as crianças realizaram a mesma atividade (mimeografadas).
Palavras-chave: Aprendizagem. Dificuldades de aprendizagem. Trabalho pedagógico.

1 Este texto faz parte da pesquisa realizada para a elaboração da dissertação no mestrado.
2 Mestre em Educação pela Universidade Católica de Goiás, professora nos cursos de Pedagogia e de
Letras na Universidade Estadual de Goiás.

Introdução
A educação brasileira, por meio da Constituição Federal, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e demais documento da legislação educacional, garante, entre outros itens, a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e estabelece os fins da educação de seus sujeitos3. De modo bastante específico, a LDB/1996 determina que:
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996). 
Entretanto, a educação pública brasileira não consegue atingir os fins anunciados no texto da lei. Enquanto no Art. 3º da LDB 9394/1996 na escola; valorização do profissional da educação escolar; o padrão de qualidade; a valorização da experiência extra-escolar; a vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais, há décadas os índices estatísticos denunciam que a qualidade e a eficácia da educação brasileira, principalmente a pública, não atendem a tais expectativas. Estes e vários outros aspectos como infra-estrutura, remuneração salarial dos profissionais da  educação, condições de trabalho, formação  Pedagógica dos professores e material didático são aspectos não considerados pelos governantes e que comprometem a prática educativa nas escolas públicas brasileiras.
Há décadas, os índices estatísticos denunciam que a qualidade e a eficácia da educação brasileira, principalmente a pública, não atendem às expectativas de escolarização da população. O que os índices estatísticos evidenciam é que o sistema de ensino não tem sido suficientemente eficaz para garantir a aprendizagem de todas as pessoas que se inserem ou são inseridas no processo de escolarização. Grande parte das crianças brasileiras que freqüenta a escola não consegue aprender o que lhes é ensinado,
sendo esta uma das principais causas da repetência ou da evasão escolar.
O sistema brasileiro de educação é avaliado anualmente por órgãos nacionais e 3 Que não se considere o Sujeito da aprendizagem (o Eu epistêmico) como imediatamente  dado, mas como uma certa postura de um sujeito envolvido tanto em relações de desejo como em relações sociais e instituições. (CHARLOT, 2001, p. 20). 
Dados internacionais que apresentam dados e/ou resultados alarmantes relacionado à evasão e à repetência escolar na escola pública. Uma das razões de manutenção desta situação tem sido a dependência do Brasil em relação ao Banco Mundial na liberação dos recursos para o desenvolvimento de projetos na educação, obrigando o país a aceitar as condições impostas por esse órgão e adotar medidas que vêm de encontro às reais necessidades educacionais brasileiras.
Assim, a liberação das verbas destinadas aos projetos na área da educação é controlada conforme as estatísticas de aprovação e permanência dos estudantes nas escolas. Se as estatísticas revelam altos índices de reprovação, o Banco Mundial reduz as verbas, se a situação é oposta, com bons resultados de aprovação, mais recursos são destinados para a educação.
As normas estabelecidas pelo Banco Mundial para a liberação desses recursos não fixa critérios para a aprovação ou reprovação dos alunos. Assim, o discurso pela permanência do aluno na escola, em nome da “democratização do ensino”, e pela “escola para todos”, é uma falácia que tenta assegurar a permanência do aluno na escola garantindo índices estatísticos satisfatórios sem, contudo, garantir seu progresso e/ou avanço na aprendizagem escolar.
Desta perspectiva, o que se presencia é a elaboração de programas paliativos com o objetivo de modificar os números que comprometem a política educacional e as relações econômicas do país com os organismos internacionais de financiamento. Pouco se modificam as ações pedagógicas em relação às condições de trabalho, de estudos, e aprimoramento das pessoas envolvidas nesse processo.
No que diz respeito à pesquisa educacional brasileira, o fato de haver tantas crianças que não aprendem o que lhes foi ensinado, ou que não conseguem permanecer na escola, tem motivado inúmeras pesquisas sobre o assunto. Algumas dessas pesquisas focam o ensino, outras focam o desenvolvimento da aprendizagem e há as que analisam as políticas educacionais. Entretanto, apenas um número bastante reduzido estuda o fracasso escolar (termo comumente utilizado para estudar a dificuldade de aprendizagem) na perspectiva da aprendizagem, relação com o saber, portanto, do desenvolvimento da aprendizagem escolar dos alunos.
Assim, torna-se pertinente, explicitar um aspecto da dificuldade de aprendizagem pouco discutida pelo discurso sobre o fracasso escolar: a participação do professor na relação que o aluno diagnosticado com dificuldades de aprendizagem estabelece com o conhecimento.

Dessa maneira, essa pesquisa objetiva identificar as concepções de dificuldade de aprendizagem que balizam o trabalho pedagógico do professor no ensino fundamental, refletindo sobre três questões: o que os professores pensam sobre dificuldade de aprendizagem e quais elementos constituem essa sua concepção? O que os professores e/ou a escola fazem para reverter situações de fracasso escolar? Quais critérios os professores consideram para identificar as crianças que têm dificuldade de aprendizagem? 

Trata-se, portanto de inquirir sobre as concepções que norteiam a prática dos professores que lidam no dia-a-dia com crianças que têm dificuldade para aprender da mesma forma e no mesmo ritmo que seus colegas de sala de aula; bem como identificar quais elementos constituem a concepção de dificuldade de aprendizagem utilizada pelo professor para diagnosticar essas crianças e para reverter o quadro de dificuldades constatadas.

Esse trabalho visa a discutir as causas de tantas histórias de fracasso escolar.Pois, segundo Charlot, (2000, p. 16) estudar o fracasso escolar é impossível, pois não é um fato que a ciência possa estudar, constatar, mensurar, analisar, controlar experimentalmente. O fracasso escolar não possui vida, não ataca ninguém, não é observável, o que significa que não é passivo de análise (CHARLOT, 2000, p. 16). O que existe sendo são crianças, pessoas em situação de fracasso.
Para estudar essas situações de fracasso escolar, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 14 professores da rede municipal de São Luís de Montes Belos, que atuam nas primeiras séries do Ensino Fundamental, procurando identificar, além da concepção dos professores em relação à dificuldade de aprendizagem, o índice de alunos que são considerados com dificuldade de aprendizagem, o trabalho que é feito com essas crianças diagnosticadas com dificuldade de aprendizagem e o que a escola oferece às crianças.
São Luís de Montes Belos tem sua população concentrada na zona urbana, mas com economia apoiada na agropecuária e com tradição cultural expressivamente marcada pelo meio rural. Possui uma população de 27.376 mil habitantes, 7 Centros Municipais de Educação Infantil (CEMEI), 22 escolas de Ensino Fundamental (11 públicas municipais, 7 públicas estaduais e 4 particulares) e 5 escolas de nível médio (2
públicas estaduais e 3 particulares).
Em 2006, a taxa de matrícula escolar de crianças em idade escolar era de 5032 matrículas (2077 em escola pública estadual, 1987 em escola pública municipal e 968 5 em escolas particulares), e os professores que atuam na rede pública de ensino possuem formação em nível superior em pedagogia ou em licenciatura em área específica. Após as entrevistas, foi definida como amostra para coleta de dados, por meio de observações,a docência dos professores que atuam na escola que possui maior número de alunos, os que atuam na escola que possui menor número de alunos e os que atuam em uma das escolas da zona rural (optou-se pela que possui maior número de alunos).
Na escola com menor número de aluno, Escola Municipal Cantinho Feliz4, optou-se, pela professora que demonstrou maior envolvimento em trabalhar com as cinco crianças diagnosticadas com dificuldades de aprendizagem de sua turma. Dessa  forma, as observações foram realizadas na sala do 3º Ano (antiga 2ª Série). 
Na escola com o maior número de alunos, Escola Municipal Sol Nascente, a escolha da turma para a realização das observações foi realizada pela própria escola, a coordenadora de turno, juntamente com os demais professores, decidiram as observações seriam realizadas na turma do 2º Ano (antiga 1ª série), onde, segundo a professora, havia duas alunas com dificuldades de aprendizagem.
Na Escola Municipal Mundo Verde, o critério utilizado para a escolha da turma foi o da faixa-etária mais elevada, para que se observasse de que maneira o professor interage com crianças mais velhas que apresentam dificuldades de aprendizagem, bem como de que forma essas crianças interagem com o professor, com os colegas, com o conteúdo a elas ensinado. Dessa maneira, a turma observada foi a de 4º e 5º Anos (antigas 3ª e 4ª séries), na qual, segundo o professor, há cinco crianças com dificuldades
de aprendizagem.
Os dados foram analisados mediante os critérios estabelecidos pela metodologia da “Análise de Conteúdo” (BARDIN, 1977, p. 95). Os resultados dos estudos realizados e dos dados encontrados estão organizados nesse texto em três tópicos: As escolas e seus sujeitos; O que os professores pensam sobre dificuldade de
aprendizagem? O trabalho pedagógico de recuperação da aprendizagem: o discurso e a prática, que está subdividido em três subseções: O ritmo: atitudes do professor e do aluno em sala de aula; Aparato extra-escolar de ajuda psicológica e pedagógica às crianças.
Todos os nomes de escolas, de professores e de alunos utilizados neste texto são fictícios.

 O que os professores pensam sobre dificuldade de aprendizagem?
A partir das entrevistas e das observações realizadas, é possível afirmar que a concepção que o professor tem acerca do que seja dificuldade de aprendizagem está relacionada a três fatores considerados mais evidentes: o ritmo de cada criança em desempenhar as tarefas determinadas por ele; está relacionado também à atuação da família que não participa da educação dos filhos, que não ajuda na resolução das tarefas de casa; e ainda, está relacionada às deficiências culturais da criança, causadas pela classe social de origem, pela necessidade dos pais em trabalhar, ou ainda, por pertencerem a famílias fora da estrutura padrão (moram somente com o pai ou com a mãe, são criados pelos avós, ou os pais têm problemas emocionais que transferem para os filhos). Os professores atribuem mais peso às famílias, acusando os pais de não participarem da vida escolar das crianças, de não ajudarem nas tarefas de casa, não participarem de reuniões, nem atenderem aos chamados da escola. Que fazem reuniões com os pais, que eles se comprometem a acompanhar os filhos, mas que depois não cumprem com o que foi combinado com os professores, deixando seus filhos sozinhos nos estudos realizados em casa.
Porém, em nenhum momento os professores se colocaram no processo de aprendizagem dos seus alunos, considerando como responsáveis pelas dificuldades de aprendizagem apenas elementos externos a esse processo. O serviço oferecido pela escola e sua participação na produção dessas dificuldades de aprendizagem não é colocado em discussão.

O trabalho pedagógico de recuperação da aprendizagem: o discurso e a prática No sistema educacional brasileiro, na grande maioria das escolas um professor é o responsável por uma série, com um currículo, um programa a ser cumprido. Essa organização é citada por muitos professores como causa e justificativa para as dificuldades de aprendizagem. Segundo muitos professores, os problemas apontados são causados por uma aprendizagem deficiente que ocorreu na série anterior, ou porque a família não proporcionara os estímulos necessários a uma aprendizagem favorável ao nível e ritmo da turma atual. O problema está na criança que não veio pronta para os conteúdos específicos da série que frequenta. O que já havia sido evidenciado por Patto (1999) e Sampaio (2004), na cidade de São Paulo, pôde ser constatado quase duas
décadas depois, em uma cidade do interior de Goiás.

Os professores entrevistados nas escolas de São Luís de Montes Belos afirmaram que ao diagnosticar em suas turmas crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, são realizados trabalhos de recuperação paralela, reforço fora da sala de aula e atendimento com psicólogo. Entretanto, o planejamento desses professores não sofre nenhuma alteração, pois têm um programa a ser cumprido, um volume de conteúdos a ser ministrado, já que acima deles tem várias instâncias de cobrança desse trabalho através da burocracia em emitir documentos que comprovem que o conteúdo específico daquele ano foi trabalhado, o que coloca a autonomia do professor bastante fragilizada.

Durante a pesquisa de campo, foram identificadas categorias presentes no discurso dos professores para a explicação das dificuldades de aprendizagem, bem como para justificar o trabalho pedagógico realizado por eles. Nesse sentido, os dados serão organizados e analisados a partir dessas categorias de trabalho: ritmo, família (ajuda extra-escolar) e diferenças culturais.

O ritmo: atitudes do professor e do aluno em sala de aula
A concepção de alguns professores sobre o que seja dificuldade de aprendizagem está relacionada ao amadurecimento de cada criança ao tipo de conteúdo trabalhado no ano em que está estudando. Mencionaram a dificuldade que algumas crianças têm em realizar leitura com a mesma desenvoltura do restante da turma. Outra dificuldade apontada foi em relação à caligrafia, quando as crianças não são capazes de escrever com letra legível, o que é trabalhado com cópias em cadernos de caligrafia.
Em relação ao trabalho desenvolvido para solucionar a dificuldade de aprendizagem a aula de reforço, independente da forma como é realizada, ou seja, realizada pelo professor ou pela coordenação, é o trabalho realizado com as crianças para que seu nível ou capacidade de aprendizagem seja equiparado ao das outras crianças, para que consigam o mesmo ritmo do restante da turma em realizar as atividades propostas pelos professores.
Para reverter o problema da dificuldade de aprendizagem, 50% dos professores entrevistados consideram que o trabalho de reforço seja suficiente para que as crianças que apresentam dificuldade de aprendizagem consigam acompanhar o ritmo do restante da turma. Para a outra metade dos professores repetir o que já foi dito é o suficiente para reverter o problema, basta exercitar as atividades da sala de aula para que a aprendizagem ocorra. 50% dos professores consideram que o atendimento individualizado com atividades específicas é outra ação que surte grande efeito no trabalho com crianças com dificuldade de aprendizagem e que o trabalho com um psicólogo é de grande ajuda no trabalho com essas crianças.
A dificuldade de aprendizagem na leitura e escrita foi apontada por todos os professores como o principal problema das crianças diagnosticadas como “portadoras de dificuldades de aprendizagem”. Alguns citaram a dificuldade na leitura e resolução de problemas, afirmando que as crianças não compreendem que tipo de cálculo o “problema” requer para resolvê-lo. Apenas 14% dos professores citaram a dificuldade de aprendizagem do cálculo em matemática, ou seja, na resolução dos cálculos (quatro operações).

Apesar de ter sido afirmado que as tarefas eram planejadas considerando as dificuldades das crianças, durante todas as observações nenhuma atividade diferenciada foi utilizada pelos professores para as crianças diagnosticadas com dificuldade de aprendizagem. Pelo contrário, foram apresentadas tarefas iguais a todas as crianças,tarefas rodadas em mimeógrafo e, apesar das dificuldades manifestadas pela criança, o professor não procurou saber dela o que havia compreendido em relação àquela atividade. As crianças que não conseguiram resolver as atividades não receberam atenção especial do professor. A metodologia utilizada é a seguinte: “[...] a professora faz (no quadro), ensina (explica) como é que se deve fazer e, assim, cada um faz: podese, então, dizer que todo mundo aprendeu [...]”.(UNESCO/INEP, 2007, p. 199), Segundo Postic (2000, p. 32) a tarefa escolar é o centro do processo educativo e a relação entre professor e aluno é fortemente determinada pela natureza e grau de coação da tarefa escolar. A partir do que foi observado, é possível afirmar que toda a atividade pedagógica é elaborada em função de uma tarefa (rodada no antigo
mimeógrafo) que os alunos terão que resolver seguindo as explicações dadas pelo professor no início da atividade. 

Outro comportamento identificado é que durante as atividades, algumas crianças desempenhavam uma atividade secundária em vez de executarem a proposta do professor. Dessa forma, enquanto a criança não consegue compreender que resposta o professor espera, ela desenvolve outras atividades para manter uma aparência de 9 produtividade. E quando essa criança é deixada em meio a essas “outras” atividades, “a escola, assim, além de não promover o gosto pelo saber, consegue contribuir para que o aluno o evite” (PARO, 2003, p. 46). E quando a criança percebe que está sozinha em sua tarefa, ela procura alternativas para alcançar os meios de corresponder às exigências da escola, do professor e dos pais: dar as respostas corretas nas tarefas e nas avaliações.

Dessa forma, a criança é capaz de perceber que o que importa para o professor é a resposta correta, a resposta esperada pelo professor. A valorização da resposta correta faz com que criança compreenda que responder certo é o mais importante, apresentar as respostas esperadas nas tarefas é o que importa.

Aparato extraescolar de ajuda psicológica e pedagógica às crianças
Grande parte dos professores afirma que muitas vezes, a família não se interessa em participar do trabalho da escola. Alguns professores afirmam que quando isso ocorre desistem da família e ficam com a criança. Para esses professores, a participação da família é muito importante, mas não é primordial, pode-se fazer um bom trabalho sem ela. Entretanto, justificam as dificuldades de aprendizagem das crianças apontando a ausência da família nesse processo.

Todos os professores ressaltaram que o trabalho com a psicóloga do município é muito importante, pois eles consideram que a maioria dos problemas é causada por fatores de ordem psicológica, apesar de não saberem especificar qual o problema psicológico que compromete a aprendizagem dessas crianças. Valorizando o trabalho realizado por um sujeito extra-escolar, fora da sala de aula, para reverter o problema de aprendizagem, pois consideram que o que impede, ou dificulta a aprendizagem de seus alunos é algo que está fora da sala de aula, relacionado ao próprio aluno. Em nenhum momento colocam seu trabalho como um dos fatores que possa comprometer a aprendizagem de algum de seus alunos.
Destacaram ainda que, além das atividades de reforço que eles passam para as crianças, é realizado trabalho de reforço pela diretora e coordenadora, o que consideram uma importante ajuda para o trabalho com as crianças diagnosticadas com dificuldades de aprendizagem. As atividades consistem em leitura de textos durante o período da aula, quando o aluno é chamado pela diretora ou pela coordenadora para “tomarem” a leitura dessas crianças.

Em relação à participação da família foi possível observar que, apesar das declarações dos professores nas entrevistas, as famílias de duas crianças diagnosticadas pela professora com dificuldade de aprendizagem são preocupadas com a aprendizagem de suas crianças, entretanto evidenciam que não têm condições de colaborar com a aprendizagem de seus filhos da maneira esperada pela professora e pela escola.
A mãe de Neli é muito preocupada com a filha, acompanha todos os dias até a escola, diz para se comportar, fazer tudo que a professora mandar. Fica na porta da sala até a professora chegar. (Observação Escola Sol Nascente).
Perguntei à Waléria por que ela não fazia as tarefas, e ela respondeu-me: Não sei fazer. Mas, minha mãe vai pagar aula de reforço para mim, aí eu vou dar conta de fazer. (Observação Escola Sol Nascente).
Além de a escola colocar a responsabilidade pelas dificuldades de aprendizagem no aluno, a criança e a família também o fazem. Concordam que o problema está na criança e que deve ser realizado um trabalho de reforço fora da sala de aula, ou fora da escola, por outra pessoa. Dessa forma, “hábitos de estudo e
acompanhamento em casa  tornam-se, então, indispensáveis para acompanhar a classe, uma vez que as horas diárias passadas na escola destinam-se a ouvir exposições e exercitar as noções”. (SAMPAIO, 2004, p. 102). O que indica que é com a família que o aluno conta quando tem problemas na escola. A atribuição do apoio extraescolar como responsável pela melhora da aprendizagem das crianças foi observada também por Postic (2000), em pesquisa realizada em Madri, na Espanha.
O que confirma o que Charlot afirma sobre a concepção que o aluno e, pode-se afirmar que a família tem sobre a aprendizagem. A partir de suas pesquisas, esse autor (CHARLOT, 2000, p. 29) “afirma que na perspectiva do aluno, o professor é o sujeito da aprendizagem, a ele basta que freqüente às aulas, que seja comportado e que faça tudo o que o professor ordenar” para que aconteça a aprendizagem.
Ao atribuir a responsabilidade do fracasso escolar a fatores externos à sala de aula, como os de ordem familiar, psicológica ou cultural, os professores afastam a ideia de que seu trabalho seja o um dos responsáveis pela produção das desigualdades escolares.

Deficiências culturais: comportamento dos professores Miguel (aparência bastante pobre, camiseta muito amassada e encardida),menino bastante alegre, um pouco tímido, apresenta leitura muito lenta, ao terminar de ler para a turma, se sentou e recomeçou a leitura do seu livro. Veio transferido do norte do Brasil. (Observação Escola Mundo Verde). 

Para justificar as dificuldades de aprendizagem, alguns professores mencionam as diferenças culturais existentes entre os alunos e, principalmente, entre os alunos e eles (os professores). A cultura da classe pobre interfere tanto assim? Os professores da rede pública de ensino não são também da classe popular?
Certamente esse é somente mais um argumento para responder pela responsabilidade do fracasso escolar dessas crianças. É mais uma forma de atribuir a culpa pelo fracasso escolar à própria criança vítima dessa situação. Caso as diferenças culturais fossem responsáveis por essas dificuldades, as crianças apontadas com DA teriam dificuldade em se relacionar com as outras crianças, com os professores em momentos que não fossem para resolver alguma atividade escolar. O que pode ser exemplificado com a relação que Waléria estabelece com as atividades escolares propostas pela professora e com a relação que ela estabelece com o grupo em outros momentos.
Waléria é líder na sala e no recreio. Os outros colegas vêm até ela para pedir permissão para brincar com ela, somente alguns colegas recebem a permissão. É agressiva com os colegas em outros momentos extrovertida. A mãe nunca aparece, não busca nem as avaliações. Ela não consegue escrever, consegue apenas copiar. (Observação Escola Sol Nascente). 
Outro comportamento identificado na prática pedagógica que reforça a dificuldade das crianças é o de demonstrar que o desempenho da criança não é o esperado para aquela turma. A diferença da capacidade de leitura das crianças diferencia de uma criança para outra e o professor demonstra não ser capaz de lidar com essas diferenças.
Luciano, aluno apontado como portador de DA, de cabeça baixa, treinava a leitura enquanto os outros colegas liam, sua leitura é silábica, acompanhada com o dedo sobre o texto. Ele é chamado para fazer a leitura, mas como é uma leitura muito grande e cheia de “tropeços”, o professor interrompe, dizendo que já estava bom e que pudesse se sentar. (Observação Mundo Verde).
Mesmo que o professor não tenha a consciência do que está fazendo, a criança certamente compreende que seu desempenho não é o esperado pelo professor, que demonstrou que ouvi-lo tomaria muito tempo da aula. Outra postura verificada é a de o professor preparar uma atividade para os alunos resolverem enquanto ele executa outra. 

A professora, em sua mesa ignora as dificuldades que essas crianças estão enfrentando sozinhas em suas carteiras tentando fazer o que foi solicitado. As crianças que não conseguem, nem mesmo, arriscar uma resposta ficam ainda mais solitárias porque, obviamente, elas sabem que o professor está percebendo que não estão fazendo o que foi determinado, e nem assim recebem a atenção desse professor. A dificuldade de
aprendizagem que essas crianças apresentam são consideradas de responsabilidade delas mesmas.

Um dos principais instrumentos utilizados pelos professores para preparar o conteúdo e atividades para os alunos é o livro didático. Manual que é elaborado considerando a realidade de seus autores. Os assuntos trabalhados nesses livros são bastante distantes dos alunos e professores.

Considerações Finais
Através das observações e entrevistas foi possível perceber que os professores não estabelecem uma relação pedagógica com as crianças diagnosticadas com dificuldade de aprendizagem. E que essas crianças estão distantes dos conteúdos e atividades propostas pelo professor, o que indica que as atividades são preparadas tendo como parâmetro as crianças que têm mais facilidade em desenvolvê-las.
Entretanto, outros fatores devem ser considerados antes de responsabilizar o trabalho pedagógico realizado pelo professor e pela escola, pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos. A falta de uma política educacional que priorize sanar os problemas relacionados à educação impede que um problema tão antigo quanto o sistema educacional seja solucionado: o fracasso escolar de grande parte das crianças, jovens e adultos que frequentam o ensino público.
Em decorrência do baixo salário, o professor se vê obrigado a ter jornada dupla de trabalho, o que certamente compromete tempo de planejamento, de reflexão sobre os problemas identificados e, ainda, o seu trabalho em sala de aula. Outro fator que deve ser considerado é o fato de que em sua formação inicial, os futuros professores não são preparados para lidar com a dificuldade de aprendizagem, são trabalhadas somente disciplinas que ensinam como ensinar sem considerar que em toda sala de aula terão crianças que aprendem de maneira diferente dos outros colegas, ou aprendem em ritmo diferente do restante da turma.
Há também as condições de trabalho enfrentadas nas escolas públicas. As escolas não contam com apoio pedagógico institucional, uma equipe de profissionais para auxiliar e orientar o professor no diagnóstico das crianças e no trabalho capaz de solucionar as dificuldades diagnosticadas. Em vez de encontrar esse apoio, os  professores se veem obrigados a lidarem sozinhos com salas superlotadas, com crianças que não aprendem da mesma maneira que as demais crianças. 
Por fim, outro fator que deve ser destacado é a ausência de uma cultura acadêmica e apoio financeiro que estimule o professor em sua formação continuada, oportunidade de direcionar seus estudos para os problemas encontrados em sala de aula. Ao elencar alguns fatores que influenciam na produção das dificuldades de aprendizagem das crianças não significa que a atitude docente comprometida seja considerada como a menos influente nesse processo. Apesar dos obstáculos apresentados anteriormente somente uma prática docente responsável, independente das dificuldades enfrentadas diariamente pelos professores, principalmente da rede pública de ensino, será capaz de iniciar o processo de desconstrução e reconstrução da prática docente, da relação que deve ser estabelecida entre o aluno, o professor e o saber.
Certamente essa discursso deve ser aprofundada para que o problema que assola a educação brasileira diariamente seja investigado e discutido. Dessa forma, é necessário que outros trabalhos sejam realizados com o objetivo de enriquecer esse debate.

Referências
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: edições 70, 1977.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei de diretrizes e bases da educação nacional.
Brasília, 1996.
CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Trad. Bruno
Magne. Porto Alegre: Artmed, 2000.
______. A noção de relação com o saber: bases de apoio teórico e fundamentos
antropológicos. In: ______ (Org.). Os jovens e o saber: perspectivas mundiais. Porto
Alegre: Artes Médicas, 2001, 15 – 31.
14
______. Relação com o saber, formação de professores e globalização: questões para
a educação hoje. Porto alegre: Artmed, 2005.
______. A Escola e o saber. Entrevista concedida a Pricilla Ramalho. Centro de
Educação Mário Covas. Disponível em:
<http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ent_a.php?t=006>. Acesso em: 20 out. 2006.
PATTO, Maria Helena Souza. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão
e rebeldia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.
PARO, Vitor Henrique. Reprovação escolar: renúncia à educação. 2. ed. São Paulo:
Xamã, 2003.
POSTIC Marcel. Para uma estratégia pedagógica do sucesso escolar. Porto: Porto
Editora, 1995.
SAMPAIO, Maria M. F. Um gosto amargo de escola: relações entre currículo, ensino
e fracasso escolar. São Paulo: EDUC/FAPESP, 2004.
UNESCO; MEC/INEP. Repensando a escola : um estudo sobre os desafios de
aprender, ler e escrever /coordenação de Vera Esther Ireland. – Brasília: UNESCO,
MEC/INEP, 2007.
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8 comentários:

Fernanda disse...

Olá! Gostaria de pedir a autorização da autora do artigo da postagem para que possa reproduzir para utilizar material para capacitação de professores

Jossandra Barbosa disse...

Oi Fernanda falei com a autora e ela deu autorização para reproduzir o texto em sua capacitação.

Kênia disse...

Oi! Gostaria de pedir a autorização da autora do artigo da postagem para que possa reproduzir parte do artigo com os devidos méritos à autora no meu tcc de psicopedagogia.

Kênia

Gleide do Carmo disse...

Gostei muito do artigo. Sou psicopedagoga e sei que esses assuntos só nos enriquecem para o aprendizado e para a prática através da observação no nosso desenvolvimento profissional.

Gleide do Carmo disse...

Nossa! Gostei muito do artigo. Sou psicopedagoga formada a pouco tempo e sei que esses assuntos é de grande importância para o nosso crescimento profissional através da observação para a busca da solução de cada indivíduo.
Muito bom mesmo! Parabéns!

SONIA SANTANA disse...

PARABÉNS!!! SEU BLOG É MARAVILHOSO! SUAS POSTAGENS TEM ME AJUDADO MUITO. SONIA SANTANA

Anônimo disse...

amei esse artigo, peço autorização para usa-lo no meu trabalho de psicopedagogia. obrigado

Prof Marcio disse...

como eu faço para baixar estes artigos e o livro dificuldades de aprendizagem, estou me formando neste começo deste ano em psicopedagogia, está faltando apenas os estágios que já estou começando a fazer. adorei o blog e a sua declaração sobre a ABPp, mas queria saber como posso baixar estes artigos sobre dificuldades de aprendizagem.