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Psicopedagogia Institucional

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A IMPORTANCIA DO PSICOPEDAGOGO
DENTRO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR

Juliane Feldmann 

Curso de Especialização em Psicopedagogia


Orientação: Julianne Fischer 
Instituto Catarinense de Pos-Graduação


RESUMO
Este artigo tem a finalidade de apresentar a atuacao e a importancia do Psicopedagogo dentro da instituicao escolar. A psicopedagogia e um campo de conhecimento e atuacao que lida com os problemas de aprendizagem nos seus padroes normais ou patologicos, considerando a influencia da familia, da escola e da sociedade no seu desenvolvimento e utilizando tecnicas proprias. A familia tem grande responsabilidade na educacao e na aprendizagem da crianca, sendo que a Psicopedagogia, por meio da avaliacao, pode ser necessaria. Neste sentido, a Psicopedagogia pode realizar um trabalho que congregue os muitos profissionais da educacao e a familia visando a descoberta e ao desenvolvimento das capacidades da crianca.
Palavras-chave: Psicopedagogia – Escola – Familia.
1. INTRODUÇÃO
A Psicopedagogia constitui-se em uma justaposicao de dois saberes - psicologia e pedagogia - que vai muito alem da simples juncao dessas duas palavras. Isto significa que e muito mais complexa do que a simples aglomeracao de duas palavras, visto que visa a identificar a complexidade inerente ao que produz o saber e o nao saber. E uma ciencia que estuda o processo de aprendizagem humana, sendo o seu objeto de estudo o ser em processo de construcao do conhecimento.
Surgiu no Brasil devido ao grande numero de criancas com fracasso escolar e de a psicologia e a pedagogia, isoladamente, “nao darem conta” de resolver tais fracassos. O Psicopedagogo, por sua vez, tem a funcao de observar e avaliar qual a verdadeira necessidade da escola e atender aos seus anseios, bem como verificar, junto ao Projeto Politico-Pedagogico, como a escola conduz o processo ensino-aprendizagem, como garante o sucesso de seus alunos e como a familia exerce o seu papel de parceira nesse processo.
Considerando a escola responsavel por grande parte da formacao do ser humano, o trabalho do Psicopedagogo na instituicao escolar tem um carater preventivo no sentido de procurar criar competencias e habilidades para solucao dos problemas. Com esta finalidade e em decorrencia do grande numero de criancas com dificuldades de aprendizagem e de outros desafios que englobam a familia e a escola, a intervencao psicopedagogica ganha, atualmente, espaco nas instituicoes de ensino.
O presente artigo, que surgiu da preocupacao existente com nossa pratica como educadora e de nossa crenca de que cada um constroi seus proprios conhecimentos por meio de estimulos, tem justamente o objetivo de fazer uma abordagem sobre a atuacao e a importancia do Psicopedagogo dentro da instituicao escolar.
2. A FORMAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO E A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO
No Brasil, a formacao do psicopedagogo vem ocorrendo em carater regular e oficial desde a decada de 70 em instituicoes universitarias de renome. Esta formacao foi regulamentada pelo Ministerio da Educacao e Cultura (MEC) em cursos de pos-graduacao e especializacao, com carga horaria minima de 360h. O curso deve atender as exigencias minimas do Conselho Federal de Educacao quanto a carga horaria, criterios de avaliacao, corpo docente e outras. Nao ha normas e criterios para a estrutura curricular, o que leva a uma grande diversificacao na formacao.
Os cursos de psicopedagogia formam profissionais aptos a trabalhar na area clinica e institucional, que pode ser a escolar, a hospitalar e a empresarial. No Brasil, so poderao exercer a profissao de psicopedagogo os portadores de certificado de conclusao em curso de especializacao em psicopedagogia em nivel de pos-graduacao, expedido por instituicoes devidamente autorizadas ou credenciadas nos termos da lei vigente - Resolucao 12/83, de 06/10/83 - que forma os especialistas, no caso, os entao chamados "especialistas em psicopedagogia" ou psicopedagogos.
A lei que trata do reconhecimento da profissao de psicopedagogo esta na camara dos deputados federais. Psicopedagogos elaboraram varios documentos nos anos de 1995 e 1996, explicitando suas atribuicoes, seu campo de atuacao, sua area cientifica e seus criterios de formacao academica, um trabalho que contou com a colaboracao de muitos.
O psicopedagogo possui a Associacao Brasileira de Psicopedagogia (ABPp) como elo de interlocucao. A ABPp iniciou com um grupo de estudos formado por profissionais preocupados com os problemas de aprendizagem, sendo que, atualmente, tambem busca o reconhecimento da profissao.
E do Deputado Federal Barbosa Neto o projeto de reconhecimento desse profissional (Projeto de Lei 3124/97). De inicio, o deputado propos uma sondagem entre os politicos da epoca (1996) sobre a aceitacao ou nao do futuro projeto. Nesse periodo, o MEC organizava a nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), promulgada em dezembro do mesmo ano.
A data que formalizou a entrada do Projeto de Lei e 14 de maio de 1997. Em 24 de junho desse mesmo ano, a ABPp assumiu, em visita a camara, o reiterar do projeto junto as liderancas politicas do pais, do que resultou a sua aprovacao no dia 03 de setembro de 1997 pela Comissao de Trabalho de Administracao e Servico Publico.
Apos esta aprovacao, o projeto foi encaminhado a 2? Comissao, que e a de Educacao, Cultura e Desporto, acontecendo, entao, em 18 de junho de 1998 e 06 de junho de 2000, audiencias para aprofundamento do tema. A aprovacao nessa comissao ocorreu em 12 de setembro de 2001, apos um trabalho exaustivo da relatora Marisa Serrano, do Deputado Federal Barbosa Neto e dos psicopedagogos que articularam tal discussao no Brasil.
Em 20 de setembro de 2001, houve mais um avanco politico com a aprovacao do Projeto de Lei 10891, da autoria do Deputado Estadual (SP) Claury Alves da Silva. O Projeto de Lei 10891 "autoriza o poder Executivo a implantar assistencia psicologica e psicopedagogica em todos os estabelecimentos de ensino basico publico, com o objetivo de diagnosticar e prevenir problemas de aprendizagem".
Atualmente, o Projeto de Lei que regulamenta a profissao do Psicopedagogo esta na Comissao de Constituicao, Justica e Redacao para ser aprovado. Quando aprovado, ira para o Senado onde tera que passar por tres comissoes: Trabalho, Educacao e Constituicao, Justica e Redacao para, finalmente, ser sancionado pelo Presidente da Republica.
No momento, a profissao de Psicopedagogo, tendo em vista o trabalho de outras gestoes da ABPp ( Associacao Brasileira de Psicopedagogia ) e dessa ultima, tem amparo legal no Codigo Brasileiro de Ocupacao. Isto quer dizer que ja existe a ocupacao de Psicopedagogo, porem, isso nao e suficiente. Faz-se necessario que esta profissao seja regulamentada.
3. AREAS DE ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO
O psicopedagogo pode atuar em diversas areas, de forma preventiva e terapeutica, para compreender os processos de desenvolvimento e das aprendizagens humanas, recorrendo a varias estrategias objetivando se ocupar dos problemas que podem surgir.
Numa linha preventiva, o psicopedagogo pode desempenhar uma pratica docente, envolvendo a preparacao de profissionais da educacao, ou atuar dentro da propria escola. Na sua funcao preventiva, cabe ao psicopedagogo detectar possiveis perturbacoes no processo de aprendizagem; participar da dinamica das relacoes da comunidade educativa a fim de favorecer o processo de integracao e troca; promover orientacoes metodologicas de acordo com as caracteristicas dos individuos e grupos; realizar processo de orientacao educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo.
Numa linha terapeutica, o psicopedagogo trata das dificuldades de aprendizagem, diagnosticando, desenvolvendo tecnicas remediativas, orientando pais e professores, estabelecendo contato com outros profissionais das areas psicologica, psicomotora. fonoaudiologica e educacional, pois tais dificuldades sao multifatoriais em sua origem e, muitas vezes, no seu tratamento. Esse profissional deve ser um mediador em todo esse processo, indo alem da simples juncao dos conhecimentos da psicologia e da pedagogia.
O psicopedagogo pode atuar tanto na Saude como na Educacao, ja que o seu saber visa compreender as variadas dimensoes da aprendizagem humana. Da mesma forma, pode trabalhar com criancas hospitalizadas e seu processo de aprendizagem em parceria com a equipe multidisciplinar da instituicao hospitalar, tais como psicologos, assistentes sociais, enfermeiros e medicos.
No campo empresarial, o psicopedagogo pode contribuir com as relacoes, ou seja, com a melhoria da qualidade das relacoes inter e intrapessoais dos individuos que trabalham na empresa.
4. O PSICOPEDAGOGO NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR
Diante do baixo desempenho academico, as escolas estao cada vez mais preocupadas com os alunos que tem dificuldades de aprendizagem, nao sabem mais o que fazer com as criancas que nao aprendem de acordo com o processo considerado normal e nao possuem uma politica de intervencao capaz de contribuir para a superacao dos problemas de aprendizagem.
Neste contexto, o psicopedagogo institucional, como um profissional qualificado, esta apto a trabalhar na area da educacao, dando assistencia aos professores e a outros profissionais da instituicao escolar para melhoria das condicoes do processo ensino-aprendizagem, bem como para prevencao dos problemas de aprendizagem.
Por meio de tecnicas e metodos proprios, o psicopedagogo possibilita uma intervencao psicopedagogica visando a solucao de problemas de aprendizagem em espacos institucionais. Juntamente com toda a equipe escolar, esta mobilizado na construcao de um espaco adequado as condicoes de aprendizagem de forma a evitar comprometimentos. Elege a metodologia e/ou a forma de intervencao com o objetivo de facilitar e/ou desobstruir tal processo.
Os desafios que surgem para o psicopedagogo dentro da instituicao escolar relacionam-se de modo significativo. A sua formacao pessoal e profissional implicam a configuracao de uma identidade propria e singular que seja capaz de reunir qualidades, habilidades e competencias de atuacao na instituicao escolar. A psicopedagogia e uma area que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes. Acreditamos que, se existissem nas escolas psicopedagogos trabalhando com essas dificuldades, o numero de criancas com problemas seria bem menor.
Ao psicopedagogo cabe avaliar o aluno e identificar os problemas de aprendizagem, buscando conhece-lo em seus potenciais construtivos e em suas dificuldades, encaminhando-o, por meio de um relatorio, quando necessario, para outros profissionais - psicologo, fonoaudiologo, neurologista, etc. – que realizam diagnostico especializado e exames complementares com o intuito de favorecer o desenvolvimento da potencializacao humana no processo de aquisicao do saber.
Segundo Dembo (apud FERMINO et al, 1994, p.57), "Evidencias sugerem que um grande numero de alunos possui caracteristicas que requerem atencao educacional diferenciada". Neste sentido, um trabalho psicopedagogico pode contribuir muito, auxiliando educadores a aprofundarem seus conhecimentos sobre as teorias do ensino-aprendizagem e as recentes contribuicoes de diversas areas do conhecimento, redefinindo-as e sintetizando-as numa acao educativa. Esse trabalho permite que o educador se olhe como aprendente e como ensinante.
Alem do ja mencionado, o psicopedagogo esta preparado para auxiliar os educadores realizando atendimentos pedagogicos individualizados, contribuindo para a compreensao de problemas na sala de aula, permitindo ao professor ver alternativas de acao e ver como as demais tecnicas podem intervir, bem como participando do diagnostico dos disturbios de aprendizagem e do atendimento a um pequeno grupo de alunos.
Para o psicopedagogo, a experiencia de intervencao junto ao professor, num processo de parceria, possibilita uma aprendizagem muito importante e enriquecedora, principalmente se os professores forem especialistas nas suas disciplinas. Nao so a sua intervencao junto ao professor e positiva. Tambem o e a sua participacao em reunioes de pais, esclarecendo o desenvolvimento dos filhos; em conselhos de classe, avaliando o processo metodologico; na escola como um todo, acompanhando a relacao professor e aluno, aluno e aluno, aluno que vem de outra escola, sugerindo atividades, buscando estrategias e apoio.
Segundo Bossa (1994, p.23),
[...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbacoes no processo aprendizagem, participar da dinamica da comunidade educativa, favorecendo a integracao, promovendo orientacoes metodologicas de acordo com as caracteristicas e particularidades dos individuos do grupo, realizando processos de orientacao. Ja que no carater assistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsaveis pela elaboracao de planos e projetos no contexto teorico/pratico das politicas educacionais, fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docencia e as necessidades individuais de aprendizagem da crianca ou, da propria ‘ensinagem’.
O estudo psicopedagogico atinge seus objetivos quando, ampliando a compreensao sobre as caracteristicas e necessidades de aprendizagem de determinado aluno, abre espaco para que a escola viabilize recursos para atender as necessidades de aprendizagem. Para isso, deve analisar o Projeto Politico-Pedagogico, sobretudo quais as suas propostas de ensino e o que e valorizado como aprendizagem. Desta forma, o fazer psicopedagogico se transforma podendo se tornar uma ferramenta poderosa no auxilio de aprendizagem.
5. A INTERVENÇÃO DO PSICOPEDAGOGO JUNTO A FAMÍLIA
O conhecimento e o aprendizado nao sao adquiridos somente na escola, mas tambem sao construidos pela crianca em contato com o social, dentro da familia e no mundo que a cerca. A familia e o primeiro vinculo da crianca e e responsavel por grande parte da sua educacao e da sua aprendizagem.
E por meio dessa aprendizagem que a crianca e inserida no mundo cultural, simbolico e comeca a construir seus conhecimentos, seus saberes. Contudo, na realidade, o que temos observado e que as familias estao perdidas, nao estao sabendo lidar com situacoes novas: pais trabalhando fora o dia inteiro, pais desempregados, brigas, drogas, pais analfabetos, pais separados e maes solteiras. Essas familias acabam transferindo suas responsabilidades para a escola, sendo que, em decorrencia disso, presenciamos geracoes cada vez mais dependentes e a escola tendo que desviar de suas funcoes para suprir essas necessidades.
A escola, como observa Sarramona (apud IGEA, 2005, p 19), veio ocupar uma das funcoes classicas da familia que e a socializacao: “A escola se converteu na principal instituicao socializadora, no unico lugar em que os meninos e as meninas tem a possibilidade de interagir com iguais e onde se devem submeter continuamente a uma norma de convivencia coletiva [...]”.
Considerando o exposto, cabe ao psicopedagogo intervir junto a familia das criancas que apresentam dificuldades na aprendizagem, por meio, por exemplo, de uma entrevista e de uma anamnese com essa familia para tomar conhecimento de informacoes sobre a sua vida organica, cognitiva, emocional e social.
O que a familia pensa, seus anseios, seus objetivos e expectativas com relacao ao desenvolvimento de seu filho tambem sao de grande importancia para o psicopedagogo chegar a um diagnostico.
Vale lembrar o que diz Bossa (1994, p.74) sobre o diagnostico:
O diagnostico psicopedagogico e um processo, um continuo sempre revisavel, onde a intervencao do psicopedagogo inicia, segundo vimos afirmando, numa atitude investigadora, ate a intervencao. E preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na propria intervencao, com o objetivo de observacao ou acompanhamento da evolucao do sujeito.
Na maioria das vezes, quando o fracasso escolar nao esta associado as desordens neurologicas, o ambiente familiar tem grande participacao nesse fracasso. Boa parte dos problemas encontrados sao lentidao de raciocinio, falta de atencao e desinteresse. Esses aspectos precisam ser trabalhados para se obter melhor rendimento intelectual. Lembramos que a escola e o meio social tambem tem a sua responsabilidade no que se refere ao fracasso escolar.
A familia desempenha um papel decisivo na conducao e evolucao do problema acima mencionado, pois, muitas vezes, nao quer enxergar essa crianca com dificuldades, essa crianca que, muitas vezes, esta pedindo socorro, pedindo um abraco um carinho, um beijo e que nao produz na escola para chamar a atencao para o seu pedido, a sua carencia. Esse vinculo afetivo e primordial para o bom desenvolvimento da crianca.
Concordamos com Souza (1995, p.58) quando diz que [...]
fatores da vida psiquica da crianca podem atrapalhar o bom desenvolvimento dos processos cognitivos, e sua relacao com a aquisicao de conhecimentos e com a familia, na medida em que atitudes parentais influenciam sobremaneira a relacao da crianca com o conhecimento.
Sabemos que uma crianca so aprende se ela tem o desejo de aprender. E para isso e importante que os pais contribuam para que ela tenha esse desejo.
Existe um desejo por parte da familia quando a crianca e colocada na escola, pois da crianca e cobrado que seja bem-sucedida. Porem, quando esse desejo nao se realiza como esperado, surgem a frustracao e a raiva que acabam colocando a crianca num plano de menos valia, surgindo, dai, as dificuldades na aprendizagem. Para Boszormeny (apud Polity, 2000), uma crianca pode desistir da escola porque aceita uma responsabilidade emocional, encarregando-se do cuidado de algum membro da familia. Isso se produz, em resposta a depressao da mae e da falta de disponibilidade emocional do pai que, de maneira inconsciente, ratifica a necessidade que tem a esposa, que seu filho a cuide.
A intervencao psicopedagogica tambem se propoe a incluir os pais no processo, por intermedio de reunioes, possibilitando o acompanhamento do trabalho realizado junto aos professores. Assegurada uma maior compreensao, os pais ocupam um novo espaco no contexto do trabalho, abandonando o papel de meros espectadores, assumindo a posicao de parceiros, participando e opinando.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A profissao do psicopedagogo nao esta regulamentada, mas se encontra na Comissao de Constituicao, Justica e Redacao, na Camara dos Deputados Federais, para ser aprovada. Enquanto isso, a formacao do psicopedagogo vem ocorrendo em carater regular e oficial em cursos de pos-graduacao oferecidos por instituicoes devidamente autorizadas ou credenciadas.
A psicopedagogia surgiu da necessidade de melhor compreensao do processo de aprendizagem, comprometido com a transformacao da realidade escolar, na medida em que possibilita, mediante dinamicas em sala de aula, contemplar a interdisciplinaridade, juntamente com outros profissionais da escola. O psicopedagogo estimula o desenvolvimento de relacoes interpessoais, o estabelecimento de vinculos, a utilizacao de metodos de ensino compativeis com as mais recentes concepcoes a respeito desse processo. Procura envolver a equipe escolar, ajudando-a a ampliar o olhar em torno do aluno e das circunstancias de producao do conhecimento, ajudando o aluno a superar os obstaculos que se interpoem ao pleno dominio das ferramentas necessarias a leitura do mundo.
A aprendizagem humana e determinada pela interacao entre o individuo e o meio, da qual participam os aspectos biologicos, psicologicos e sociais. Dentro dos aspectos biologicos, a crianca apresenta uma serie de caracteristicas que lhe permitem, ou nao, o desenvolvimento de conhecimentos. As caracteristicas psicologicas sao consequentes da historia individual, de interacoes com o ambiente e com a familia, o que influenciara as experiencias futuras, como, por exemplo, o conceito de si proprio, inseguranca, interacoes sociais, etc.
Nesse contexto, e pertinente concluir que
e fundamental que a crianca seja estimulada em sua criatividade e que seja respondida as suas curiosidades por meio de descobertas concretas, desenvolvendo a sua auto-estima, criando em si uma maior seguranca, confianca, tao necessaria a vida adulta;
e preciso que os pais se impliquem nos processos educativos dos filhos no sentido de motiva-los afetivamente ao aprendizado. O aprendizado formal ou a educacao escolar, para ser bem-sucedida nao depende apenas de uma boa escola ou de bons programas, mas, principalmente, de como a crianca e tratada em casa e dos estimulos que recebe para aprender;
e preciso entender que o aprender e um processo continuo e nao cessa quando a crianca esta em casa. As mudancas politicas, sociais e culturais sao referenciais para compreender o que acontece nas escolas e no sistema educacional.
O psicopedagogo deve saber interpretar e estar inteirado com essas mudancas para poder agir e colaborar, preocupando-se com que as experiencias de aprendizagem sejam prazerosas para a crianca e, sobretudo, que promovam o desenvolvimento.
Portando, a psicopedagogia, pode fazer um trabalho entre os muitos profissionais, visando a descoberta e o desenvolvimento das capacidades da crianca, bem como pode contribuir para que os alunos sejam capazes de olhar esse mundo em que vivem, de saber interpreta-lo e de nele ter condicoes de interferir com seguranca e competencia. Assim, o psicopedagogo nao so contribuira com o desenvolvimento da crianca, como tambem contribuira com a evolucao de um mundo que melhore as condicoes de vida da maioria da humanidade.
7. REFERÊNCIAS BRASIL.
Projeto de Lei 10.891. Disponivel em http://www.psicopedagogiaonline.com.br. Acesso em 25 de julho de 2005.
BOSSA, Nadia. A Psicopedagogia no Brasil: contribuicoes a partir da pratica. Porto Alegre: Artes Medicas Sul, 1994.
FERMINO, Fernandes Sisto; BORUCHOVITH, Evely; DIEHL, Tolaine Lucila Fin. Dificuldades de aprendizagem no contexto psicopedagogico. Petropolis, RJ: Vozes, 2001. IGEA, Benito del Rincon e colaboradores. Presente e futuro do trabalho psicopedagogico. Porto Alegre : Artmed, 2005.
POLITY, E. Pensando as dificuldades de aprendizagem a luz das relacoes familiares. Disponivel em http://www.psicopedagogiaonline.com.br. Acesso em 18 de junho de 2005.
SOUZA, Audrey Setton Lopes. Pensando a inibicao intelectual:perspectiva psicanalitica e proposta diagnostica. Sao Paulo: Casa do Psicologo, 1995.
Original publicado em : http://www.julianefeldmann.com.br/artigos01.html


A CONTRIBUIÇÃO DO PSICOPEDAGOGO NO 
CONTEXTO ESCOLAR
Por: Matheus Soares -Especialista em Psicopedagogia e Educação Especial Inclusiva.
 e Clério Cezar Batista Sena( Mestre em Educação: Psicologia da Educação.


O objetivo do artigo consiste em ressaltar a importância do psicopedagogo na escola. A 
Psicopedagogia constitui-se, a princípio em uma composição de dois saberes - psicologia e 
pedagogia, pois trata-se de uma ciência que estuda o processo de aprendizagem humana, 
sendo o seu objeto de estudo o ser em processo de construção e reconstrução do 
conhecimento.  Cada vez mais se faz  necessário inserir o psicopedagogo na instituição 
escolar, já que seu papel é analisar e assinalar os fatores que favorecem, intervém ou 
prejudicam uma boa aprendizagem em uma instituição. O papel da Psicopedagogia e da 
Educação é o de instituir caminhos entre os opostos que liguem o saber e o não saber e estas 
ações devem acontecer no âmbito do indivíduo, do grupo, da instituição e da comunidade, 
visando a aprendizagem e, portanto, é também tarefa da Psicopedagogia.
Palavras-chave: aprendizagem, instituição escolar, psicopedagogo.
1.   INTRODUÇÃO
O presente estudo está centrado na contribuição do psicopedagogo no contexto 
escolar, isto é, por meio de uma atuação diferenciada e pautada na formação do cidadão de 
uma forma global. Neste processo de busca e reflexão faz-se necessário uma importante 
indagação: Qual é o real papel do psicopedagogo no contexto escolar?
2
trabalho diferenciado em cada unidade escolar com os alunos que apresentam sérias 
dificuldades de aprendizagem ao decorrer da Educação Básica.
É importante também reconhecer as mudanças que têm ocorrido nas diversas fases de 
desenvolvimento da criança, pois a infância e a adolescência já requerem novos olhares por 
parte dos educadores, psicopedagogos, psicólogos e pediatras. Diante da realidade já citada é 
primordial de que haja uma reflexão a respeito do processo da qualidade da educação e a 
contribuição de outros profissionais neste processo. 
Nesse sentido, é extremamente relevante um trabalho de estudo e análise que reflita 
sobre a função e a contribuição de um psicopedagogo no contexto escolar, ou seja, diante do 
desafio de se lidar com as dificuldades de aprendizagem.
É importante ressaltar a psicopedagogia como complemento, que é a ciência nova que 
estuda o processo de aprendizagem e dificuldades, muito tem contribuído para explicar a 
causa das dificuldades de aprendizagem, pois tem como objetivo central de estudo o processo 
humano do conhecimento: seus padrões evolutivos normais e patologias bem como a 
influência (família, escola, sociedade) no seu desenvolvimento (SCOZ, 1992).
Portanto, diante das sérias dificuldades de aprendizagem dos educandos é muito 
importante a atuação psicopedagógica nas escolas.
Hoje no Brasil só poderão exercer a profissão de psicopedagogo os portadores de 
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certificado de conclusão em curso de especialização em psicopedagogia em nível de pósgraduação, expedido por instituições devidamente autorizadas ou credenciadas nos termos da 
lei vigente - Resolução 12/83, de 06/10/83 - que forma os especialistas, no caso, os então 
chamados "especialistas em psicopedagogia" ou “psicopedagogos”. 
Atualmente, a profissão de Psicopedagogo, tendo em vista o trabalho de outras gestões 
da  ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia ) e dessa última, tem amparo legal no 
Código Brasileiro de Ocupação, ou seja, já existe a ocupação de Psicopedagogo, todavia, isso 
não é suficiente. A profissão ainda precisa ser regulamentada, isto é, trata-se de mais um 
desafio a ser enfrentado.

2. O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NA SOCIEDADE 
O psicopedagogo pode atuar em diversas áreas, de forma preventiva e terapêutica, para 
compreender os processos de desenvolvimento e das aprendizagens humanas, recorrendo a 
várias estratégias objetivando se ocupar dos problemas que podem surgir.
O psicopedagogo pode desempenhar uma prática docente, envolvendo a preparação de 
profissionais da educação, ou atuar dentro da própria escola. Cabe também ao profissional 
detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem; participar da dinâmica das 
relações da comunidade educativa a fim de favorecer o processo de integração e troca; 
3
promover orientações metodológicas de acordo com as características dos indivíduos e 
grupos; realizar processo de orientação educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma 
individual quanto em grupo.
De acordo com Gonçalves (2002, p.42) “as  relações com o conhecimento, a 
vinculação com a aprendizagem, as significações contidas no ato de aprender, são estudados 
pela Psicopedagogia a fim de que possa contribuir para a análise e reformulação de práticas 
educativas e para a ressignificação de atitudes subjetivas”. 
O estudo psicopedagógico atinge seus objetivos quando, ampliando a compreensão 
sobre as características e necessidades de aprendizagem de determinado aluno, abre espaço 
para que a escola viabilize recursos para atender às necessidades de aprendizagem. Para isso, 
deve analisar o Projeto Político-Pedagógico, sobretudo quais as suas propostas de ensino e o 
que é valorizado como aprendizagem.  Vale ressaltar  de que o fazer psicopedagógico se 
transforma podendo se tornar uma ferramenta poderosa no auxílio de aprendizagem.
Cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, 
participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, 
promovendo orientações  metodológicas de acordo com as características e 
particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que 
no caráter assistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela 
elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais, 
fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel 
da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da 
criança ou, da própria ensinagem. (BOSSA, 1994, p 23).
A Psicopedagogia já vem atuando com muito sucesso nas diversas Instituições, sejam 
escolas, hospitais e empresas. A aprendizagem deve ser olhada como a atividade de 
indivíduos ou grupos humanos, que mediante a incorporação de informações e o 
desenvolvimento de experiências, promovem modificações estáveis na personalidade e na 
dinâmica grupal as quais revertem no manejo instrumental da realidade.

2.1 O APOIO DA FAMÍLIA NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
A família desempenha um papel primordial no processo de aprendizagem dos alunos, 
pois muitas vezes os pais não querem enxergar a criança com as suas dificuldades. O vínculo 
afetivo é primordial para o bom desenvolvimento da criança. A atuação psicopedagógica se 
propõe a incluir os pais no processo de desenvolvimento dos seus filhos, por intermédio de 
reuniões e possibilitando o acompanhamento do trabalho realizado junto aos professores. 
Os pais quando colocam os seus filhos na escola desejam que elas sejam bem 
sucedidas e por isso quando este desejo não se realiza como esperado, surge a frustração, 
rotulando muitas vezes a criança como incapaz, surgindo consequentemente as dificuldades 
na aprendizagem. 
De acordo com Polity (2000), uma criança pode desistir da escola porque aceita uma 
responsabilidade emocional, encarregando-se do cuidado de algum membro da família. Isso 
se produz, em resposta à depressão da mãe e da falta de disponibilidade emocional do pai que, 
de maneira inconsciente, ratifica a necessidade que tem a esposa, que seu filho a cuide.
As crianças que apresentam dificuldades na escola, na compreensão de novas 
habilidades, estão correndo o risco de terem problemas nas diferentes áreas escolares e na 
vida em geral, no seu desenvolvimento cognitivo, social e afetivo, como um todo. Tais 
dificuldades são de grande importância, pois os problemas entre o potencial da criança e a sua 
execução, devem ser avaliados com cuidado por um profissional especializado em 
dificuldades de aprendizagem. Se ao papel da família acrescentássemos o papel da escola 
teríamos a formação de uma rede, pois ambas são responsáveis tanto pela aprendizagem como 
pela não-aprendizagem do sujeito. 
Cada ser humano apresenta uma história diferente, uma necessidade diferente, uma 
expectativa diferente quando se relaciona com o outro, inclusive com o professor. Por sua vez, 
o professor em sala de aula não vê o aluno com o mesmo olhar de outro professor. 
Nesta perspectiva ao psicopedagogo cabe saber como se constitui o sujeito, como este 
se transforma em suas diversas etapas de vida, quais os recursos de conhecimento de que ele 
dispõe e a forma pela qual produz conhecimento e aprende. É preciso, também, que o 
psicopedagogo saiba o que é ensinar e o que é aprender; como interferem os sistemas e 
métodos educativos; os problemas estruturais que intervêm no surgimento dos transtornos de 
aprendizagem e no processo escolar.

3. O EDUCADOR E O EDUCANDO: A PRÁTICA DOCENTE SOBRE O 
OLHAR PSICOPEDAGÓGICO
Cada criança tem o processo de desenvolvimento diferente, algumas aprendem com 
maior facilidade enquanto outras aprendem mais devagar. E nesse momento que é de 
fundamental importância que o professor analise individualmente cada criança para poder 
adequar os conteúdos conforme a necessidade de cada um.
As mudanças de estratégias de ensino podem contribuir para que todos aprendam. Em 
alguns casos, as estratégias de ensino não estão de acordo com a realidade do aluno.
A prática do professor em sala de aula é decisiva no processo de desenvolvimento dos 
educandos. Esse talvez seja o momento do professor rever a metodologia utilizada para 
ensinar seu aluno, através de outros métodos ou atividades ele poderá detectar quem 
realmente está com dificuldade de aprendizagem, evitando os rótulos muitas vezes colocados 
erroneamente, que prejudicam a criança trazendo-lhe várias conseqüências, como a baixaestima e até mesmo o abandono escolar. “O que é ensinado e aprendido inconscientemente 
tem mais probabilidade de permanecer”. (COELHO, 1999 p.12).  

Assim, deve-se propiciar um ambiente favorável à aprendizagem, ou seja, em que 
sejam trabalhadas também a auto-estima, a confiança, o respeito mútuo e a valorização do 
aluno. 
Ao entrarmos em contato com a Psicopedagogia, percebemos, a partir das leituras e 
estudos, principalmente dos escritos de Alícia Fernández, que: “ser ensinante significa abrir 
um espaço para aprender. Espaço objetivo e subjetivo em que se realizam dois trabalhos 
simultâneos: a construção de conhecimentos e a construção de si mesmo, como sujeito 
criativo e pensante”. (FERNÁNDEZ, 2001, p.30).
Portanto, ensinar e aprender são processos interligados. Não podemos pensar em um, 
sem estar em relação ao outro. Ainda segundo Fernandez (2001, p.29), “entre o ensinante e o 
aprendente, abre-se um campo de diferenças onde se situa o prazer de aprender”. Ensinantes 
são os pais, os irmãos, os tios, os avós e demais integrantes da família, como também, os 
professores e companheiros da escola.
De acordo com Sena, Conceição e Vieira (2004), o processo de ressignificação da 
prática pedagógica se constrói por meio de um processo que se efetiva pela reflexão criticoreflexiva do professor sobre seu próprio trabalho, isto é, a partir da base do contexto educativo 
real, nas necessidades reais dos sujeitos, nos problemas e dilemas relativos ao ensino e à 
aprendizagem.
O professor não apenas transmite os conhecimentos ou faz perguntas, mas também 
ouve o aluno, deve dar-lhe atenção e cuidar para que ele aprenda a expressar-se, a expor suas opiniões.
Segundo Firmino (2001) as evidências sugerem que um grande número de alunos 
possui características que requerem atenção educacional diferenciada. Neste sentido, um 
trabalho psicopedagógico pode contribuir muito, auxiliando educadores a aprofundarem seus 
conhecimentos sobre as teorias do ensino e aprendizagem e as recentes contribuições de 
diversas áreas do conhecimento, redefinindo-as e sintetizando-as numa ação educativa.

4. O PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL: O SEU PAPEL NO 
PLANEJAMENTO ESCOLAR
O papel da Psicopedagogia no planejamento escolar é refletir sobre as ações 
pedagógicas e suas interferências no processo de aprendizagem do aluno. Neste momento, 
devemos ter cuidado para que a reunião não se resuma à execução de situações ditas 
pedagógicas e pautadas na mera reprodução de encontros anteriores. É importante que fique 
claro que, ao avaliar, o professor não deve prestar atenção somente no aluno e sim na 
aprendizagem. Para isso, ele não precisa necessariamente fazer uso de testes e provas. Mas 
das atividades de sala de aula como: trabalhos em grupo, exercícios, projetos e a observação do 
professor, podem revelar muito sobre a aprendizagem dos educandos, que as simples provas ou 
testes. 
6
O conceito de planejamento é algo bem amplo que pode ser compreendido de várias 
formas sendo que também pode ser compreendido como o define Vasconcellos (2000, p. 79):
O planejamento enquanto construção-transformação de representações  é uma 
mediação teórica metodológica para ação, que em função de tal  mediação passa a 
ser consciente e intencional. Tem por finalidade procurar fazer algo vir à tona, fazer 
acontecer, concretizar, e para isto é necessário estabelecer as condições objetivas e 
subjetivas prevendo o desenvolvimento da ação no tempo.
As escolas enfrentam um grande desafio: lidar com as dificuldades de aprendizagem e 
ao mesmo tempo traçar uma proposta de intervenção capaz de contribuir para a superação dos 
problemas de aprendizagem dos alunos. Dessa forma, defende-se a importância do 
Psicopedagogo Institucional, como um profissional qualificado, que se baseia principalmente 
na  observação e análise profunda de uma situação concreta, no sentido de não apenas 
identificar possíveis perturbações no processo de aprendizagem, mas para promover 
orientações didático-metodológicas no espaço escolar de acordo com as características dos 
indivíduos e grupos.
Aprender é o resultado da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente. 
O professor é co-autor do processo de aprendizagem dos alunos e por isso, o conhecimento é 
construído e reconstruído continuamente. O conhecimento como cooperação, criatividade e 
criticidade estimula a liberdade e a coragem para transformar, sendo que o aprendiz se torna 
no sujeito ator como protagonista da sua aprendizagem.  O professor exerce a sua habilidade 
de mediador das construções de aprendizagem. Mediar é intervir para promover mudanças. 
A participação do professor, por inteiro, (corpo, organismo, inteligência e desejo) 
nessa relação, na sala de aula, no processo ensino-aprendizagem demanda a 
participação dos alunos também por inteiro. O organismo, transversalizado pela 
inteligência e o desejo, irá se mostrando em um corpo, e é deste modo que intervém 
na aprendizagem, já  corporizado. (FERNÁNDEZ, 1990, p.62).
Ainda segundo Fernández (1991) todo o indivíduo tem a sua modalidade de 
aprendizagem, ou seja, meios, condições e limites para conhecer. Cada ser humano é uma 
criação única, possuem uma série de talentos, capacidades e maneiras de aprender. Cada um 
apóia em diferentes sentidos para captar e organizar a informação, para aproximar dos objetos 
de conhecimento, quando menciona em objeto refere-se a tudo o que é conhecido como nãoeu. 
O educador deve promover a aprendizagem significativa, incentivando as habilidades 
de seus aprendizes e mostrando para cada um deles a sua verdadeira potencialidade. As 
dificuldades encontradas no percurso servirão para torná-los fortes e capazes de transformar o 
mundo em que vivem. 
7
Esta jornada pode ser muito prazerosa e surpreendente, pois cada um poderá contribuir 
para a aprendizagem do outro. É impossível ensinar liberdade por meio de uma didática 
centrada no "eu do professor", já que todos são únicos, possuem as suas próprias habilidades e 
podem aprender.
Nesta perspectiva, refletir sobre a importância do direito de aprender e da necessidade 
de um psicopedagogo na instituição escolar é algo essencial no planejamento escolar, isto é, 
para que os professores e toda comunidade escolar possam pensar na busca por parcerias e até 
mesmo na regulamentação de um psicopedagogo qualificado na unidade escolar. Libâneo 
(1994, p. 222) afirma que:
A ação de planejar, portanto, não se reduz ao simples preenchimento de formulários 
para controle administrativo, é, antes, a atividade consciente da previsão das ações 
político – pedagógicas, e tendo como  referência permanente às situações didáticas 
concretas (isto é, a problemática social, econômica, política e cultural) que envolve a
escola, os professores, os alunos, os pais, a comunidade, que integram o processo de 
ensino.
Contribuir para o crescimento do processo da aprendizagem e auxiliar no que diz 
respeito a qualquer dificuldade em relação ao rendimento escolar, também é do âmbito da 
psicopedagogia, assim como dos educadores em geral. Isso significa que ter conhecimento de 
como o aluno constrói seu saber, compreender as dimensões das relações com a escola, com 
os professores, com o conteúdo e relacioná-los aos aspectos afetivos e cognitivos, permitirá 
uma atuação mais precisa, segura e eficaz por parte de todos que são responsáveis 
diretamente pela aprendizagem de nossos alunos.
Segundo Bossa (2000),  a presença de um psicopedagogo no contexto escolar é 
essencial, ou seja, ele tem muito que fazer na escola. A sua intervenção inclui: 
•  Orientar os pais;
•  Auxiliar os educadores e conseqüentemente à toda comunidade aprendente;
•  Buscar instituições parceiras (envolvimento com toda a sociedade);
•  Colaborar no desenvolvimento de projetos (Oficinas psicopedagógicas);
•  Acompanhar a implementação e implantação de nova proposta   metodológica de 
ensino;
•  Promover encontros socializadores entre corpo docente,  discente, coordenadores, 
corpo administrativo e de apoio e dirigentes.
O papel da psicopedagogia na formação de educadores que atuam diretamente com o 
aluno é primordial no contexto escolar e consiste em prepará-los para lidar com as 
dificuldades de  aprendizagem com muita segurança. A didática com um olhar 
psicopedagógico inserida na sala de aula pode contribuir para uma aprendizagem realmente 
significativa. Quando o educando se percebe como um personagem protagonista neste 
processo de aprendizagem, o desejo de aprender é muito maior. 
A didática com um olhar psicopedagógico nos faz refletir também sobre a interrelação professor-aluno. O educador também faz parte de um processo de participação, 
8
integração, entrega e superação. O ato de planejar, assim assumido, deixará de ser um simples 
estruturar de meios e recursos, para tornar-se o momento de decidir sobre a construção de um 
futuro e principalmente, de quebrar paradigmas. O desafio está lançado: A profissão precisa 
ser regulamentada e consequentemente, tenhamos Psicopedagogos qualificados nas unidades 
escolares de todo o país.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O psicopedagogo é extremamente importante na instituição escolar, pois este 
profissional estimula o desenvolvimento de relações interpessoais, o estabelecimento de 
vínculos, a utilização de métodos de ensino compatíveis com as mais recentes concepções a 
respeito desse processo. 
Procura envolver a equipe escolar, ajudando-a a ampliar o olhar em torno do aluno e 
das circunstâncias de produção do conhecimento, ajudando o aluno a superar os obstáculos 
que se interpõem ao pleno domínio das ferramentas necessárias à leitura do mundo. 
Portanto, o profissional da Psicopedagogia propõe e auxilia no desenvolvimento de 
projetos favoráveis às mudanças educacionais, visando à descoberta e o desenvolvimento das 
capacidades da criança, bem como pode contribuir para que os alunos sejam capazes de olhar 
esse mundo em que vive de saber interpretá-lo e de nele ter condições de interferir com 
segurança e competência. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOSSA, Nádia. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto
Alegre: Artes Médicas Sul, 1994.
________________. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. Porto
Alegre: ARTMED, 2000.
COELHO, Maria Teresa. Problemas de Aprendizagem. Editora Ática, 1999.
FERMINO, Fernandes Sisto; BORUCHOVITH, Evely; DIEHL, Tolaine Lucila Fin.
Dificuldades de aprendizagem no contexto psicopedagógico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001
9
FERNANDES, Alícia. A inteligência Aprisionada. Porto Alegre: Artmed, 1990.
______________. Os Idiomas do Aprendente: Análise de modalidades ensinantes em
famílias, escolas e meios de comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2001.
LIBÂNEO, José Carlos, Didática. São Paulo. Editora Cortez. 1994.
POLITY, Elizabeth. Pensando as dificuldades de aprendizagem à luz das relações
familiares. Disponível em http://www.psicopedagogiaonline.com.br. Acesso em 11 de
novembro de 2011.
SCOZ, B. Psicopedagogia e Realidade Escolar. Campinas: Vozes, 1996.
SENA, Clério Cezar Batista, CONCEIÇÃO, Luiz Mário da e VIEIRA, Mariza Cruz. O
educador reflexivo: registrando e refletindo. Recife, Ed. Doxa - 2004.
VASCONCELLOS, Celso dos S: Planejamento Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto
Político-Pedagógico Ladermos Libertad-1. 7º Ed. São Paulo, 2000

15 de outubro

ATENDIMENTO PSICOPEDAGÓGICO NO ENSINO SUPERIOR BUSCANDO CONDIÇÕES PARA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

Por: Angela Cristina Munhoz Maluf
Psicopedagoga e Mestre em Educação
Introdução
O ser humano é um ser pensante, que constrói o seu próprio saber, portanto as dificuldades no aprendizado estão ligadas ao sujeito aprendiz como um todo. O psicopedagogo é capaz de tentar descobrir e avaliar os obstáculos na construção do conhecimento do estudante no ensino superior, utilizando meios para que os mesmos criem e utilizem estratégias de aprendizagem visando aprendizagem significativa (totalizante) e um melhor desempenho acadêmico e nas diferentes situações de vida.

A aprendizagem é um processo de construção de conhecimento, não de recordar ou de repetir mecanicamente conhecimentos, é um conhecimento dependente, enquanto as pessoas utilizam seus próprios conhecimentos para construir conhecimento novo. A aprendizagem está influenciada pelo contexto no qual está inserida.

Vygotsky (1984) é o que apresenta maior contribuição no entendimento do complexo processo de aprendizagem humana. Ele propõe o interacionismo, que é baseado em uma visão de desenvolvimento apoiada na concepção de um organismo ativo, onde o pensamento é construído gradativamente em um ambiente histórico e, em essência, social. A interação social possui um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e toda função no desenvolvimento cultural de um sujeito aparece primeiro no nível social, entre pessoas, e depois no nível individual, dentro dele próprio.

Segundo Rogers (1988), o aluno aprende, não simplesmente por ser exposto a toda forma de conhecimento, mas quando este entende que os fatos apreendidos são considerados relevantes para o seu crescimento como pessoa, ou seja, somente quando os seus pensamentos, sentimentos e comportamentos se modificam profundamente em conseqüência do que aprendeu, Rogers denominou como aprendizagem significativa.

Ainda de acordo com Rogers (1988), a aprendizagem significativa é mais do que uma acumulação de fatos. É uma aprendizagem que provoca uma mudança, quer seja no comportamento do sujeito, na direção futura que propôs ou nas suas ações e personalidade. É uma aprendizagem intensa, que não se restringe a um acréscimo de informações, mas que se adentra intensamente em todos os elementos da sua vivência.

Ausubel (1978), valorizava mais o cognitivo que faz com a pessoa cresça e se desenvolva como um todo. Segundo ele,

No processo de aprendizagem significativa é essencial a interação entre idéias, que podem ser expressas, simbolicamente, de modo não-arbitrário e substantivo, isto é, não-literal, com aspectos específicos já presentes na estrutura cognitiva do indivíduo. Assim, o conhecimento que o aluno possui - conhecimentos prévios - é o fator isolado mais importante que influenciará na aprendizagem subseqüente (Ausubel, 1978: 56).

Aprendizagem significativa na Instituição do Ensino Superior pressupõe troca de informações, disponibilidade para resolver problemas e aprender assuntos novos, articulação entre o que se sabe e o que se está aprendendo. E pressupõe que os conhecimentos vão ganhando sentido quando são experimentados em contextos reais, na interação com as práticas sociais. Cremos que as aprendizagens significativas compartilhadas são integrações construtivas de pensamentos, sentimentos e ações.

De acordo com Ausubel (1978), para haver aprendizagem significativa é preciso haver duas condições:
a) o educando precisa ter uma disposição para aprender: se o educando quiser memorizar a atividade arbitrariamente e literalmente, então a aprendizagem será mecânica;
b) a atividade a ser aprendida tem que ser potencialmente significativa: significado lógico e significado psicológico. Logicamente o significado lógico depende somente da natureza da atividade, e o significado psicológico é uma experiência que cada educando tem. Cada educando faz uma filtragem das atividades que têm significado ou não para si próprio.

A importância da aprendizagem dos processos cognitivos e a implementação de técnicas capazes de favorecer uma aprendizagem deveras significativa revelam-se em todos os domínios abarcados pela escola. Quanto maior for o conhecimento dos modos de representação do saber e dos processos cognitivos, quanto maior for a consciência dos educandos neste processo, tanto mais terão vontade de aprender, tanto mais serão capazes de encarar a Instituição como a continuação da sua casa, do seu meio ambiente.

De fato, quando a Instituição for capaz de ter em conta o capital cognitivo e sócio-cultural de cada educando como vertente fundamental da gestão e desenvolvimento curricular, quando for capaz de esbater os conhecimentos meramente acadêmicos e estereotipados, privilegiando saberes da vida e preparadores para a mesma, então certamente estará a fundamentar conhecimentos significativos, a potencializar transferências que tornarão as aprendizagens cada vez mais significativas; estará, numa palavra, a minimizar o insucesso. Estará, em outra palavra, maximizando o sucesso.

Conhecimentos e informações obsoletas cuja única finalidade é uma memorização sem significado devem deixar de fazer parte da proposta de trabalho do educador e serem amplamente substituídas por conhecimentos verdadeiramente significativos para a vida do aluno para sua formação integral, holística.

Segundo Masini (1984) a aprendizagem significativa é a aprendizagem Totalizante, entendida no sentido do conjunto de possibilidades próprias de cada ser humano, na sua unidade manifesta e cada situação.De acordo com o autor falamos em aprendizagem totalizante estamos nos referindo a:

1- Experiência global da qual participa a psique (aspecto afetivo, cognitivo) e envolve autopercepção e auto-avaliação (elaboração pessoal) de uma situação ou informação.

2- Um modo de ser, relacionar-se com as coisas e com os outros, de um ser que tem a possibilidade de compreender para organizar o que está o que está ao seu redor e agir segundo essa organização.

A função do psicopedagogo no atendimento psicopedagógico no Ensino Superior é de prevenir como intervir nos processos cognitivos, emocionais,sociais, culturais, orgânicos e pedagógicos do acadêmico, oferecendo ao mesmo suporte, atuando sobre os múltiplos fatores que possam estar interferindo, no seu desenvolvimento integral, nas questões ligadas a aprendizagem. Como também oferecer subsídios para que os docentes trabalhem com os acadêmicos em sala de aula, assumindo transformações necessárias, e buscando sempre soluções apropriadas ás demandas emergentes.

Objetivos

Desenvolver competências dos acadêmicos que possam apresentar dificuldades de aprendizagem;
Oferecer suporte necessário a docentes e acadêmicos, para um melhor aproveitamento no processo ensino-aprendizagem;
Acompanhar o desempenho do acadêmico, a evasão escolar e índices de aproveitamento;
Mediar situações que envolvam o relacionamento do acadêmico com os demais profissionais da Instituição;
Compreender o acadêmico como ele é, na riqueza do seu sentir, pensar e agir, com suas próprias características, lidando com o que ele revela em todas as suas referências qualitativamente significativas.
Metodologia
O atendimento psicopedagógico compreenderá 2 sessões, que terão duração em média de 40 a 60 minutos e serão previamente agendadas dentro dos horários disponibilizados pelas coordenações dos cursos. O atendimento poderá ser individual ou grupal. Quando se refere ao individual, poderá ser para acadêmicos e educadores, no contexto do dia-a-dia que possam estar influenciando no desenvolvimento pessoal, profissional ou acadêmico. E quando se refere ao atendimento grupal, poderá ser para pequenos grupos (6 alunos) com dificuldades já detectadas anteriormente em triagens. O atendimento psicopedagógico será realizado por meio de entrevistas e aplicação de instrumentos formais, como também a conscientização do acadêmico de suas dificuldades e caso for imprescindível, o encaminhamento para outros profissionais como: psicólogos, médicos, oftalmologistas, entre outros. 
É necessário que se registre cada atendimento psicopedagógico e neste registro deverá constar, situações analisadas e soluções para os docentes acompanharem as diferentes maneiras do acadêmico lidar com a aprendizagem, suas condições e as implicações das atitudes do docente, estratégias para o mesmo trabalhar em sala de aula, numa proposta teoricamente fundamentada, além do motivo de encaminhamentos para outros profissionais, assinatura (coordenador de curso), um breve parecer do psicopedagogo e orientação para continuidade do atendimento, quando necessário.

Resultado
Objetivamos chegar a um resultado convicto que leve o acadêmico a ter consciência da sua dificuldade e poder transforma-la. O psicopedagogo enriquecerá e trará para o mundo vivencial e experimental do acadêmico, formas criativas para desenvolver o aumento da sua auto-estima, segurança, criatividade, maior autonomia, mobilidade em tomar decisões,flexibilidade no pensamento, maior responsabilidade para a sua própria aprendizagem, fortifica o seu desejo de aprender, coloca em evidência o que facilita e impede a sua Aprendizagem Significativa nas situações do cotidiano acadêmico. Quanto aos docentes, se conscientizarão em estar mais abertos para que os acadêmicos se revelem.

Conclusão
Numa instituição de Ensino Superior, o psicopedagogo também poderá encontrar resistências por parte dos docentes, pois o atendimento psicopedagógico no Ensino Superior vai sempre exigir reflexão sobre a ação do docente. Isto não é fácil pois envolve mudanças de atitudes e modo de pensar dos docentes. O estudo aqui apresentado, mostra que esta proposta é viável, com o propósito do acadêmico aprender de forma significativa, (totalizante), pois os docentes podem tornar viva a disciplina a ser ensinada, aproveitando a riqueza das experiências de vida dos acadêmicos.

Referências

AUSUBEL, Davi P. Psicologia educativa: um punto de vista cognitivo. México: Trillas. 1978.
BOMTEMPO, E. Aprendizagem em Witter, G. P. E Romeraça, T. F. Psicologia da Aprendizagem. E. EPU, 1987.
FREIRE, Paulo. ___________ Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 15ª ed, São Paulo. Paz e Terra. 2000.
MASINI Elcie F. Salzano (org) Edna Maria Santos, Helena Etsuko Shirahige-Psicopedagogia na Escola- Buscando condições para a aprendizagem significativa 1993
___________ Aconselhamento escolar: uma proposta alternativa. São Paulo, ed Loyola, 1984.
ROGERS, Carl. In: Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
VYGOTSKY L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

Publicado em 21/10/2008 10:22:00

Angela Cristina Munhoz Maluf - Ms. em Ciências da Educação,docente de graduação e pós-graduação,psicopedagoga, especialista em Educação Infantil e Especial, escritora, palestrante e consultora de projetos.






Como o Psicopedagogo atua na Escola


Podem ser muitas as razões que determinam o sucesso ou o fracasso escolar de uma criança, como: fatores fisiológicos, fatores psicológicos, mais precisamente de mobilização, condições pedagógicas e principalmente o meio sócio-cultural em que vive a criança.
A práxis psicopedagógica é entendida como o conhecimento dos processos de aprendizagem nos seus aspectos cognitivos, emocionais e corporais. Pressupõe também a atuação tanto no processo normal do aprendizado como na percepção de dificuldades (diagnóstico) e na interferência no planejamento das instituições e no trabalho de re-educação (terapia psicopedagógica).
  • Vivenciar e construir projetos, buscando operar na prática clínica individual e grupal.
  • Desenvolver projetos institucionais, principalmente aqueles relacionados a escola.
  • Aprimorar a percepção de si mesmo e do outro, enquanto ser individual, social e cultural e no seu papel de psicopedagogo.
Institucional
A Psicopedagogia vem atuando com muito sucesso nas diversas Instituições, sejam escolas, hospitais e empresas.
Seu papel é analisar e assinalar os fatores que favorecem, intervém ou prejudicam uma boa aprendizagem em uma instituição. Propõe e ajuda o desenvolvimento dos projetos favoráveis a mudanças, também psicoprofilaticamente.
A aprendizagem deve ser olhada como a atividade de indivíduos ou grupos humanos, que mediante a incorporação de informações e o desenvolvimento de experiências, promovem modificações estáveis na personalidade e na dinâmica grupal as quais revertem no manejo instrumental da realidade.
Na Argentina e na França (Pólos Culturais), este trabalho já vem sendo desenvolvido há anos, tendo o psicopedagogo papel indispensável nas equipes multidisciplinares destas instituições.
Ana Maria Muniz, AlíciaFernàndez e Sara Pain são grandes exemplos do quanto a psicopedagogia Institucional vem colaborando dentro destas Instituições.
A aprendizagem não só objetiva a criança ou adolescente, mas também o adulto, o idoso e os profissionais de diversos segmentos no mercado de trabalho na integração e reintegração grupal.
Inspirando-nos em Pichon, um dos que se preocupou com a questão "GRUPO", verificaremos a importância de se trabalhar estas instituições: "a aprendizagem é uma apropriação instrumental da realidade para transformar-se e transformá-la". Essa apropriação possibilita uma intervenção que gera mudanças em si, e no contexto que se dá. Caracteriza-se também, por ser uma adaptação ativa, constante na realidade. Implica, portanto, em estruturação, desestruturação e reestruturação. Isso gera tensão a qual necessita não apenas ser descarregada, mas revitalizada, renovada, enriquecida.
Partindo da Teoria do Vínculo de Pichon-Rivière, a investigação deveria se dar em três dimensões: individual, grupal, institucional ou sociedade, que nos permitiria três tipos de análise: Psicossocial - que parte do indivíduo para fora; Sociodinâmica - que analisa o grupo como estrutura; e Institucional - que toma todo um grupo, toda uma instituição ou todo um país como objeto de investigação.
O trabalho do psicopedagogo se dá numa situação de relação entre pessoas. Não é uma relação qualquer, mas um encontro entre educador e educando, em que o psicopedagogo precisa assumir sua função de educador, numa postura que se traduz em interesse pessoal e humano, que permite o desabrochar das energias criadoras, trazendo de dentro do educando capacidades e possibilidades muitas vezes desconhecidas dele mesmo e incentivando-o a procurar seu próprio caminho e a caminhar com seus próprios pés.
O objetivo do psicopedagogo é o de conduzir a criança ou adolescente, o adulto ou a Instituição a reinserir-se, reciclar-se numa escolaridade/sociedade normal e saudável, de acordo com as possibilidades e interesses dela.
Psicoprofilático
Estuda e cria condições para uma melhor aprendizagem individual e grupal nas instituições educativas ou em situações de aprendizagem ( nível individual, grupal, institucional e comunitário ).
Compreende a investigação, o assessoramento e o planejamento do aprendizado; o assessoramento em equipes interdisciplinares referentes a educação e/ou à saúde mental, a difusão comunitária de temas de sua especialidade, aulas de cursos de capacitação; cursos de orientação a pais; treinamento de professores de todos os níveis.
Sistemática
Intervem na investigação e planejamento das aprendizagens, segundo níveis evolutivos ou as características psicológicas de quem aprende. Escolha e assessoramento de metodologias que ajustem a ação educativa nas bases psicológicas da aprendizagem.
Assessoramento institucional de projetos de aprendizagem.
Referência:


6 comentários:

Elisângela Canuto disse...

excelente artigo! sou estudante de psicopedagogia clínica e institucional e cada dia que passa fico ainda mais encantada pela profissão...

Anônimo disse...

ALÉM DE LINDA A PÁGINA, O CONTEÚDO ME
AJUDOU. OBRIGADA

ivoneide pereira disse...

excelente artigo! estou fazendo a pós de Psicopedagogia clinica e institucional , e cada dia fico mas satisfeita com os blogger da net adorei este aqui tem um conteúdo maravilhoso estar mim ajudando,muito obrigado; um forte abraço .

Marlene Almeida disse...

Parabéns pelo artigo,as informações são se suma importância para profissionais que atual na área da educação. Adorei também , a oportunidade de participar das palestras online. Valeu, até a próxima!

Marlene Almeida disse...

Parabéns pelo artigo, as informações são de suma importância para educadores envolvidos no processo ensino aprendizagem de crianças ,jovens e todos que querem e precisam ter o conhecimento como base do seu desenvolvimento. Obrigada pela oportunidade de aprender mais um pouco.

AEE2013 JOSAMIA disse...

Olá Jossandra!! Quero parabenizá-lá pelo site, pois sempre acesso para ficar atualizada e sempre me surpreendo. Parabéns!!! Sou psicopedagoga no município de Paço do Lumiar, Maranhão e gostaria de trocar algumas ideias. Abraço!!