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sábado, 15 de novembro de 2014

DIFICULDADES LINGUÍSTICAS DO INDIVIDUO DISLÉXICO

DIFICULDADES LINGUÍSTICAS DO INDIVIDUO DISLÉXICO: Causas e consequências no aprendizado escolar


Autora: Stella Maris da Silva Reis
RESUMO

O presente artigo busca refletir, através de uma pesquisa bibliográfica, as causas e consequências das dificuldades linguísticas apresentadas pelos indivíduos disléxicos no contexto escolar.  Analisa e reflete a importância da linguagem para o ser humano a partir de uma análise do desenvolvimento linguistico. Através da definição e caracterização de dislexia reflete sobre a interferência desta, que é considerada um transtorno específico da área da linguagem, no desenvolvimento linguístico dos seres humanos, bem como suas consequências, para o indivíduo que a possui, no contexto escolar.

Palavras-chave: Linguagem; Dislexia; Aprendizado Escolar

This essay reflects, through a literature search, the causes and consequences of language difficulties presented by dyslexic individuals in the school context. Analyzes and reflects the importance of language to humans from an analysis of linguistic development. Through the definition and characterization of dyslexia reflects on this interference, which is considered a specific disorder in the area of language, the linguistic development of human beings and their consequences for the individual who has, in the school context.

            Key-words: Language;  Dyslexia; School Learning 


SUMÁRIO


1 INTRODUÇÃO............................................................................................... 1

2 DESENVOLVIMENTO ........................................................................... 3

   2.1. A importância da linguagem para o homem .................................. 3
   2.2. Dislexia.......................................................................................... 5
     2.2.1. Aspectos neurológicos da dislexia........................................... 7
     2.2.2. Tipos de dislexia..................................................................... 10
  2.3. Desenvolvimento linguístico e a dislexia....................................... 11
    2.3.1 – Leitura.................................................................................... 12
 2.4 – Inclusão do disléxico na escola.....................................................13

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................... 17

BIBLIOGRAFIA........................................................................................ 19 


 1 INTRODUÇÃO

Diante das observações em minha prática profissional como docente de língua portuguesa e estudante de Psicopedagogia, me propus a pesquisar e analisar como a dislexia interfere no desenvolvimento da linguagem daqueles indivíduos que a possui e as consequências que a mesma causa desde o seu rendimento escolar à sua socialização no contexto escolar.  Este estudo tem ainda por objetivo pesquisar e refletir sobre a importância da linguagem e seu desenvolvimento para os seres humanos e também analisar as dificuldades em leitura e escrita apresentadas pelos disléxicos.  

Os estudos sobre a dislexia apontam que indivíduos com este transtorno apresentam dificuldade em decodificar o estímulo escrito ou o símbolo gráfico, de aprender a ler e escrever com correção e fluência e de compreender um texto. Sendo assim as habilidades de leitura e escrita ficam comprometidas afetando o desenvolvimento da linguagem desses indivíduos.

A Dislexia é um transtorno específico da linguagem. Afeta diferentes áreas e estímulos cerebrais que têm como função a aquisição da linguagem oral e escrita. Pessoas disléxicas apresentam um funcionamento próprio do cérebro para os procedimentos linguísticos, relacionados à leitura, tendo dificuldades de associação do símbolo gráfico como o som que elas representam e de organizá-las, mentalmente, numa sequência temporal. Os disléxicos apresentam ainda problemas na fala, não conseguem reconhecer imediatamente uma palavra, leitura demorada e silábica, dentre outros.

É através da linguagem que o ser humano se constitui como sujeito. É ela também responsável pela interação social dos seres humanos. A linguagem se manifesta através da fala, leitura e escrita. Essas habilidades fazem parte do aprendizado do indivíduo desde seus primeiros momentos de vida. Sendo então a linguagem algo tão essencial para o ser humano, é indutivo pensar que “falhas” no processo de desenvolvimento da linguagem possam prejudicar o aprendizado dos indivíduos. É na fase escolar que a dislexia se manifesta, geralmente no final da alfabetização e nos primeiros anos escolares. Apesar de possuir outras habilidades, a criança começa a apresentar dificuldades inesperadas de aprendizagem de leitura e escrita. Essas dificuldades trazem o insucesso na alfabetização comprometendo o aprendizado de conteúdos linguísticos posteriores a alfabetização.

 A metodologia utilizada neste trabalho para o levantamento de dados será a pesquisa qualitativa bibliográfica, tendo como foco analisar a interferência da dislexia no desenvolvimento da linguagem dos indivíduos disléxicos bem como suas causas e consequências. Primeiramente a pesquisa tratará da importância da linguagem no desenvolvimento humano, logo tratará da dislexia como um transtorno de aprendizagem e as consequências que ela traz para esse processo de desenvolvimento da linguagem do indivíduo que a possui. A reflexão não se limita apenas a consequências linguísticas que a dislexia causa, mas também há uma abordagem acerca da socialização do indivíduo disléxico que muitas vezes é alvo de incompreensão no ambiente escolar, construindo, em alguns casos, uma experiência de insucesso escolar e baixa estima.





        2 DESENVOLVIMENTO


        2.1 A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM PARA O HOMEM


O homem utiliza a linguagem como forma de expressar seus sentimentos, pensamentos e para se comunicar de forma geral. Há vários tipos de linguagem. Ela pode ser verbal, não-verbal, formal ou informal. A linguagem acompanha o homem desde os primórdios. Os primatas utilizavam os desenhos e os sons como principal meio de comunicação. Com a evolução da espécie, a necessidade de expressar foi se tornando mais complexa e com isso a linguagem também foi se evoluindo, logo veio a fala e posteriormente a escrita junto a tecnologia. “Linguagem é a faculdade que o homem tem de se exprimir e comunicar por meio da fala.” (CEGALLA, 2008 p. 16).

Cegalla (2008) define linguagem como a capacidade do homem em se comunicar através da fala. E é através da comunicação que o homem interage com o mundo e com a sociedade. Por isso a importância da fala para os seres humanos. Porém, a linguagem não se restringe somente a fala. A linguagem se manifesta também através da escrita, símbolos, gestos, sons e outros. Segundo ASHA (1982, p.5)[1] “A linguagem é a capacidade humana para compreender e usar um sistema complexo e dinâmico dos símbolos convencionados, usado em modalidades diversas para comunicar e pensar”.


A linguagem é uma característica essencial do ser humano que não vive só. A linguagem é uma aptidão para a interatividade com os outros. O homem se constitui como sujeito e cidadão através da linguagem, pois é através dela e inseridos num contexto sociocultural que constituímos nossa identidade. O homem não necessita da linguagem apenas para se comunicar, mas também para compreender os símbolos linguísticos do contexto em que está inserido.

Desde os primeiros momentos de vida o ser humano já se comunica. Os bebês se comunicam através de gestos e sons. No seio familiar sua linguagem vai se desenvolvendo, entretanto com novos contatos sociais e culturais externos a família outras habilidades são oferecidas, como por exemplo, a leitura e a escrita que são trabalhadas no contexto escolar.   


[...] A herança genética da espécie vai garantir o aparecimento de possibilidades concretas de comunicação que vão dos movimentos do corpo à oralidade. Já a cultura propiciará formas de utilização do movimento e da oralidade, da mesma maneira que trará, à criança, outras formas de comunicação e expressão, que são resultado da própria história humana. (LIMA, 2009 p.7)


A oralidade se desenvolve até aproximadamente os nove ou dez anos de idade e não se desprende da linguagem corporal. Daí a importância também das habilidades artísticas (canto, dança, desenhos...) no processo de desenvolvimento linguístico da criança, esses auxiliam no desenvolvimento das funções psicológicas superiores, enriquecem a imaginação proporcionando à criança a construção de significados. De acordo com Lima, (2009) a participação da criança num contexto sociocultural influencia no seu desenvolvimento linguístico sobretudo em relação a concretização da escrita:

A escrita é um produto da cultura humana e se insere no percurso do desenvolvimento da função simbólica. Portanto, a criança, para adquiri-la, precisa efetivar uma série de realizações do domínio da função simbólica. Uma delas é ser capaz de dar significado a uma forma, capacidade que ela adquire realizando colagens, dobraduras, desenhos, brincadeiras (LIMA, 2009 p.28)

A linguagem oral é uma base linguística indispensável para que as habilidades de leitura e escrita se estabeleçam. Quando há falhas em uma dessas habilidades todo o sistema de comunicação se compromete. Isso porque a escrita muitas vezes é reflexo da fala e vice versa. A leitura antecede a habilidade de escrita. Então, se o sujeito não lê bem consequentemente não escreve bem. É geralmente na escola que o homem inicia seu processo de sistematização da alfabetização sendo exposto a estímulos específicos com o objetivo de desenvolver e concretizar as habilidades linguisticas. É normal o surgimento de algumas dificuldades de aprendizado neste processo, são várias as causas de seu surgimento, porém quando essas dificuldades não são sanadas ou persistem por um tempo superior ao normal faz-se necessário uma investigação sobre as possíveis causas dessa dificuldade ou transtorno para que sejam tomadas as medidas pedagógicas adequadas.

2.2 DISLEXIA

No meio ao desenvolvimento linguístico do ser humano pode surgir interferências que prejudicam esse processo. Essas “interferências” denominam-se em transtornos e dificuldades. A Dislexia, especificamente, é um transtorno de aprendizagem da área da linguagem.  

[...] Dislexia é um problema com linguagem. Inteligência não é problema; o problema é linguagem. As pessoas que são disléxicas podem ter dificuldade de leitura, de escrita, de compreensão da linguagem que elas escutam ou de se expressar claramente pela fala ou pela escrita. Há uma discrepância inesperada entre o seu potencial para aprender e seu desempenho escolar.(LYON, 1995 p.30 )

Parafraseando Lyon, a dislexia acomete crianças com inteligência dentro dos padrões de normalidade, sem deficiências sensoriais, isentas de comprometimento emocional significativo e com oportunidades educacionais adequadas. Indivíduos disléxicos muitas vezes possuem um desenvolvimento dentro do esperado em outras atividades que não exigem a habilidade de leitura.

O médico oncologista e pesquisador brasileiro Dr. Dráuzio Varella define dislexia em seu artigo titulado “Distúrbios de linguagem – dislexia”[2]:


Dislexia é um transtorno genético e hereditário da linguagem, de origem neurobiológica, que se caracteriza pela dificuldade de decodificar o estímulo escrito ou o símbolo gráfico. A dislexia compromete a capacidade de aprender a ler e escrever com correção e fluência e de compreender um texto. Em diferentes graus, os portadores desse defeito congênito não conseguem estabelecer a memória fonêmica, isto é, associar os fonemas às letras. (VARELLA, 2006 p.5).



Varela considera a dislexia como sendo um distúrbio de linguagem com origem hereditária. Apensar de possuir uma origem genética, a dislexia não é uma doença. É um transtorno de aprendizagem que compromete as habilidades de leitura, escrita e compreensão textual. O indivíduo disléxico ainda apresenta dificuldades fonéticas (associar sons e letras) o que pode gerar dificuldades no processo de alfabetização no contexto escolar.

Em acordo com Dr. Dráuzio Varella a Associação Brasileira de Dislexia considera que a dislexia possui uma base neurológica com incidência expressiva de fator genético transmitido por um gene de pequena ramificação do cromossomo #6 justificando então que o transtorno se repita na mesma família.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV (1995) a dislexia é um comprometimento acentuado no desenvolvimento das habilidades de reconhecimento das palavras e da compreensão da leitura. O indivíduo disléxico encontrará então dificuldades desde a decodificação da leitura, associação fonológica até a compreensão e interpretação textual.

É durante os 6 ou 7 anos de idade que a dislexia se torna mais evidente nas crianças que a possui. É nessa fase que pais e professores se queixam que crianças com inteligência média ou até acima da média, apresentam dificuldades para a alfabetização, apresentam desinteresse na leitura e/ou escrita, falha de atenção, uma vez que por apresentar dificuldades a criança perde o interesse. Importante ressaltar que, somente um diagnóstico clínico composto de uma equipe multidisciplinar (psicólogo, fonoaudiólogo, psiquiatra e outros) é capaz de constatar se a criança possui ou não dislexia. A dislexia não é um transtorno passível de cura, mas há tratamentos que possibilitam um indivíduo disléxico ser alfabetizado e letrado.  

São alguns sinais de dislexia: atraso na fala; deficiência na aquisição dos sons da linguagem; deficiência nas habilidades do pensamento e do raciocínio; permanência nas dificuldades de pronúncia até 5 ou 6 anos; não falar os sons iniciais de uma palavra. ex: agenda/genda; inverter sons internos de uma palavra. ex: animal/aminal; dificuldades com rimas; dificuldades em memorizar os nomes/sons das letras; dificuldades em memorizar a escrita do nome, dificuldades com a leitura e grafismo pouco elaborado devido a troca de letras e espelhamento; dificuldade em contar e recontar uma história na sequencia correta; dificuldade com rimas e ainda de lembrar nomes e símbolos.

É importante respeitar as fases de desenvolvimento linguístico do indivíduo antes de considerar sua dificuldade um sintoma de dislexia. Não é porque a criança tem uma escrita espelhada (quando se escreve a letra do lado contrário como se a mesma fosse um reflexo de um espelho), por exemplo, que ela possa ser dislexia, pois trata-se de uma “confusão” normal dentro de um certo estágio do desenvolvimento linguístico. Tais sintomas passam a ser suspeitos de dislexia quando permanecem durante estágios avançados do desenvolvimento linguístico e/ou não correspondem ao processo natural do desenvolvimento da criança.


2.2.1. – ASPECTOS NEUROLÓGICOS DA DISLEXIA

Segundo Ana Michele (2010) em seu artigo titulado “A dislexia na perspectiva anatômica”, é necessário entender o funcionamento do cérebro de um disléxico.

A figura a seguir apresenta a divisão do córtex cerebral humano:


Figura 01: Córtex Cerebral



Fonte:http://psicopedagogiaeducacao.blogspot.com.br/2010/07/dislexia-na-perspectiva-anatomica.html

Dentre as divisões do córtex cerebral há o lobo parietal, este é responsável pela função de percepção, memória e análise visual. Uma disfunção nessa região leva à dislexia, pois são funções essenciais no processo de desenvolvimento linguístico como visto no item 2.1 deste artigo.

A autora Ana Michele menciona que a lesão do lobo parietal esquerdo causa crises parciais retratadas por ataques paroxísticos de sensações anormais, propagadas pelo lado contralateral do corpo (crises sensoriais). Deficiências sensório-motoras expressas pela perda hemissensorial contralateral e perda do campo visual inferior. Deficiências psicológicas retratadas pela incapacidade de dar nome aos objetos e perda da capacidade de ler (alexia), escrever (agrafia) e calcular (acalculia). A lesão do lobo parietal direito causa crises parciais onde ataques paroxísticos de perturbações sensoriais afetam o lado contralateral do corpo (crises sensoriais simples). Deficiência sensório – motora com a  perda hemissensorial contralateral do campo visual inferior. Deficiências psicológicas que expressam a incapacidade de copiar e de construir esquemas devido à desorientação espacial (apraxia de construção).

O indivíduo disléxico possui ainda o hemisfério cerebral direito mais desenvolvido. O que, segundo a Associação Brasileira de Dislexia, justifica o fato de possuírem um potencial maior para as habilidades corelacionadas ao hemisfério cerebral direito, como representa a figura 2:

                               Figura 2:  Hemisférios do Cérebro Humano
               




É comum indivíduos disléxicos se destacarem em habilidades artísticas e esportivas por exemplo. Há registros na história de pessoas intelectualmente conhecidas que eram disléxicos, como Leonardo da Vinci (pintor), Walt Disney (desenhista e empresário), Bem Johson (esportista), Thomas Edison (inventor), Albert Einsten (cientsta), Whoopy Goldberg (atriz) dentre outros. Apesar das limitações os disléxicos não são seres “incapazes” de aprender, além de se destacarem em outras habilidades, com um tratamento adequado também são capazes de se destacarem na leitura e escrita como comprova a famosa escritora Agatha Chistie também disléxica.




2.2.2 – TIPOS DE DISLEXIA      

Dentre os conceitos de dislexia não é comum que autores abordem os diversos tipos de dislexia. O que leva a muitas pessoas interpretarem o transtorno apenas com base nos sintomas gerais de dislexia ou da dislexia fonológica. Esta é a mais abordada pelos autores, porém é de suma importância que educadores e familiares de indivíduos disléxicos tenham conhecimento dos diferentes sintomas e limitações que cada tipo de dislexia apresenta. Práticas pedagógicas e tratamentos psiquiátricos orientados pelas causas específicas de cada segmento da dislexia trará melhores resultados ao processo educacional do disléxico.

A dislexia pode ser adquirida ou de desenvolvimento. A dislexia adquirida é quando as habilidades de leitura já desenvolvidas são perdidas diante de uma lesão cerebral. Já a dislexia do desenvolvimento é quando o individuo apresenta defasagem em tal habilidade de forma natural.

Há ainda a dislexia fonológica em que o indivíduo realiza uma leitura visual das palavras, ou seja, durante o processo de leitura observa-se as palavras de forma global, através de dedução e não de um leitura convencional. Lê-se “casa” ao invés de “caso”.  É comum na dislexia fonológica:

Tabela 01: dificuldades características da dislexia fonológica

DIFICULDADE
EXEMPLOS
Confusões nas letras:
d-b; p-q; b-g; u-n; g-p; d-p
Omissões de letras/sílabas/palavras
chave/cave
Inversões nas letras/sílabas
pai/pia
Reiterações de sílabas/palavras
cozinha/cocozinha
Substituição de palavras
roda/pneu
Invenções de palavras
quê/ e de quê
Hesitações
(em palavras desconhecidas)
Ortográficas
(em palavras novas ou desconhecidas)




Já a dislexia superficial é quando a criança apresenta dificuldades para reconhecer as palavras irregulares, cometem erros de omissão, adição ou substituição das letras. E ainda apresentam problemas com a ortografia, pois se guiam pela informação auditiva, por exemplo, a palavra tóxico é lida como tóchico.

Quando a criança apresentar erros nos processos de leitura tanto visual quanto auditivo caracteriza-se uma dislexia mista. Ela apresenta então dificuldades para decifrar o significado das palavras, ler palavras abstratas e verbo, comete erros visuais e semânticos.

2.3 DESENVOLVIMENTO LINGUISTICO E A DISLEXIA

O ser humano não nasce sabendo falar e escrever. Essas habilidades são aprendidas e consolidadas ao longo do seu desenvolvimento biológico e cultural. A aquisição inicial da linguagem ocorre em dois processos, o pré-linguístico e o linguístico.

A primeira fase denominada como “pré – linguística” corresponde aos primeiros meses de vida da criança, é o balbuciar dos bebês, que geralmente ocorre no sexto mês de vida, que sinaliza o começo da aquisição da linguagem. Esses sons/balbucios produzidos pelos bebês não acarretam nenhum significado, porém são de extra importância uma vez que sinalizam o início da habilidade de comunicação linguística da criança.

Já o período “linguístico” é quando a criança já possui competências necessárias para utilização da linguagem. Aqui, ela já utiliza os símbolos linguísticos dentro de um contexto significativo. Esse período inicia-se aos 03 anos de idade.

Segundo o Dr. Antônio Carlos de Freitas em seu artigo titulado “Dislexia – aspectos neurológicos”.[3]

O disléxico apresenta dificuldades no nível mais primitivo da linguagem, o fonológico, o que lhe dificulta progredir para a forma mais complexa, a da compreensão simbólica – Leitura. Ele apresenta dificuldades de leitura porque interpreta mal as características sonoras dos símbolos gráficos (fonemas), reconhece com dificuldade esses sons quando estão integrados na palavra falada, tem dificuldade de compô-los em uma sequência lógica para formar e reconhecer palavras novas. (FREITAS,2008)

As dificuldades linguísticas apresentadas pelos disléxicos durante os 06 ou 07 anos de idade fundamentam-se na fase inicial da aquisição da linguagem, a fase que corresponde a aquisição e inicio do desenvolvimento fonológico da criança. Isso ocorre, como já apresentei anteriormente, devido a uma disfunção no lobo pariental que é responsável pela aquisição sensorial, e não porque a criança possa apresentar problemas de audição.

2.3.1. LEITURA[4]

Há duas interpretações típicas para o termo leitura, a primeira se refere ao ato de decodificar as letras, sons, sílabas e frases, já a segunda se refere a interpretação daquilo que se está lendo. A leitura, como afirma Rotta e Pedroso,(2006) trata-se de um processo complexo.

[...] A Leitura é uma forma complexa de aprendizagem simbólica. No transtorno específico da leitura chamado DISLEXIA a criança apresenta um comprometimento significativo no desenvolvimento das habilidades da leitura, com dificuldade no reconhecimento e na interpretação das palavras e de seu caráter simbólico. (ROTTA e PEDROSO, 2006 p. 152)



Selikowitz (1993) descreve como funciona o processo de leitura. O primeiro estágio é o da memória visual, este não envolve o sistema léxico[5], pois o léxico está vazio. As palavras são aqui reconhecidas como se fossem pessoas ou objetos.


[...]Eventualmente, este sistema deve ser superado. Muitas palavras são parecidas demais na forma e no tamanho para um sistema puramente visual diferenciá-las. Além disso, a ortografia não pode passar além de um estagio muito rudimentar, ao apoiar-se apenas no reconhecimento visual. (SELIKOWITZ(1993, p.51)


O segundo estágio é o fonológico (ou alfabético), é comum as crianças entrarem neste estágio aos 6 ou 7 anos de idade. As palavras são quebradas (segmentadas) em sons componentes. Aqui, as crianças já possuem um sistema especial para leitura que é essencial quando elas tiverem que equipar seu léxico para que possam progredir para o estágio automático.


[...] Á medida que as crianças adquirem maior capacidade de traduzir os grafemas que elas veem na página em fonemas corretos, elas começam a preencher “o léxico” do seu cérebro com palavras. Quando isto acontece elas podem começar a superar o sistema fonológico e ter acesso ao “léxico” sempre que elas leem uma palavra familiar. (SELIKOWITZ, 1993, p. 52)



O indivíduo disléxico apresentará um desenvolvimento lento entre o primeiro e o segundo estágio devido as suas limitações. É normalmente no segundo estágio que a dislexia é detectada pelo fato da criança apresentar dificuldades linguísticas que já deveriam ter sido superadas e/ou não se desenvolve conforme o esperado.




2.4  INCLUSÃO DO DISLEXICO NA SALA DE AULA

É na escola que habilidades de comunicação como leitura e escrita são desenvolvidas através de atividades específicas. A criança passa a comunicar-se desde seu primeiro contato com a sociedade, seja através de sons ou gestos. Ainda no seio familiar a linguagem oral é desenvolvida pelo simples contato com outros falantes, já a linguagem escrita exige que a criança tenha um contato com um ambiente propício ao aprendizado, profissionais capacitados para que a escrita se desenvolva. Inicia-se com a alfabetização e ao longo dos anos escolares a escrita se desenvolve desde a caligrafia à produção de gêneros textuais. Assim como confirma ZORZI (2003, p. 26 a 30)


[...] para aprender a linguagem oral, basta a criança conviver com falantes da língua. (...) No que se refere à escrita, para aprendê-la, a criança necessitará viver em uma sociedade letrada ou, mais especificamente, fazer parte de algum segmento da sociedade que tenham acesso ao letramento. (ZORZI, 2003 p. 26)

Durante os anos escolares iniciais em que a criança está submetida ao processo de alfabetização é que muitas vezes a dislexia é detectada. Apesar de alguns sintomas já se manifestarem logo no início da fase escolar. Crianças disléxicas, ainda no jardim de infância, período em que ainda são bebês, apresentam dificuldades, por exemplo, em rimar palavras e identificar letras e fonemas.  Para cada ano escolar há objetivos que devem ser atingidos pelos alunos. Quando uma criança não atinge algum objetivo de ensino, ou seja, quando ela não se desenvolveu da forma que era esperado faz-se uma investigação para detectar a falha e o porquê dela. Essa investigação se dá a partir da observação do docente e com um relatório escolar a criança é encaminhada a uma equipe multidisciplinar (psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo, dentre outros) para um diagnóstico.

O fato da criança apresentar alguns sintomas relacionados à dislexia não significa que ela seja disléxica. Os sintomas da dislexia são muitas vezes confundidos com uma dificuldade de aprendizagem que pode ser corrigida seja pela alteração da prática pedagógica adotada pelo corpo docente ou até mesmo por questões emocionais em relação à criança. Somente uma avaliação clínica pode diagnosticar um caso de dislexia. Esta avaliação inicia-se com uma investigação psicopedagógica em clínica e a partir dos resultados apresentados o paciente é encaminhando ao psicólogo, fonaodiólogo,  psiquiatra, alguns casos também são encaminhados ao neurologista, isso para que esses profissionais através de testes e exames específicos cheguem a uma conclusão presida do diagnóstico da crianças para então iniciar o tratamento.

Devido às intensas dificuldades encontradas pelos disléxicos durante as atividades escolares é comum que eles se sintam inferiores aos outros por não se desenvolverem como o esperado. Diante ao fracasso escolar, a criança com dislexia perde o interesse pelas atividades propostas, o que pode levar até mesmo ao abandono escolar. O problema com a autoestima também pode se agravar com o fato do disléxico, muitas vezes, ser “ignorado” pelos docentes. Isso ocorre, pois a maioria dos docentes não são capacitados para desenvolver didáticas diferenciadas para alunos disléxicos ou com outros distúrbios.


[...] Não é necessário que alunos disléxicos fiquem em classe especial. Alunos disléxicos têm muito a oferecer para os colegas e muito a receber deles. Essa troca de humores e de saberes, além de afetos, competências e habilidades só faz crescer a amizade, a cooperação e a solidariedade.  (BRAGGIO, 2006 p.56)


A criança disléxica, como postula Braggio, tem muito a contribuir com o ambiente escolar, pois apesar de suas dificuldades são seres dotados de muita inteligência e podem até se sobressaírem em atividades que não exigem a habilidade leitora. A afetividade deve ser trabalhada com o indivíduo disléxico e também com o grupo a qual ele convive a fim de evitar atos discriminatórios. Ele deve se sentir importante, capaz, motivado e acolhido dentre o grupo. A autoestima elevada influencia no processo ensino-aprendizado não só dos disléxicos, mas de qualquer indivíduo aprendiz. É indispensável, também, que docentes se capacitem para melhor intervir didaticamente no processo de ensino-aprendizado do indivíduo disléxico.

Não há um método específico, uma receita, para lecionar aos disléxicos, mas é de suma importância que os docentes conheçam e entendam o que é dislexia, como funciona o cérebro de um indivíduo disléxico e que respeitem o tempo de desenvolvimento dos mesmos. Há algumas atitudes que podem ser tomadas pelos docentes em busca de melhor acolher e contribuir para o desenvolvimento acadêmico dos disléxicos assim como sugere Luca, (2012) em “E a escola o que pode fazer pelo disléxico?”:

Em relação às atividades que exigem LEITURA o docente deve: 


Evitar fazer o aluno ler em voz alta na sala de aula. Todo um trabalho deve ser feito com o aluno e também com a classe para aí sim pedir para que o aluno com dificuldade realize a leitura. E, se for percebido que o aluno entra em sofrimento ao realizar esta tarefa, a leitura deve ser passada para outro colega, até que aquele com dificuldade sinta-se à vontade para fazê-lo, sem deixar que os demais zombem dele antes, durante ou depois da atividade. (LUCA,2012 p.9)

Em relação à LEITURA DA PROVA e/ou atividades de caráter avaliativo:


O aluno disléxico apresenta dificuldades na decodificação, portanto dificuldade na leitura. Caso o professor realize a leitura das questões ele terá uma compreensão mais rápida e adequada. O aluno terá que se preocupar apenas em lembrar-se da resposta e organizar a escrita da mesma. O que para ele não é pouco. Se esta leitura não for realizada pelo professor, ele terá que fazê-lo por si só e provavelmente repetidas vezes, correndo o risco ainda de cometer erros e desta forma, fazer uma compreensão equivocada o que levaria a uma resposta também equivocada. (LUCA, 2012 p.9).




Luca (2012, p.9 a 11), ainda ressalta sobre a prova oral que pode ser uma alternativa dependendo da dislexia da criança. Por apresentar dificuldades para se expressar através da escrita a criança não se prejudicará na avaliação. O tempo de realização das tarefas escolares também deve ser bem administrado pelos docentes, uma vez que o disléxico pode apresentar maior lentidão em formular suas respostas e a processar informações, deve-se oferecer um tempo maior para que o mesmo realize as tarefas propostas.

De acordo com –AND (Associação Nacional de Dislexia) se o disléxico não pode aprender do jeito que ensinamos, temos que ensinar do jeito que ele aprende. É importante então que as práticas pedagógicas sejam reformuladas diante de um aluno disléxico na sala de aula. Deve haver todo um trabalho de adaptação desta criança para que a mesma tenha capacidade de adquirir conhecimentos e de progredir satisfatoriamente suas habilidades acadêmicas.




3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O conceito de dislexia é atualmente interpretado de forma banalizada pela maioria da população brasileira. Não só pelos docentes e profissionais da educação. Pais e familiares muitas vezes não são bem orientados sobre o distúrbio. Essa banalização do que vem a ser dislexia e seus sintomas faz com que muitos educadores, sejam eles pais ou professores, rotulem como dislexia algo que seja apenas uma dificuldade de aprendizagem. E ainda, diante de um caso real de dislexia não são capacitados para lecionar diante as limitações de um individuo disléxico.

Todo esse despreparo diante de um caso real de dislexia faz com que o indivíduo se sinta ainda mais incapaz por não progredir intelectualmente junto a turma em que está inserido, causando também um clima favorável ao preconceito e discriminação. Uma vez que sem saber como trabalhar com o aluno disléxico em sala de aula é comum que o mesmo fique “esquecido”, sem nenhuma interferência pedagógica específica aplicada a seu favor. E diante aqueles casos que não se referem a dislexia, mas são considerados (e não diagnosticados) como tal, a criança tem a tendência a regredir diante da dificuldade encontrada pelo fato também de não receber uma interferência pedagógica adequada.

Uma vez diagnosticado a dislexia, é importante ter consciência do processo de desenvolvimento da linguagem dos seres humanos, bem como o funcionamento do processo de leitura também, uma vez que a dislexia é um distúrbio do campo da leitura. Entender como funciona o cérebro do disléxico também é um conceito de importante para que se possam elaborar práticas pedagógicas de acordo com as necessidades do aluno disléxico para que o mesmo tenha capacidade de se desenvolver intelectualmente.

O desenvolvimento da linguagem é uma característica aquém aos seres humanos e possui para nós não só a função de nos tornarmos aptos a comunicarmos, mas de nos tornamos sujeitos dentro de um contexto sociocultural. É desde o nascimento que as manifestações linguísticas acontecem e possuem um desenvolvimento inato diante de estímulos. Desde o desenvolvimento da linguagem oral até a concretização da escrita há processos pelos quais algumas pessoas não apresentarão sucesso. Os disléxicos são um exemplo. Desde a aquisição oral, os sintomas de dislexia já são visíveis em alguns casos. Porém, é no período entre  6 ou 7 anos, em que as crianças brasileiras estão em processo de alfabetização escolar,  que os sintomas de dislexia são mais evidentes. As habilidades cobradas em cada processo da alfabetização junto ao insucesso do aluno, até então, possivelmente disléxico fará com que pais e docentes busquem uma avaliação multidisciplinar (psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo,...) para que o mesmo diante de testes específicos possa receber um diagnóstico adequado.
A leitura é uma capacidade linguística de extrema importância para o desenvolvimento linguístico dos indivíduos. Desde o processo de decodificação das letras à compreensão de um texto.  Durante o processo de aprendizagem e concretização da linguagem podem surgir alguns transtornos que retardam o desenvolvimento de algumas habilidades linguísticas como a leitura e a escrita. dos distúrbios de aprendizagem da área da linguagem é a dislexia. O indivíduo disléxico apresenta dificuldades com habilidades que exijam leitura devido ao funcionamento peculiar do cérebro. 
Apesar de todas as limitações cognitivas que a dislexia causa, uma vez que o indivíduo disléxico é submetido a um sistema de ensino que se adapte as suas dificuldades, lhe proporcionando condições favoráveis de adquirir conhecimentos e de desenvolver suas habilidades linguísticas, este torna-se capaz de desenvolver-se satisfatoriamente em sua vida acadêmica.  
Concluo essa pesquisa bibliográfica a cerca do tema: desenvolvimento linguístico e a dislexia, de forma satisfatória e com um desejo de acrescentar a esses estudos uma verificação prática. Considero ter atingido os objetivos que propus no início do projeto. 



BIBLIOGRAFIA

CATTS, H. W., & KAHMI, A. G. (1999). Language and reading disabilities. Boston: Allyn Bacon.
BRAGGIO, Mario Angelo. A inclusão do disléxico na escola. Disponível em: www.dislexia.org.br/estudantes/inclusao_dilexico.doc  Acesso em 12/06/2014
BECHARA, Evanildo. Minidicionário da língua portuguesa Evanildo Bechara – Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009
BORBA, Ana Luiz.  Como interagir o disléxico em sala de aula. Disponível em: http://www.dislexia.org.br/2014/04/17/como-interagir-com-o-dislexico-em-sala-de-aula/  Acesso em: 29/05/2014
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[1] American  Speech and Hearing Association (1982), através de http://www.asha.org/docs/html/RP1982-00125.html
[2] Disponível em: http://drauziovarella.com.br/crianca-2/dislexia/
[3] Divulgado em: http://neuropediatria.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=91:dislexia-aspectos-neurologicos&catid=58:dislexia&Itemid=147
[4] Irei focar essa análise apenas sobre a importância da leitura, porém não deve-se descartar a importância da escrita  no desenvolvimento linguístico dos seres humanos, bem como que a dislexia causa consequências negativas no processo de escrita também.  
[5] Léxico: 1 relativo a palavra; lexical. 2 acervo de palavras de uma determinada língua ou us. por um autor em seus textos; vocabulário  vide em Minidicionário da Língua Portuguesa – Evanildo Bechara

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